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Shohei Ohtani: Mito ou Bust?

ohtani

Nas últimas semanas (e por que não anos) um nome tomou conta do mercado de prospectos estrangeiros cotados para pousar nas MLB: Shohei Ohtani.

Mas, quem é Shohei Ohtani e porque a MLB está tão ansiosa por ver o talentoso jogador japonês na América? O que a MLB viu no jovem de 23 anos, 1,90 metro e 85kg que arremessa como destro e rebate como canhoto? Será que foram os seus arremessos (four-seam fastball que chega aos 165 kmph/102.5 mph, forkball de 86–88 mph com uma queda no final e um slider muito solido a 82–84 mph)??

(Isso mesmo… ele arremessa e rebate muito bem!!!!)

O começo até pouco conhecido é que ele surgiu no colégio japonês Hanamaki Higashi, localizado na província de Iwate ao norte de Honshu a ilha principal do Japão (a aproximadamente 550 km de Sapporo, a cidade do NipponHam Fighters e a aproximadamente 510 km de Tokyo). Para se ter uma ideia da representatividade, este colégio nunca chegou nas finais do Natsu no Koshien, o torneio colegial de baseball japonês. Talvez tivesse maior projeção e chegado às finais se tivesse sido formado em um colégio tradicional do torneio como o Matsushô Gakuen de Nagano ou no Tenri Koukou de Tenri.

Mas, como foi que o mito nasceu para o Baseball?

Na sua temporada de estreia como pitcher do colégio Hanamaki Higashi ele bateu o recorde de velocidade de arremesso do torneio, arremessando uma fast-ball a impressionantes 160km/h (99mph). Após a estreia pela seleção japonesa sub-18 no ano de 2012 ele manifestou o desejo de se mudar para a MLB sem mesmo passar pela NPB. Mesmo após manifestar esse desejo, o Hokkaido NipponHam Fighters decidiu selecioná-lo no draft da NPB apostando que conseguiria convencê-lo a se juntar ao time naquela mesma temporada. E ele não somente aceitou, como recebeu a camisa 11 que pertencia a Yu Darvish, até então ídolo maior do time e que com apenas 25 anos e um MVP da NPB nas costas, havia acabado de se transferir ao Texas Rangers da MLB.

Apesar da carreira profissional curta, ele coleciona episódios e muitos números interessantes, vamos a um resumo da carreira de Ohtani:

2013

Na sua temporada de estreia com a camisa do Fighters, ele já deixou o seu cartão de visitas: Estreou como arremessador titular e Right Field (!!!), atingindo marcas históricas:

  • Primeiro rookie da história da NPB a iniciar partidas como arremessador e como jogador posicionado no campo (RF);
  • Primeiro arremessador (desde 1963) a rebater nas posições 3, 4 e 5 e o primeiro rookie a fazer isso (desde 1950);
  • Segundo jogador da história da NPB a iniciar uma partida como arremessador e rebatendo no coração do lineup (nas posições 3, 4 ou 5) e conseguindo um RBI nesta partida;

Nesta temporada de estreia em 2013 ele já participou do All Star Series da NPB.

(Curiosidade: Na Nippon Professional Baseball são realizados 2 ou mais All Star Games, por isso o nome de All Star Series)

2014

No segundo ano, mais experiente, Ohtani seguiu impressionando. No dia 7 de setembro daquele ano, no Kyocera Dome em Osaka, Ohtani rebateu um HR contra o time da casa, o Orix Buffaloes, o seu 10.º HR na temporada, se tornando o primeiro jogador japonês a atingir um “Double-Double” (parafraseando os amigos da NBA) chegando a dois dígitos em HR e em vitórias como arremessador. Outros números impressionantes da temporada:

  • Segundo arremessador vindo do colegial a arremessar 2 shutouts nas suas 2 primeiras temporadas profissionais. O primeiro foi Yu Darvish;
  • No All Star Game daquele ano, arremessou uma fast-ball de 162 km/h (101 mph) batendo o recorde de Yoshinori Saito do Tokyo Yakult Swallows de 2010;
  • Em uma partida contra o Tohoku Rakuten Golden Eagles, se tornou o arremessador japonês com o braço mais rápido em um jogo oficial com outra fast-ball de 162 km/h (101 mph). Fato curioso deste jogo: esse arremesso foi contra o Lead-off do Eagles, Akiminai Ginji, na primeira entrada do jogo e partiu o bastão do rebatedor ao meio. Na mesma entrada foram outros 2 arremessos nesta velocidade contra o 2.º rebatedor do Eagles, totalizando nesta entrada 15 arremessos, sendo 8 deles à partir de 160 km/h.

