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Caindo no Tatami – Judô – Time Brasil 2018

Uchimata

Não é novidade pra ninguém mais que o Judô Brasileiro é um dos melhores e mais vitoriosos do mundo, fruto da herança dos mestres nipônicos que contribuíram tanto para a divulgação e crescimento do esporte no país somado à garra e ao talento natural do brasileiro para as lutas.

Esse potencial todo tem se refletido em números: Encerramos a temporada 2017 em 2.º no Ranking Geral atrás apenas do Japão, ganhamos a Prata no Mundial por equipes de 2017 também perdendo a final para o Japão e temos ainda 10 atletas entre os 10 melhores do mundo por categoria, sendo 2 atletas líderes: Erika Miranda e David Moura.

Tudo isso para anunciar que o Time Major Sports Blog acompanhará a trajetória da Seleção Brasileira rumo à mais um ano do ciclo Olímpico rumo a Tokyo 2020 e por que não a garantia de anúncio de muitas medalhas?

Afinal, você sabia que o Judô é o único esporte a garantir medalhas olímpicas para o Brasil em todas as edições dos jogos desde as olimpíadas de 1984 em Los Angeles, com a medalha de prata de Douglas Vieira (primeiro finalista olímpico brasileiro na modalidade)? E também que o Judô é a modalidade individual mais vitoriosa dentre os esportes olímpicos brasileiros com 22 medalhas e a segunda em números absolutos apenas atrás do vôlei que somando quadra e praia somam 23 medalhas?

Pois bem, no mês de dezembro de 2017 a CBJ (Confederação Brasileira de Judô) realizou a última seletiva para a seleção brasileira adulta de 2018, visando aos jogos olímpicos de Tokyo 2020.

A seleção 2018 inclui os melhores atletas posicionados no Ranking Mundial da IJF (International Judo Federation) e outros 16 vencedores desta seletiva realizada no último mês de dezembro.

Assim, a seleção contará com 48 atletas de 5 estados diferentes na sua elite, que participarão dos “trainning camps” ao redor do mundo e representarão o país nas competições internacionais em 2018.
Agenda que já tem data para iniciar: 08 de janeiro em Mittersil (Áustria) onde ocorre um “trainning camp” com a seleção local, fechando a excursão em 17 de janeiro no Grand Prix de Tunis (Tunísia), esse já valendo muitos pontos para o Ranking Mundial. Em fevereiro esse time encara todas as principais feras mundiais nos Grand Slams de Paris (10 a 11) e de Dusseldorf (23 a 25). Estaremos de olho e divulgaremos mais notícias e resultados dos samurais brazucas.

Esses atletas terão a missão de obter pontos para a classificação para o torneio olímpico que permite somente 2 atletas por categoria, sendo 1 deles reserva, logo, esse ano apesar de ainda “distante” dos jogos, pode significar uma manutenção do atleta na seleção brasileira ao longo do ciclo olímpico através da manutenção da pontuação do Ranking Mundial.

Lembrando que o primeiro critério de classificação olímpica é a posição no Ranking.

Vou destacar então os 10 melhores atletas pelo Ranking e mais 5 atletas que prometem incomodar os “medalhões”:

  1. Erika Miranda – Líder do Ranking da Categoria 52 kg

Erika Miranda

Erika vem tendo resultados consistentes a pelo menos 3 anos, culminando com a liderança do ranking mundial da categoria 52 kg. Ela não teve sorte nas Olimpíadas quando ficou pelo meio do caminho, mas terminou numa ótima 5.ª colocação. Após esse viés e como o Judô sempre ensina “Depois da queda levantamos e encaramos outro adversário”, Erika foi pra cima das adversárias e conquistou 5 pódios, sendo destes 3 finais com o título do Grand Slam de Ekaterinburg (Rússia). Para fechar o ano, no Masters (assim como no Tênis, existe um Masters no final do ano com os melhores colocados no Ranking) conquistou um belíssimo bronze.

Erika é uma das atletas de elite do Brasil que se nada der errado, deve garantir rapidamente a sua participação em Tokyo e dessa vez vai mais experiente e com grandes chances de medalha.

