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#F1 – PAGA-SE PARA CORRER: Quando o dinheiro fala mais alto.

pay drivers

Salve amigos do blog Major Sports, hoje vamos tratar de um assunto polêmico no mundo do automobilismo, mas, necessário na realidade atual das categorias: Os “Pay Drivers”, ou seja, os pilotos que chegam com a bagagem financeira cheia e pagam para correr no automobilismo.

Os “pay drivers” tem sido corriqueiros em todos os monopostos, e não seria diferente na categoria mais importante do automobilismo, devido as altas exigências financeiras. Com a chegada da Liberty Media, nova gestora da FÓRMULA 1, isso pode ser amenizado (não de imediato, diga-se), mas enquanto isso veremos esses pilotos que são conhecidos por pagar para correr (ou ganhar uma vaga na categoria), seja para pegar experiência ou apenas ter o seu momento como piloto de F1.

Isso começou quando a equipe Frank Williams Racing Cars usava do seu espaço na categoria para vender sua vaga para os pilotos competirem na F1, graças a brechas no regulamento à época em que era permitido. Ao todo, foram 10 pilotos que disputaram as provas somando as temporadas de 1975 e 1976.

anos70

Porém, isso ficou muito mais evidente do fim dos anos 80 para cá, aonde começaram a surgir pilotos patrocinados até por montadoras, como o folclórico Satoru Nakajima, piloto da Honda e companheiro de Ayrton Senna naquela época, aonde era claríssima a diferença de competitividade entre Senna e o carismático piloto japonês.

A Fórmula 1, por ser uma categoria de ponta, sempre se valeu por sera referência dentro do automobilismo e esse pioneirismo certamente sempre teve um custo, assim, conforme a categoria se tornava mais tecnológica, o custo por temporada também aumentava progressivamente, o que trouxe a necessidade de cada vez mais as equipes terem patrocínios para manterem-se competitivas, o que causou um “boom” de pilotos patrocinados dos meados dos anos 90 em diante.

Vindo para a atualidade, um dos casos recentes disso é Jolyon Palmer. Piloto de resultados ruins para piores em 99% das provas, Palmer não agradava nem dentro e fora das pistas. A paciência com ele acabou se esgotando (nem com um surpreendente sexto lugar em Singapura em 2017), mas como ele trazia dinheiro para a Renault, continuava na equipe francesa. A Renault, durante a silly season, acertou com Carlos Sainz Jr após novela de acerto de novas parcerias entre as equipes (lê-se Toro Rosso-Honda e McLaren-Renault). O espanhol nem precisou virar o ano para começar na nova equipe.

palmerJoylon Palmer, filho de Jonathan Palmer, piloto de #F! da década de 80

Outro caso de piloto que está há bastante tempo na categoria e que não traz resultados nas corridas é o sueco Marcus Ericsson. Está na F1 desde 2014, quando corria pela Caterham e defende a Sauber desde 2015. Seu melhor resultado até hoje é um oitavo lugar na Austrália, na sua estreia pelo time suíço. E só nessa temporada que o sueco marcou pontos (9º na Itália e 10º em outras três provas: China, Hungria e Bélgica). Depois disso, não conseguiu entregar mais nada de relevante, mas como tem boa relação com os donos da equipe e patrocínios fortes, acaba ficando por ter o que essas equipes necessitam: dinheiro. Felipe Nasr, companheiro dele em 2015 e 2016, conseguiu resultados mais expressivos (mesmo conseguido andar atrás de Ericsson em boa parte da temporada 2016) e sua maior corrida foi no Brasil, naquele excelente GP debaixo de muita chuva (Interlagos sem chuva não é Interlagos), onde arrancou os únicos dois pontos da Sauber na temporada inteira e uma grana extra por consequência da classificação dos construtores, mas como não tinha patrocínios tão fortes quanto Marcus, foi preterido.

ericssonMarcus Ericsson

Lance Stroll, piloto muito jovem, chegou em 2017 para ser o futuro da equipe Williams, graças os altos investimentos de seu pai. Stroll fez uma pré-temporada irreconhecível e um começo de ano muito ruim. Se recuperou aos poucos, chegando até a garantir um pódio em Baku (foi 3º), e andar a frente de Felipe Massa em algumas oportunidades, mas acabou atrás do brasileiro na classificação. Como a Williams precisa do dinheiro para continuar na categoria (mesmo perdendo cada vez mais terreno e com risco de andar nas filas intermediárias para trás em 2018), ele seguirá, mesmo com os prognósticos contrários. Vale uma pequena ressalva: era apenas a temporada de estreia do canadense. Se os erros persistirem, ele será olhado de outra forma.

stroll1

HÁ EXCESSÕES: Quando o talento vem junto com o dinheiro.