Mas aquela não seria ainda a sua melhor temporada.

2015

Em 2015, assumiu o posto de Ace do Bullpen dos Fighters e ficou um pouco distante do Home Plate, atuando como DH somente em algumas partidas chegando somente a 5 HR em 109 AB na temporada. Isso deve ter feito ele refletir sobre o futuro da carreira como OF e DH. Entretanto, teve números muito consistentes como arremessador:

  • Liderou a liga em vitórias (15-5 em 22 starts) e ERA (2.24);
  • Teve 5 jogos completos e 3 shutouts (sendo o melhor da liga nestes quesitos);
  • Outros números: 196 strikeouts, 0.909 WHIP e 11 strikeouts por 9 entradas.

Com certeza, foi o melhor ano dele como arremessador titular em nível profissional, números que chamaram a atenção dos olheiros

2016 – Chegamos em 2016, ano de números impressionantes para o jovem arremessador!

Como rebatedor, atingiu a marca de 22 HR em 104 jogos e 382 aparições no bastão. Foram contabilizadas também 18 duplas, 67 RBIs, rebateu .322 com um OBP de .416, anotando 65 corridas e ainda roubou 7 bases (!!!!).

Como arremessador, atingiu a marca de 10-4, eliminou 174 rebatedores por strikeout em 140 entradas, arremessou 4 jogos completos sendo 1 shutout. Números que deram a ele o MVP da Pacific League da NPB e pelo segundo ano consecutivo integrou o “Best Nine Award” da Pacific League como arremessador, sendo o jogador mais votado.

Outros números:

  • No ataque, terminou a temporada com .322/.416/.588 (BA/OBP/SLG) e 22 HR em 382 aparições no bastão;
  • Na defesa, terminou com um recorde de 10-4, ERA de 1.86 com 174 K em 140 IP;
  • Curiosidade: ficou entre os 4 primeiros em muitas estatísticas da liga como ERA, BA, OBP, SLG e OPS.

Ponto alto deste ano foi a conquista da Nippon Series de 2016, apenas o segundo título do time de Hokkaido na liga profissional. E a participação dele nas finais foi algo fantástico. Depois de perder a 1.ª partida dos Playoffs, quando eliminou 11 rebatedores por SO em 6 entradas, mas permitiu 3 corridas (todas por HR), viu ainda o Fighters tomar 2 a 0 na série. Foi quando o protagonismo, a personalidade e (porque não) o bastão que resolveram a parada para os Fighters.

Atuando como DH no jogo 3, conseguiu 3 H, sendo o mais importante na 10.ª entrada. Com uma rebatida de Walk-off empurrou o Fighters para vencer o jogo 3. Mais tarde, com outras 3 vitórias seguidas venceram o campeonato. Curiosamente o outro título dos Fighters foi conduzido por um outro garoto prodígio da neve de Sapporo: Yu Darvish em 2006.

Ohtani terminou a Nippon Series com .375/.412/.625 e 4 rebatidas duplas, números impressionantes no bastão para um arremessador titular, ainda mais se for levada em consideração que esses números foram adquiridos em uma série final de campeonato.

Este ano, 2017, por conta de uma cirurgia no tornozelo direito realizada em Outubro de 2016, o fenômeno japonês jogou apenas 65 partidas, perdendo inclusive o World Baseball Classic.

O que está em jogo?

Ohtani é um jogador ambicioso e sabe do seu potencial como jogador desde os tempos de colegial em Iwate. Ele nunca escondeu o seu desejo de partir para a MLB e parece que agora ele vai conseguir conquistar o seu objetivo.

Para quem imagina que ele está atrás de dinheiro, se engana. Em entrevista coletiva em 11 de Novembro, ele declarou: “Não é dinheiro que importa. Existem muitas coisas que ainda precisam ser aperfeiçoadas e desejo encontrar um lugar que me permita atingir essa evolução”.

Para bons entendedores ficou claro que o desejo de Ohtani é “simplesmente se tornar o melhor jogador de baseball do mundo” e isso implica em ser completo. Apesar de muitos times da MLB estarem de olho na potência do braço de Ohtani como arremessador, é desejo dele se colocar na posição de rebatedor também e evoluir nesse quesito.

Isso é algo inédito inclusive para a MLB onde o último jogador a atuar dessa forma data da década de 1910. Existem muitos jornalistas comparando-o com estrelas do passado e do presente. As últimas comparações foram com Justin Verlander, pela capacidade de decidir jogos com os arremessos precisos, e Babe Ruth que iniciou a carreira em Boston como arremessador canhoto (sabia dessa?).

