baseball

Preview: Philladelphia Phillies

phillies-phanatic

A temporada que se inicia em 2018 será um divisor de águas para o Philadelphia Phillies.

Depois de um período bastante vitorioso na virada entre as décadas de 2000 e 2010 (incluino a vitória na World Series em 2008 e o vice em 2009), a equipe de Philadelphia se viu forçada a entrar em um profundo rebuild que levou a equipe à temporadas com campanha negativa nos últimos cinco anos. Só para exemplificar, nenhum outro time tem um recorde pior que os Phillies nas últimas cinco temporadas, com 346 vitórias contra 464 derrotas.

Para inovar um time clássico e cheio de história como os Philies, é preciso ser ousado. E foi com ousadia que Matt Klentak e Gabe Kapler começaram o trabalho juntos na franquia.

Em 2015, o jovem Matt Klentak foi contratado para ser General Manager da franquia, substituindo o tão contestado Ruben D’Amaro Jr. (GM que por tanto tempo se negou a entrar em um rebuild mais “suave”, e assinou jogadores veteranos medíocres à preço de ouro). A proposta era que este daria uma nova cara e inovaria o time.

Como na MLB o processo de renovação dos times geralmente é lento, os Phillies vieram engatinhando e sofrendo à cada temporada, até que no fim da última, Pete Mackanin deixou o cargo de Manager, assumido assim que Klentak assumiu o posto de GM, e deu lugar à Gabe Kapler, que tem a dificílima tarefa de renovar e tornar os Phillies um time (enfim) competitivo

O time fez um movimento inesperado ao assinar um contrato de 60 milhões por três anos com o primeira base Carlos Santana, que vinha sendo muito consistente nos Indians. O dominicano, que completará 32 anos de idade durante a temporada, chega com muita bagagem, experiência e um reforço sobretudo para o elenco jovem dos Phillies. Uma força que tanto o time quanto o manager precisam. A chegada de Jake Arrieta foi a cartada final da franquia que mostra que, finalmente, quer voltar a competir.

Chegadas e Saídas

Quem chegou

  • Carlos Santana (1B) – vindo dos Indians
  • Jake Arrieta (RHP) – Vindo dos Cubs
  • Tommy Hunter
  • Pat Neshek
  • Fernando Abad (RHP) – Vindo dos RedSox

Quem saiu

  • Fred Galvis
  • Clay Buchholz
  • Daniel Nava

ROTAÇÃO e LINE-UP

Rotação

1 – Jake Arrieta

2 – Aaron Nola

3 – Jerad Eickhoff

4 – Vincent Velasquez

5 – Ben Lively

6 – Nick Pivetta

arrieta

É obvio que a grande atração agora será ver a atuação de Jake Arrieta nos montinhos pelo Phillies. O arremessador era o principal nome da lista de free agents neste ano e, após uma longa “novela”, assinou com os Phillies por 3 anos e 75 milhões de dólares. A chegada de Arrieta sem dúvidas coloca o Phillies em outro patamar; de uma jovem equipe com potencial para o futuro, para um elenco já qualificado para tentar beliscar uma vaga de wild-card neste ano.

Porém, vale ficar de olho para sabermos “qual Arrieta chegará ao Phillies”. Claro que dificilmente ele retornará no nível absurdo no ano em que foi Cy Young, em 2015, mas espera-se que ao menos demonstre mais consistência na temporada passada, quando em alguns momentos da temporada teve sérios problemas com o controle dos seus arremessos, cedendo um nível excessivo de walks. Apesar disso, Arrieta tem sido um dos arremessadores mais consistentes e seguros em relações a lesões nos últimos anos, e foi uma contratação excelente para a equipe.

usa_today_10094985.0

Embora a liga não dê muita atenção, Aaron Nola surge como o principal pitcher dos Phillies, ainda mais depois de ter sido escolhido como titular no primeiro jogo da temporada. Com o jogador começando em campo, o time não perdeu ainda no Spring Training. Embora seja apenas uma pré-temporada, é nítida a diferença dos Phillies com o time principal para quando o mesmo é mesclado. Agora com Arrieta na rotação, poderá desenvolver seu jogo sem a pressão de ser o ace da equipe. Nola tem uma carreira que mistura ótimos momentos em que joga no mesmo nível dos principais arremessadores da MLB, com outros momentos desastrosos, em jogos seguidos cedendo um “caminhão” de corridas aos adversários. Atingindo a consistência esperada, Nola é um arremessador para uma temporada de ERA 3.00 ou até menos, já que talento ele tem de sobra.