Mas nem todo piloto que paga para correr é sinônimo de ruindade. Exemplos de sucesso mostram que não é bem assim. O primeiro a ser lembrado é o heptacampeão Michael Schumacher. Sua estreia na categoria foi bancada pela Mercedes, em 1991 (pouco mais de U$ 2 milhões na ocasião) desbancando nomes mais conhecidos como o campeão Keke Rosberg para o lugar de Bertrand Gachot (preso por bater em um taxista) no GP da Bélgica pela equipe Jordan. Mesmo conhecendo o circuito apenas andando de bicicleta, surpreendeu marcando o 7º tempo (melhor colocação da Jordan nos treinos classificatórios em todo o ano). Schumi acabou abandonando a prova, mas ali era claro que o alemão tinha um algo a mais de especial. E o resto é história.

schummiO lendário Michael Schumacher

Falando em história, outro que deve ser citado é Niki Lauda. Outro grande nome da categoria, chegou até a pedir dinheiro emprestado aos bancos dando como garantia o seu seguro de vida (retratado no filme “Rush”). Lauda buscava por pegar experiência, por já correr em categorias inferiores na Europa, comprando a vaga na equipe Marsh (comprou por 30 mil euros – isso hoje em dia é quase nada para as equipes). Por seu talento, seria chamado para a equipe principal na Fórmula 1, em 1972. E dali pra frente gravou o seu nome no automobilismo.

laudaNiki Lauda em início de carreira.

Mas também tem casos que as equipes não sobrevivem sem os pay drivers. Pedro Paulo Diniz, quando corria pela equipe Forti em 1995, acabou acertando sua ida para a Ligier na temporada seguinte. Sem o dinheiro dos patrocínios do piloto brasileiro, a Forti acabou fechando as portas no GP da Alemanha de 1996.

diniz

Há outros exemplos variados como Fernando Alonso, Rio Haryanto, Esteban Gutiérrez, Sergio Pérez, entre outros pilotos que foram ou que ganharam uma vaga assim. Se os pay drivers irão acabar? Provavelmente não, mas talvez haja uma redução ou então um critério mais rígido baseado também no talento do piloto, afinal sem dinheiro é impossível se sustentar na F1, tanto é que a categoria vem tentando diminuir os custos para que as equipes possam se manter, de qualquer forma, entendo ques se o piloto demonstrar que tem talento e é capaz de trazer resultados, tudo vem naturalmente.

Há ainda a questão: Os “pay drivers” são prejudiciais à categora? Na minha visão (não sou 100% entendido, falo como fã da categoria) acredito que o pay driver pode ser benéfico desde que tenha talento e mostre que seja digno de estar entre os melhores pilotos do mundo. Atualmente, as construtoras possuem programas de jovens pilotos e buscam aqueles que tem um “algo a mais”, aqueles que se sobressaem. O que poderia sugerir, seria: para aquele que comprou sua vaga na F1, tem que mostrar evolução da segunda temporada em diante e não ter apenas o dinheiro como único padrinho para se manter. Aqueles que sobrevivem apenas pelo poder financeiro, sem mostrar talento por mais de uma temporada não merecem seguir na categoria, pois podem tirar o espaço daqueles que podem entregar um melhor produto (F1 mais competitiva, por exemplo) e resultado na pista para equipes e principalmente quem “consome” automobilismo. Se não vinga em uma? Parta para outra”. E quem agradece, além da equipe, é o fã da categoria.

Vitor Silva.

 

Vitor @chaveatle Silva é amante dos esportes e acompanha também a F1 e assumiu o desafio de escrever um pouco sobre esse assunto polêmico, especialmente para o blog Major Sports

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