Atualmente o seu empresário na América enviou um questionário aos times interessados e apesar das perguntas curiosas (ver abaixo), mostram realmente que ele está focado no seu objetivo, resta saber quem ofertará a melhor estrutura de trabalho para o fenômeno japonês.

Ohtani Questionaire

Os números de Ohtani nas 5 temporadas da NPB:

Como Arremessador:

  • Recorde: 42–15 em 85 jogos
  • ERA 2,52 – com 624 Strikeouts, 200 Walks e apenas 24 Home Runs
  • Foram 13 Called Games e 7 Shutouts

Como Rebatedor Designado ou Right Fielder:

  • Foram 403 jogos – com 1170 Plate Appearance
  • 296 Hits – 48 Home Runs e outras 74 rebatidas multibases
  • 7 bases roubadas
  • BA .286 / OBP .358 / SLG .500 / OPS .859
South Korea v Japan - WBSC Premier 12 Semi Final

TOKYO, JAPAN – NOVEMBER 19: Starting pitcher Shohei Otani #16 of Japan throws in the top of fifth inning during the WBSC Premier 12 semi final match between South Korea and Japan at the Tokyo Dome on November 19, 2015 in Tokyo, Japan. (Photo by Masterpress/Getty Images)

Opinião deste Colaborador

Foco ele tem de sobra, desafio ele terá aos montes, pois, vai encarar os melhores do mundo. Resta saber o quanto os times da MLB estão preparados para acolher um jogador obstinado como ele e dar o que ele quer. Não acredito que a posição “somente” de Ace do Bullpen o satisfaça, ele vai querer mais, ele quer rebater também.

Durante a última off season ele treinou com (o seu amigo) Yu Darvish e com Kensuke Tanaka (ex-San Francisco Giants), além disso entrou em contato com Norichika Aoki tudo para saber um pouco mais da tão famosa MLB. Ainda lembrou que disputou um amistoso contra um selecionado da MLB no Japão em 2014, mas declarou que “a experiência foi válida, mas jogar na MLB é completamente diferente”. Alguns outros astros nipônicos estão ansiosos por vê-lo em atuação na terra do Tio Sam, como o grande “GodZila” Hideki Matsui. Ele declarou “…como um fã do baseball, eu acho muito interessante vê-lo jogar” e completou “Eu acho que ele é forte o suficiente, então, espero que ele vá muito bem e dê o seu melhor…”

Resumindo, ele tem se preparado para este dia desde que arremessou a primeira “bolinha de 102 mph”.

Recentemente citaram que ele não gostariam de ir para um clubhouse que tivesse outro astro japonês no roster, mas, somente esse fato de ele se aproximar dos outros grandes jogadores nipônicos da liga já demonstra que isso não será um fator determinante.

O meu único ponto de dúvida no sucesso da jornada dele na América é: como será a reação do jogador caso ele parta para um time que não esteja disputando os títulos ou que tenha sacrificado tudo para tê-lo no time, ficando incapacitado de montar times fortes? Afinal, são poucos os casos de jogadores que carregaram seus clubes “nas costas” e obtiveram grande sucesso sem um time competitivo e um forte senso coletivo.

Para aqueles que apostam no tamanho do “Salary Cap” como vantagem competitiva, recomendo: não se empolguem. O fenômeno nipônico não está colocando dinheiro como prioridade, ele já deixou claro que quer ser um jogador completo defensivamente e ofensivamente. Alguns especialistas que estão cobrindo as conversas tem sido unânimes em uma coisa: ele tem tanta confiança no seu potencial que chega a ser arrogante. Logo, grana não é fundamental para a escolha dele.

Algumas certezas com relação à escolha dele: ele não quer ser um fenômeno de mídia, ele não está preocupado com o tamanho da cidade, no final das contas, ele quer se desenvolver e está escolhendo quem pode oferecer a ele a melhor estrutura para o desenvolvimento da sua carreira, seja com apoio para a sua adaptação, seja pela estrutura esportiva da cidade e do clube, seja pela história do clube na formação de grandes jogadores.

Será que a obsessão de se tornar o melhor jogador do mundo o fará descontente caso demore a ser um MVP e decolar em solo americano?

Será que ele assumirá a responsabilidade de carregar uma franquia com a sua liderança, competitividade e comprometimento?

Para mim, pouco disso importa… quero vê-lo enfrentando os melhores e que seja no Opening Day de 2018!!!

Vamos aguardar os próximos capítulos dessa história.

E para você, esses números são suficientes para você contratá-lo para o seu time? Deixe a sua opinião.

Ricardo Nozuma com “Notícias da Japolândia” para o Major Sports Blog

#Sports4Life

 

1 resposta »

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