Já os outros nomes são uma mistura de jovens arremessadores que tem um certo talento, mas apresenta problemas sérios de consistência. Pode ser que Pivetta, Velasquez ou Eickhoff tenham ótimas temporadas este ano, mas o melhor é manter a expectativa baixa com eles. De qualquer forma, são jogadores “decentes” para manter o nível no fundo da rotação, atrás de Arrieta e Nola.

Bullpen

Closer – Hector Neris

Setup – Pat Neshek

Relief – Luís Garcia

Relief – Tommy Hunter

Relief – Mark Leiter Jr.

Relief – Edubray Ramos

Relief – Adam Morgan

O bullpen do Phillies pode ser qualificado como mediano. A equipe teve sérios problemas para encontrar seu closer no ano passado, tendo variado bastante o jogador que ocupa esta posiçao ao longo do ano.

Neste ano mais uma vez a chance inicial será para Hector Neris. O arremessador foi quem mais ganhou a oportunidade de fechar os jogos dos Phillies no ano passado, mas sofreu com uma consistência que fez com que Gabe Kapler testasse outros jogadores neste papel ao longo da temporada. Pat Neshek é um reliever que jogou bem ano passado, e tem condições de “segurar as pontas” no papel de holder da equipe.

Além destes dois nomes, todos os outros são jogadores de pouco destaque, que seriam uma surpresa se jogassem acima da média. Isso faz com que, apesar de não ser um bullpen propriamente ruim, os Phillies deverão precisar de pelo menos um novo reliever caso se veja em posição de brigar por pós-temporada no mês de julho.

Lineup

1 – Cesar Hernandez (2B)

2 – Odubel Herrera (OF)

3 – Carlos Santana (1B)

4 – Rhys Hoskins (OF)

5 – Maikel Franco (3B)

6 – Nick Williams (OF)

7 – J.P. Crawford (SS)

8 – Jorge Alfaro (C)

Rhys-Hoskins-1040x572

Rhys Hoskins

Carlos Santana foi o “Arrieta” do lineup dos Phillies, a grande contratação visando a melhoria ofensiva da equipe. Santana, mesmo não sendo um rebatedor de elite, vem de anos muito consistentes em Cleveland e é uma certeza para a melhoria do lineup dos Phillies, que passou por problemas com a má fase de jogadores que despertavam esperanças, como Maikel Franco e Odubel Herrera.

A chegada de Santana libera Hoskins para jogar no outfield neste ano. Santana e Hoskins formam uma dupla 3-4 muito boa. Apesar de muito se especular sobre uma possível regressão de Hoskins após chegar as majors com muito impacto no ano passado, o desempenho do jogador nas ligas menores aponta que o otimismo sobre ele é justificado. Hoskins é um jogador com boa disciplina no bastão e visão de zona de strike, e está longe de ser um jogador “home run ou strikeout”, com uma boa média de walks por strikeout.

Novatos

Kapler conta com um corpo de novatos talentosos que vem evoluindo das ligas menores, sendo que alguns deles já estão fixos no elenco principal do time.

Entre eles, Rhys Hoskins, de apenas 24 anos, que surgiu literalmente do nada e teve um mês literalmente arrebatador na temporada passada! Com 18 Home runs em 50 jogos, rapidamente o jogador atraiu atenção de toda a liga e já vem fazendo suas brincadeiras no Spring Training do time, dando boas expectativas para o fanático torcedor da Philadelphia. Como Hoskins entrou para o elenco principal do time no meio da temporada passada, vai ser interessante ver como o mesmo se comporta em uma temporada completa.

J.P. Crawford, outro novato de apenas 23 anos, também vem impressionando, mais do lado defensivo do jogo. Escolhido na primeira rodada do Draft de 2013, Crawford já é parte integral do elenco do Phillies e possui muita consistência em seu jogo defensivo. A princípio como shortstop, o jogador chegou a atuar tanto na segunda quanto na terceira base, contribuindo tão bem quanto em qualquer posição.

Quanto aos mais jovens que ainda jogam nas Minors, destaque para o pitcher dominicano Sixto Sanchez (19 anos, 3.03 ERA, 84/55 K/BB em 95 entradas e apenas 73 hits) e Scott Kingery (23 anos, escolha de segunda rodada em 2015, 26 Home runs, 29 steals, 41 walks, 109 strikeouts em 543 aparições nas ligas menores).

Enquanto Sanchez é previsto apenas para 2020, Kingery pode estrear ainda em 2018 na MLB. Vamos ficar de olho.

DÚVIDAS

As dúvidas no elenco vão para o futuro de Cesar Hernandez, já que muito se especula sobre sua troca para dar espaço a Scott Kingery, prospecto de segunda-base de muito futuro nos Phillies. Hernandez vem de temporadas muito boas, e poderia garantir uma boa troca para a franquia. Outro prospecto que os torcedores de Philadelphia tem esperanças é J.P. Crawford, veículado como principal jovem talento da equipe nos últimos anos e que, finalmente (com temporadas bastante questionaveis nas ligas menores) assumirá a titularidade da equipe este ano.

