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Caindo no Tatami – Análise do Grand Slam de Paris 2018 de Judô

Olá amigos do Major Sports Blog! Enquanto você pulava o carnaval, 399 atletas de 71 países digladiavam nos 4 tatamis da Accor Hotels Arena em Paris no primeiro Grand Slam do ano.

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Foram 2 dias muito intensos de combates tensos e muitos talentos revelados neste que não contou com muitos dos principais atletas da atualidade, mas serviu de termômetro para avaliar como vem cada pais na briga pelas vagas olímpicas, cuja disputa se inicia no Grand Prix da China em Maio, quando os pontos começam a ser contabilizados.

Do total das 14 categorias disputadas na terra do croissant (hehe) 8 países diferentes levaram os títulos. Tente adivinhar qual o pais mais vencedor? Os samurais japoneses, obvio! E o Brasil? Bom… vamos deixar isso pra daqui a pouco, pois, farei uma análise dos campeões e da participação brasileira…

Vamos lá? Hajimê!

#1 – Japão

O que dizer da seleção japonesa que mesmo mandando um “time B” no masculino, venceu 4 categorias? E como comentar a atuação de uma seleção que colocou 21 atletas no Tatami e 17 deles disputaram medalhas: conquistando 5 ouros, 4 pratas, 3 bronzes e 5 quintos lugares? (lembrando que no Judô, quem fica em quinto é porque perdeu a disputa de bronze)

Isso mostra o apetite do time japonês em vencer tudo em Tokyo em 2020. Por exemplo, o time masculino não enviou nenhum líder do ranking, nenhum campeão mundial ou olímpico. Como destaque, o jovem Kokoro Kageura (22 anos) na categoria +100 kg que levou o ouro com um belíssimo kouchigari no Golden Score. Um golpe pouco usual para os lutadores mais pesados do circuito, mas um alento ao pais do Judô na categoria mais querida dos japoneses em que não conseguem emplacar um judoka competitivo desde a excelente geração de Kosei Inoue, Keiji Suzuki e Yasuyuki Muneta que brigavam por 2 vagas nas categorias 100 kg e +100 kg.

Já o time feminino teve a grata surpresa de consolidar no topo do mundo a jovem Uta Abe, de apenas 17 anos, que desde que subiu ao time sênior vem conquistando o seu espaço (6 torneios disputados com 5 pódios, sendo 4 ouros) e hoje já ocupa a 7.a posição no ranking mundial.

 

#2 – Coréia do Sul

A Coréia surpreendeu com 9 dos seus 21 atletas também disputando medalhas e somente um sem medalha, com um 5.o lugar. Comparando os números com o país anfitrião que colocou 55 atletas na competição, o resultado foi fantástico. O destaque vai para o 4.o colocado no ranking da categoria 66 kg, An Baul, que aproveitou que o ex-líder da categoria, Hifumi Abe, não estava presente e beliscou o ouro. É verdade que sofreu um pouco com outro garoto japonês na final, mas o importante foi garantir o título.

 

#3 – França

Foram somente 12 dos 55 atletas disputando medalhas, apenas 9 conquistadas… somente 2 ouros… O resultado foi decepcionante na minha opinião, principalmente por estar em casa e diante da sua torcida. O mito Riner não disputou o torneio, enfraquecendo o time masculino que não tem realizado um grande trabalho nos últimos anos e vem perdendo espaço na modalidade. Ainda assim, levou 3 bronzes.

Já no feminino, todas as favoritas, que estão no topo do ranking conquistaram medalhas, inclusive os 2 ouros… ah se não fossem elas rsrs

E que vitória expressiva da Clarisse Agbegnenou! Depois de um lindo Osoto-Makikomi que valeu um Waza-ari, ela concluiu com um ippon com um Harai-Goshi sobre a atleta japonesa Miku Tashiro

 

#4 – Holanda

Esse é outro time de ponta da Europa, mas que ficou dentro das expectativas: Foi com somente 11 atletas (4 homens e 7 mulheres) e saiu com 4 medalhas. Dessas, 3 foram conquistadas pelos 3 líderes dos rankings das suas respectivas categorias. Ok que o Ouro veio em um W.O. por desistência do atleta Coreano, mas o que vale é a medalha, certo?

 

#5 – Grã-Bretanha

Outro desempenho espetacular pra um time que levou apenas 8 atletas. Destaque para o ouro de Conway Sally que com o título subiu 13 posições no ranking, ocupando agora a 13.a posição.

 

#6 – Ucrânia

A Ucrânia foi bem, mandou 9 atletas, somente um entre os 10 primeiros do ranking e terminou com 2 medalhas! O destaque é um baita destaque, a jovem Daria Bilodid de apenas 17 anos e atual 7.a no ranking (era 9.a no inicio do Grand Slam) venceu o seu segundo torneio do ano, pois, levou o GP de Tunis também, mostrou ser forte e versátil, como demonstrou na final, em que venceu a atleta coreana com um Sankaku-Gatame perfeito!

 

#7 – Kosovo

Pois é… Até Kosovo ganhou medalhas em Paris e o Brasil não… Nem vou comentar… eles mandaram 3 atletas e ganharam 2 medalhas…

 

#8 – Canadá

O Canadá é um time que ainda engatinha no Judô mundial, alguns brasileiros se mudaram para lá para treinar e fazer um intercâmbio com os canadenses e parece que está dando resultado. Conseguiram um ouro com a Nipo-Canadense Christa Deguchi que bateu uma atleta japonesa na final com dois Waza-aris (Sumi-Otoshi e Osoto-Gari).

 

 

 

E o Brasil…

Bom, na minha opinião, o ano começou bem no Gran Prix de Tunis, onde conseguimos 4 medalhas com um time quase que totalmente reserva. Mas, não era parâmetro, pois, com a excessão de alguns atletas de elite, ninguém mandou seu time titular para a Tunísia.

Agora em Paris… a coisa foi um pouco diferente, mandamos um time misto, mas alguns do principais em cada categoria e outros experientes, como Phelipe Pelim, Charles Chibana, Sarah Menezes e Ketleyn Quadros e nenhum deles conseguiu um resultado satisfatório. Pra se ter idéia da frustração, o Brasil ficou atrás de Israel, Kosovo e República Tcheca, países de NENHUMA tradição no esporte.

Enfim, não vou me alongar com as críticas, pois, espero uma evolução no próximo final de semana no Grand Slam de Dusseldorf.

É isso ai galera, vamos torcer, pois, este ciclo olímpico parece ser o mais difícil dos últimos anos e não teremos a garantia de atletas em todas as categorias como foi na Rio 2016 já que não somos os anfitriões.

Quais as chances do Brasil em Tokyo? Curta, compartilhe e deixe a sua opinião!

Ricardo “Shigue” Nozuma é ex-atleta de Judô (Shôdan) e colabora sempre com muito prazer para o Major Sports Blog.

#Sports4Life

 

 

Categorias:esporte, Judô, sports

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