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Da “Quarta-Força” ao HEP7A

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Era quase véspera de Natal, na acanhada sala de imprensa do estádio Alfredo Schürig, para nós a Fazendinha , na Rua São Jorge , que a diretoria do Sr. Roberto de Andrade apresentava Fábio Carille como técnico do Corinthians para a temporada de 2017. Uma aposta para a grande maioria da torcida, para a imprensa e um prato cheio para críticas, incertezas e questionamentos.

Carille chegou prometendo muito trabalho, um time bem compacto, com as linhas bem próximas no 4-1-4-1 ou no 4-2-3-1. Sem muita verba para contratações, a grande maioria dos jogadores vindo a custo zero, somente com pagamento de luvas, o time foi se moldando.

O trabalho começou em Janeiro na Flórida Cup com uma bela vitória contra o Vasco, o empate contra o arqui rival São Paulo e a perca na disputa de pênaltis fazem Carille sair da Flórida com o vice campeonato.

A QUARTA FORÇA?

Logo em seguida temos o início do Paulistão, a derrota contra o Santo André por 2-0 em plena Arena marca a primeira mudança do time, sai Jô e entra Kazim, no jogo seguinte em Osasco contra Audax gol de Kazim e vitória por 1-0, a estrela de Carille brilha.

Vem o primeiro clássico, o Derbi, Arena Corinthians lotada e o Palmeiras com seu elenco recheado de estrelas contra um Corinthians com seu time em formação jogando como a torcida deseja, com raça e muita entrega. o jogo foi tenso, com o arqui-rival dominando as ações, pra apimentar ainda mais, o volante Gabriel (dispensado pelo Palmeiras) foi expulso em um erro grotesco do juiz, causando revolta na equipe. Por toda a partida o Corinthians foi se se segurando, aguentando a pressão até que aos 40’ 2º. tempo Jô em um contra- ataque muito bem executado manda pro fundo do gol e define o jogo: 1-0 Corinthians.

O jogo que causou a reviravolta , a “quarta força “ mostrava pra que vinha, classificação tranquila , 1º. lugar da chave , eliminamos RedBull nas quartas de final, o São Paulo nas semifinais com 2 vitórias incontestáveis e o título foi conquistado em Campinas, num 3-0 também incontestável contra a Ponte Preta, depois disso, o segundo jogo na Arena Corinthians lotada fio só para comemorar o título .

BRASILEIRÃO

Início de brasileiro, empate em casa contra Chapecoense e o time continuando a jogar a mesma bola do campeonato paulista, vitórias seguidas, empates, time bem entrosado com os triângulos de Carille fazendo sucesso, Balbuena e Pablo absolutos lá na contenção, Rodriguinho, Jô e Arana essenciais no esquema do técnico Carille;

Angel Romero é um caso a parte, onde se imaginava que um paraguaio viraria o xodó desse time? Pela sua entrega, raça e disposição tática acabou conquistando a Fiel.

Vitórias incontestáveis contra São Paulo e Santos e contra o Palmeiras no Allianz por 2-0. Outras belas vitórias foram contra o Galo mineiro por 2-0 no mineirão e contra o Tricolor Gaúcho, até então o time que incomodava e disputava ponto a ponto o campeonato, com essa consistência, muita disciplina tática e entrega o time se mantinha na ponta e acumulava gordura para o decorrer da competição.

Ao fim do primeiro turno, com recordes alcançados e a invencibilidade mantida tínhamos o seguinte panorama:

1

2

Início de 2 turno e as coisas tomam um rumo diferente, primeiro com 2 derrotas inesperadas em casa contra Vitória e Atlético Goianiense, jogos que o Corinthians foi traído por seu próprio esquema, quando fazia 1-0 fora de casa, fechava a casinha e aguardava o contra-ataque, o artifício virou, seus adversários passaram a jogar como Corinthians, esperando o contra a ataque ao invés de propor jogo e o time se mostrava ineficiente em anular ou superar essa mudança de postura dos adversários, o futebol não rendia, Rodriguinho abaixo da média, Jadson questionado, a zaga não respondia mais, tomando praticamente gols de bola aérea em todos os jogos, ou seja, o trabalho de Carille estava em cheque!