  1. David Moura – Líder do Ranking Mundial da categoria +100 kg

david_moura

David é um garotão de 30 anos que surpreende o mundo com a primeira colocação no ranking mundial da categoria mais adorada e disputada do judô, a +100 kg. A categoria que concentra os “monstros” e os “gigantes” do tatami, e que por muitos anos foi dominada pelos temidos atletas franceses e os tradicionais samurais japoneses e que recentemente foi dominada pelo então bi-campeão olímpico Teddy Riner, agora é dominada pelos Brasileiros. Para se entender a dimensão da categoria, no Japão existe a importante e tradicionalíssima Jigoro Kano Cup que reúne atletas na categoria “Absoluto”, ou seja, sem peso definido e que por diversas vezes teve o imperador japonês como espectador.

O Brasil nunca teve muita tradição na categoria mais pesada, mas dessa vez o time é forte e David Moura vem atropelando desde que chegou à seleção adulta. Em 2017, disputou 8 competições atingindo 6 pódios, sendo 4 finais e 2 títulos, uma prata no mundial de Budapest e o título no Grand Slam de Ekaterinburg (Rússia) são os destaques. David tem grandes chances de conseguir medalhas e se não sofrer nenhuma lesão deve chegar no auge do seu judô em 2020 para encarar o seu principal adversário, o francês Teddy Riner detentor de 10 títulos mundiais da categoria. É uma das esperanças de muitas medalhas em 2018 e também em 2020.

  1. Maria Portela – 2.ª no Ranking Mundial da categoria 70 kg

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Maria Portela é da escola gaúcha, logo, de muita raça e dedicação no tatami. Ela não teve os seus melhores resultados em 2017, mas fechou o ano com chave de ouro vencendo o Masters.

É uma judoka que não desiste nunca das lutas e vem ganhando espaço no cenário mundial, como mostra a sua segunda posição no ranking mundial. Precisa se manter em alto nível e melhorar o seu jogo contra as japonesas, seu calcanhar de aquiles.

Vale assistir as lutas dela, pela entrega e força que demonstra. Se mantiver o nível, tem tudo para não só manter, mas até mesmo assumir a liderança do ranking mundial. É barbada para pelo menos 2 medalhas em 2018.

  1. Rafael Silva “Baby” – 4.º no Ranking Mundial da categoria +100 kg

World Judo Championships

“Baby” como é conhecido o gigante Rafael Silva da categoria +100 kg já foi titular da seleção brasileira. Não venceu nenhum torneio em 2017, mas foi uma baita sombra para o companheiro de equipe e líder do ranking mundial David Moura, inclusive ambos estavam no pódio do campeonato mundial de Budapest, com Baby em 3.º e David com o vice-campeonato. Na ocasião Baby caiu para o campeão Teddy Riner nas quartas de final, se passasse tinha grandes chances de fazer uma final brasileira.

Baby também é garantia de medalhas em 2018 e vai brigar para conquistar a titularidade da seleção, podem ter certeza de que a briga será ótima.

  1. Rafaela Silva – 4.ª no Ranking Mundial da categoria 57 kg

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É a raça em pessoa e ficou marcada com a conquista do ouro olímpico no Rio em 2016. É cria do Instituto Reação do mestre Flavio Canto.

Rafaela também não teve uma temporada brilhante, mas conseguiu ser consistente a ponto de conquistar 4 pódios, sendo 3 pratas e 2 deles em etapas de Grand Slam.

Ela não tem medo de cara feia, tem um estilo agressivo e até mesmo um pouco desengonçado, mas muito efetivo.

Como ganhou muita fama e mídia nos últimos anos, vamos ver como vai reagir às adversárias que cada vez mais marcam o seu “jogo”. É mais um grande potencial de medalhas em 2018.

  1. Mayra Aguiar – 4.ª no Ranking Mundial da categoria 78 kg

mayra aguiar

Mayra virou queridinha do país na modalidade. É outra gaúcha de muita raça no tatami.

Ficou conhecida no mundo após a sua segunda medalha olímpica no Rio (a primeira mulher brasileira a conquistar duas medalhas olímpicas em esportes individuais) e o seu segundo título mundial em Budapest em 2017.

É talvez a atleta mais técnica e talentosa do time Brasil, mas disputa a categoria mais “casca grossa” do judô feminino, em que atletas de Cuba, China, Japão e França se destacam.

O seu talento é tão grande que no mundial de 2017 ela bateu 2 japonesas que estão entre as 10 melhores do mundo na semifinal (Riuka Sato – 10.ª no Ranking) e na final (Mami Umeki – 6.ª no Ranking).

Mayra ainda é jovem (26 anos apenas) e pode dominar o circuito em 2018, vai dar muitas alegrias neste ciclo olímpico e vai atrás da sua 3ª medalha olímpica em Tokyo, dessa vez a tão sonhada medalha de ouro.