Previsões da temporada

MVP: Rhys Hoskins – apesar da chegada de Santana e de Arrieta, Hoskins é o jogador que inspira mais confiança para ser a principal peça da equipe em busca de vitórias. Como mencionado anteriormente, não há qualquer indício no estilo do jogador e no seu histórico nas ligas menors que apontem uma regressão, e Hoskins deverá continuar sendo uma grande ameaça no bastão.

PMINORS21

Scott Kingery of the Reading Phillies against the Akron Rubberducks on April 19, 2017. CHARLES FOX / Staff Photographer

Pronto para o estrelato: Scott Kingery – pode parecer uma surpresa, mas Kingery vem de temporadas muito melhores nas ligas menores do que seu companheiro de infield, o tão badalado J.P. Crawford. Kingery é um ótimo rebatedor de contato e velocidade entre bases, e que no ano passado ainda superou em muito sua médias de home run. Olho no segunda base.

Reforço que pode fazer a diferença: Obvio, Jake Arrieta. O arremessador era o principal nome neste free agency, chega para ser o ace da equipe, e é a principal esperança de melhora no elenco dos Phillies

Saída que fará falta: Howie Kendrick. Fará falta, mas não muita. Dentre os jogadores que saíram da equipe é o que tinha o maior WAR. Fará falta pela experiência em meio a um elenco tão jovem, e a versatilidade de poder jogar tanto no infield e outfield. Porém, os Phillies tem opções melhores que o veterano Kendrick em ambos os setores.

Top prospect: Sixto Sanchez – o arremessador é considerado um dos principais prospectos abridores em toda a liga. O jovem pitcher tem apenas 19 anos, e tem uma bola rápida de 100 mph e um change-up e bola de curva com bastante veneno. Começou bem nas ligas menores da equipe, e merece todas as atenções.

O que esperar da temporada

A equipe de Philadelphia está, depois de tanto tempo, dando esperanças aos seus torcedores. U mix de jogadores jovens subindo, com a contratação de dois dos melhores free agents que estavam no mercado, mudam o patamar da equipe. Nomes como Hoskins, Nola, Hernandez, além de Santana e Arrieta, claro, colocam os Phillies pelo menos com a pretensão de sonhar com uma vaga na pós-temporada.

Porém, é preciso olhar a realidade e ver que o caminho não será fácil. O Washington Nationals ainda é, de longe, a principal equipe da divisão NL East, enquanto o New York Mets tem um time com potencial e até mesmo o Atlanta Braves deve estar melhor que na temporada passada. E olhando para outras divisões da Liga Nacional vemos times mais maduros e prontos para a vaga de wildcard que os Phillies, como o St. Louis Cardinals, Arizona Diamondbacks ou Colorado Rockies.

E por fim, o que deve definir se a equipe dos Phillies irá brigar por playoffs ou não, é a consistência de jogadores que já demonstraram o potencial para ser ao menos rebatedores decentes, mas que decaíram nos últimos anos, casos especiais de Herrera e Franco. Ambos são jogadores da parta alta do lineup, e precisam de números consistentes de batting average e on-base percentage (e não apenas home runs), para ajudar o ataque dos Phillies a ser um “bom ataque como um todo” e não apenas o lineup de Carlos Santana e J.P. Crawford. Caso eles mantenham a má fase, há jogadores interessantes no banco da equipe, como Aaron Altherr e Tommy Joseph, com potencial para uma boa contribuição ao longo da temporada.

Ou seja, o mais provável realmente é que o Phillies acabe com uma campanha mediana, próxima a 81 vitórias e 81 derrotas, e o sonho de pós-temporada fique para os próximos anos. Porém, com uma equipe tão jovem e talentosa, o upside está sempre presente para uma temporada melhor.

Com todo trabalho feito nos bastidores dos Phillies, talvez finalmente consigamos ver uma evolução, ainda que gradativa, do que a franquia pode se tornar em 1 ou 2 anos. Para isso, o time precisa de uma temporada consistente.

Se Kapler conseguirá renovar o time e fazê-lo competitivo novamente, só o time irá dizer. O que nos resta é aguardar e, como diz o próprio lema do co-irmão de basquete da Philadelphia: Confiar no processo.

A série de “Previews” da MLB é um oferecimento do blog Major Sports. Nesta matéria tivemos a colaboração de Renan Klopper (@renanklopper/@phillyinbrazil) e Anderson Proença (@andersondap).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s