A sequência do 2º. Turno foi uma montanha russa de emoções, pois a Fiel via seus adversários se aproximarem, com a diferença diminuindo rapidamente, mas ao mesmo tempo o time contava com a sorte, como nas derrotas de Santos e Grêmio (calando a boca do Renato Gaúcho), sim o time teve queda de rendimento, mas o Senhor técnico letrado e falador nunca conseguiu realmente se aproximar, então que continue com sua calculadora, fazendo as contas.

Com esse cenário vieram mais derrotas para Bahia, Botafogo e Ponte Preta, todas fora de casa, criando assim um clima de decisão para o derbi no 2º. Turno, aonde a diferença era somente com 5 pontos para o Palmeiras. Semana tensa, Carille pouco falando, treinos fechados durante a semana e o treino aberto de sábado na arena com mais de 30 mil loucos empurrando o time.

O DERBI E A REDENÇÃO

Como costumo dizer, domingo chuvoso de clássico é a cara do Corinthians e aquele domingo amanheceu assim! Chuva, nublado, Arena Corinthians com recorde de público, mais de 46mil pagantes e que vitória.

Vitória do time do povo, da raça e da superação, do time que tem uma torcida e da torcida que tem um time, só o Corinthians pra nós proporcionar isso, o time volta a engrenar, tapa na cara, sangue no olho, respeito, ninguém pode duvidar onde a gente chegou. Na sequência vem as vitórias contra Atlético Paranaense e Avaí com gols dos contestados e criticados Giovani Augusto e Kazim (Corinthians sempre teve heróis de títulos improváveis).

HEP7A

Chegamos na Quarta feira 15/11 proclamação da república, Arena lotada, novamente 46 mil pessoas, cantoria, sinalizador, bandeira e tensão. Começa o jogo e como nunca foi fácil, o Fluminense faz 1-0 com 2 minutos de jogo mas a torcida não se abala e continuamos a cada grito procurando empurrar nosso Corinthians, o gol não sai, a tensão aumenta , Jadson volta no intervalo no lugar de Camacho e com 1:30 do 2º. tempo, Clayson na ponta esquerda cruza, João como carinhosamente o chamo, entre os zagueiros empata e a Arena explode, no lance seguinte Caique estoura pra frente, Clayson dá um drible desconcertante no defensor carioca, cruza, a bola viaja lentamente, bate na trave e João novamente está lá pra virar 2-1 Corinthians, a torcida não se aguenta, alguns choram, outros gritam, o jogo segue e Danilo, sim o herói da libertadores volta aos gramados após mais de 400 dias sem jogar, homenageado por sua torcida, recebe a faixa de Fagner, que momento emocionante.

A torcida grita, empurra, o time se defende e jogo ficando tenso, eis então que Jadson no bico da grande área solta um canudo e define, 3-1 Corinthians, ali houve a libertação, os críticos de Carille, da 4ª. força, da diretoria se calaram, o Corinthians foi Corinthians, mais raça do que técnica, mais torcida do que patrocínio, amor, fé e religião .

O juiz apita, os gritos de É campeão são entoados nas arquibancadas, choros, fotos, abraços, mais sinalizadores, o corintiano comemorando ao seu jeito ao seu modo, Carille exaltado pela sua torcida, pelo seu povo, chora no gramado, calou seus críticos, confiou em seu trabalho e principalmente no seu grupo. Um time sem craques mas com alma, com sangue e muita garra, o Corinthians de antigamente, o Hep7a de Respeito, não duvidem de onde a união pode chegar, a entrega, o trabalho, essa foi a marca deste time, deste grupo, desse técnico.

Sim essa matéria foi Clubista, foi um gesto de amor e devoção ao seu clube . Obrigado ao Hep7a.

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Luis “Chef” Guilherme – Para o blog MajorSports

#Sports4Life

1 resposta »

  1. Fala chef

    Foram várias vitórias difíceis que fizeram o campeonato parecer fácil! Mas nunca foi, nenhum jogo fácil!
    Soado como sempre, teve a marca dá fiel!

    Parabéns pelo texto mestre!! Excelente!
    Mario

    Curtir

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