  1. Maria Suelen Altheman – 5.ª no Ranking Mundial da categoria +78 kg

maria suelen

Maria Suelen é mais um grande talento feminino no judô brasileiro. E tem tradição na família: é casada com o também multicampeão Carlos Honorato (Prata em Sydney 2000). Além disso, tem no seu currículo dois vice-campeonatos mundiais.

Na última temporada conseguiu 6 pódios no circuito com destaque para os Bronzes nos Grand Slam de Abu Dhabi e de Tokyo. O maior problema de Maria Suelen nesse ciclo é a força e o equilíbrio das atletas da categoria, para se ter uma ideia do equilíbrio, as 10 primeiras colocadas são de nacionalidades diferentes e a distância em pontos entre a sexta e a décima colocada no Ranking é somente de 400 pontos.

A esperança é a de que ela tenha uma temporada forte e sem lesões, pois, devido ao equilíbrio, qualquer uma das top 10 tem chances de ganhar medalhas sempre.

  1. Stefannie Arissa Koyama – 8.ª no Ranking Mundial da categoria 48 kg

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Stefannie é da nova geração do forte judô nacional. E é um talento lapidado diretamente na melhor escola de judô do mundo: as universidades japonesas! É simples, Stefannie mora, estuda e treina no Japão desde pequena e quando teve a oportunidade de assistir ao Grand Slam de Tokyo em 2016 entrou em contato com a comissão técnica da seleção brasileira que a orientou a disputar as seletivas para a seleção adulta.

(Atualmente Stefannie está concluindo a Universidade em Tokyo, mas pretende se mudar para São Paulo definitivamente após a graduação)

Resultado: ganhou a seletiva em 2016 e no seu primeiro ano de seleção adulta já assumiu o protagonismo da categoria no Brasil: venceu o Grand Slam de Baku e o Grand Prix de Tbilisi no começo do ano e ainda terminou o Master em 5º lugar.

É ainda uma incógnita pelo histórico, mas tem na sua formação o melhor judô do mundo, logo, pode surpreender. Além disso já mostrou a que veio, pois, está na frente da campeã olímpica Paula Pareto (Argentina) no Ranking Mundial por exemplo. Tenho certeza de que vai surpreender as “medalhonas” do circuito e pode brigar de igual para igual com as japonesas. Ficaremos de olho!

  1. Charles Chibana – 10.º no Ranking Mundial da categoria 66 kg

Chibana

Chibana tem muito talento, é da tradicional escola do Sensei Yamamoto na Vila Carrão, Bairro da Zona Leste da cidade de São Paulo (este colunista teve o prazer de conhecer muitos sobrinhos e alunos do Sensei Yamamoto e pode garantir: os atletas de base ganhavam tudo!) onde conquistou inúmeras vezes os campeonatos Paulista e Brasileiro até ser contratado para o forte time do Clube Pinheiros.

Chibana faz parte da seleção principal adulta desde 2007, mas começou a se destacar de verdade em 2013, quando ganhou a titularidade vencendo duas etapas do Grand Slam (Tokyo e Moscou) e parou nos fortíssimos japoneses no mundial do Rio: perdeu para aquele que se tornaria campeão mundial e futuramente bronze olímpico (em 2016) Masashi Ebinuma na semifinal faltando 19 segundos para o final da luta e na repescagem para Massaki Fukuoka.

É um dos atletas mais talentosos da atual geração, mas, tem muita concorrência boa pela frente como o líder do ranking Hifumi Abe (Japão) e o sexto colocado Baul An (Coreano que foi Prata na Rio 2016 e campeão mundial em 2015).

Tem chances de brilhar, mas precisa melhorar o seu jogo contra os asiáticos.

  1. Eduardo Yudi Santos – 10.º no Ranking Mundial da categoria 81 kg

eduardo_yudi

Outro atleta que veio de terras nipônicas para representar o Brasil. Yudi nasceu no Japão, onde aprendeu o “Caminho Suave”. Portanto, é muito técnico no tatami.

É jovem e já venceu um torneio internacional pela seleção brasileira, o aberto de Roma e integra a seleção desde 2014 quando ainda era da categoria Júnior.

Não teve um grande ano como titular da seleção em 2017, mas atualmente é o nosso melhor atleta na categoria. Não é fácil ser o sucessor de um dos melhores atletas do Judô nacional de todos os tempos: Tiago Camilo.

Essa categoria inclusive é uma incógnita de tão disputada. Basta ver que o melhor atleta japonês ocupa a modesta 29ª colocação no Ranking e estamos falando de um cara bronze no Rio e campeão mundial em 2015.

Ninguém do time Brasil nesta categoria terá vida fácil até a olimpíada em Tokyo, porém, Yudi tem talento de sobra e pode surpreender, como os seus antecessores no ciclo olímpico (Tiago Camilo e Leandro Guilheiro) tinham e tiveram êxito. Vamos ficar de olho!

Outros destaques:

  • Leandro Guilheiro – 215.º do mundo e 5.º melhor brasileiro na categoria 81 kg.

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O atleta vencedor de 2 medalhas olímpicas na categoria 73 kg e que chegou a ser considerado um fenômeno após vencer o mundial júnior em 2002 não tem tido bons resultados nos últimos anos e também tem sofrido com lesões desde que subiu de categoria. Apesar dos problemas, Leandro continua sendo uma das referências nacionais e mesmo em posição ruim no Ranking, ainda pode dar trabalho pela experiência e principalmente a sua técnica refinada, quase japonesa tamanha a eficiência.

  • Felipe Kitadai – 25.º do mundo e 3.º melhor brasileiro na categoria 60 kg.

Kitadai

O Kitadai é o atleta mais “tarimbado” da seleção nesta categoria já tendo participado de 2 olimpíadas, 2 mundiais, além de pan-americanos e jogos militares. É um atleta muito técnico e que se supera nas adversidades das lutas. Chegou até a perder um dente em Londres tamanha a raça desse atleta, pode surpreender e vencer algumas etapas do circuito.

  • Sarah Menezes – 32.ª do mundo e 3.ª melhor brasileira da categoria 48 kg e 21.ª do mundo e 3.ª melhor brasileira na categoria 52 kg.

Sarah Menezes

“Sarinha” já teve anos brilhantes, mas desde que mudou de categoria não repetiu as performances de campeã olímpica da categoria 48 kg. Está se adaptando e atualmente está muito atrás da sua companheira de seleção e líder do ranking dos 52 kg, Erika Miranda. Vamos ver se ela conseguirá dar a volta por cima.

  • Victor Penalber – 12.º do mundo e 2.º melhor brasileiro na categoria 81 kg.

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Victor é um daqueles garotos fenômenos que surgem quando não se esperam nada e aí dominam o esporte. Surgiu para o Judô no Instituto Reação do sensei Flavio Canto. Nesta categoria que conta com grandes nomes brasileiros do esporte como o próprio companheiro de seleção Leandro Guilheiro (Bronze em Atenas 2004 e Pequim 2008), mas também Carlos Honorato (Prata em Sidney 2000), Flavio Canto (Bronze em Atenas 2004) e Tiago Camilo (Prata em Sidney 2000 e Bronze em Pequim 2008), Victor já foi considerado um herdeiro a altura. Precisa ser protagonista nesta temporada para ganhar mais espaço e brigar pela titularidade, hoje disputa ippon por ippon a titularidade desta categoria com o atleta Eduardo Yudi Santos.

  • Ketleyn Quadros – 19ª do mundo e melhor brasileira na categoria 63 kg.

ketleyn

Ketleyn não lidera o ranking e nem é badalada como as suas companheiras de equipe Erika Miranda, Rafaela Silva e Sarah Menezes, mas é muito talentosa e experiente. A sua categoria é uma das mais disputadas contando entre as 20 primeiras colocadas 2 japonesas, 2 francesas e 2 britânicas, mostrando que a categoria é carne de pescoço. Mas, ela mostrou em 2017 que ainda tem gás para encarar essas pedreiras vencendo a etapa de Cancún do Grand Prix e ainda conseguiu um bronze no Grand Slam de Abu Dhabi.

É isso! o Time Brasil vem forte e concentrado para fazer bonito em 2018 para chegar ainda melhor em Tokyo. O Major Sports Blog acompanhará esse “caminho suave” e seguindo o Bushidô vai trabalhar forte e com honra para trazer sempre as melhores informações do Judô para você, nosso querido leitor. Continue nos acompanhando!

Ricardo “Shigue” Nozuma é Shôdan ( primeiro Dan de Faixa Preta) diplomado pelo Sensei Douglas Vieira, aprendeu com os Senseis Manabu Kurachi, Antonio Carlos Lanzelotti e Francisco Carlos Fossati, conheceu a Kodokan (local onde foi criado o esporte) in loco e escreve exclusivamente para o Major Sports Blog.

#Sports4Life

Categorias:esporte, Judô, sports

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