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A celebração de uma lenda – Jackie Robinson #42

jackie-robinson-day

Hoje é dia 15 de abril, um dia que para sempre estará marcado na história da Major League Baseball. Neste dia, no ano de 1947, Jackie Robinson se tornou o primeiro jogador negro a atuar profissionalmente na MLB, quebrando a barreira de cor que havia sido estabelecida desde o início da liga, no ano de 1876.

Durante as primeiras décadas do século XX, a segregação racial era muito forte nos Estados Unidos. Escolas separadas, lugares específicos nos ônibus, bebedouros específicos para brancos e negros, coisas que são absurdas de se pensar, porém que se tratavam de uma infeliz realidade na época.

racismo(bededouro para “brancos” e “negros”).

No baseball, a realidade não era diferente. A MLB era uma liga exclusiva para atletas brancos, com os atletas negros disputando ligas paralelas, as chamadas Negro Leagues. Em 1942, Bill Veeck tentou comprar o Philadelphia Phillies e colocar diversas estrelas da Negro League no time, porém, quando seu plano foi revelado a liga intercedeu e time foi vendido para outra pessoa.

O grande responsável pela mudança e pela consequente quebra da barreira de cor foi Branch Rickey, Gerente Geral e um dos donos de uma das franquias mais populares da MLB, o Brooklyn Dodgers. No dia 28 de agosto de 1945, Rickey assinou um contrato de ligas menores com Jackie Robinson, para que ele jogasse pelo Montreal Royals durante o ano de 1946, com o objetivo de torna-lo um jogador profissional no futuro. Mas porque Rickey decidiu fazer isso? Porque assinar com um jogador negro, sabendo de toda a polêmica que isso traria e de todos os possíveis problemas que isso poderia trazer para a franquia? E porque Jackie Robinson, dentre todos os excelentes jogadores da Negro League?

Branch RIckey era um homem visionário, um excelente homem de negócioa, mas também era um homem idealista. No início de sua carreira como técnico na faculdade de Ohio Wesleyan, Rickey passou por uma situação que nunca esqueceu e que serviu de base para a entrada de Jackie Robinson na liga quase 30 anos depois. Em umas das viagens do time de baseball, um dos atleas da equipe, Charles Thomas, teve sua estadia negada em um hotel pelo fato do mesmo ser negro. Rickey armou o maior barraco e por fim conseguiu que a entrada de Thomas fosse liberada, porém ele nunca se esqueceu do episódio, chegando a declarar anos depois “Eu talvez não consiga fazer algo contra o racismo em todos os lugares, porém eu posso fazer alguma coisa no baseball”. Somado a isso temos o fato que a Negro League tinha excelentes atletas, e o time que contratasse o primeiro negro para a MLB teria prioridade na contratação de futuras estrelas.

Porém a tarefa não era fácil. Não se trata simplesmente de pegar um atleta negro e joga-lo diretamente para a MLB. Era preciso escolher o homem certo, pois caso desse errado isso poderia significar anos de retrocesso no processo de quebra da barreira de cor. Rickey e Robinson se encontraram no dia da assinatura do contrato, em agosto de 1945, em uma reunião de três horas. Uma das preocupações de Rickey era como Robinson reagiria às provocações, tanto de adversário quanto dos torcedores, e Robinson argumentou “você está procurando um negro que tenha medo de brigar?” e Rickey respondeu “não, preciso de um negro com a coragem para não revidar.” Se Jackie algum dia respondesse as provocações, seja verbalmente ou fisicamente, a imprensa e a Liga certamente impediriam sua continuidade e posterior sucesso na liga, dado o tamanho do preconceito existente na época.

jackie(Jackie Robinson e Branch Rickey)

Depois de passar a temporada de 1946 nas ligas menores, sendo eleito o jogador mais valioso da liga e levando o Montreal Royals ao título, Jackie foi chamado ao elenco dos Dodgers no início da temporada de 1947, fazendo a sua estreia no dia 15 de abril de 1947, perante um público de 26.623 torcedores (mais de 14.000 negros) tornando oficialmente o 1º negro a atuar profissionalmente na MLB e quebrando a barreira de cor que havia sido imposta em 1880.

Mas a vida de Jackie na MLB não seria fácil. Sua estreia na MLB não significava que seu caminho seria tranquilo, muito pelo contrário. Além da já esperada forte oposição por parte dos torcedores (a favor e contra), Robinson foi o segundo jogador que mais foi acertado por arremessos (hit by pitch) no seu 1º ano de liga. Em um jogo contra o St. Louis Cardinals, teve que receber 7 pontos na perna após ser acertado em uma jogada rotineira na 1º base. O time de St. Louis tentou inclusive provocar uma greve na liga em caso de Robinson continuar jogando, porém o movimento foi impedido pelo comissário da liga, que informou que os jogadores grevistas seriam suspensos. Outro caso notório envolveu o então técnico do Philadelphia Phillies, Bem Chapman, que durante um jogo chamou Jackie de “crioulo” e disse que ele “deveria voltar para as fazendas de algodão”. Dada a repercussão negativa do caso, Chapman posteriormente pediu para tirar uma foto com Jackie, para “fazer as pazes.”

foto(A famosa foto de Jackie Robinson e Ben Chapman)

Jackie também teve que enfrentar companheiros de time que se recusavam a jogar com ele. Alguns deles, durante os treinamentos da pré-temporada, chegaram a fazer um abaixo assinado solicitando a exclusão de Jackie do time, e informando que caso ele permanecesse os jogadores se recusariam a jogar. O movimento foi abortado após um dos líderes do elenco, Pee Wee Reese, se recusar a assinar o manifesto. O fato foi minimizado após o técnico do elenco, Leo Durocher, convocar uma reunião e dar a seguinte declaração a seus atletas: “eu não me importo se vocês são, brancos, amarelos, pretos ou listrados como um zebra. Eu sou o técnico e eu é quem decide quem é que joga”.

Robinson_Reese_w0rs4suh_y0u9iif5Pee Wee Reese merece um parágrafo a parte nessa história. Pee Wee foi um dos poucos que desde o início foi receptivo com a vinda de Jackie, fato que originou uma amizade que duraria até o fim da vida de ambos. O incidente mais famoso relacionado a essa amizade aconteceu em 1947, durante um jogo contra o Cincinanati Reds, dono da casa. A torcida insultava sem parar Jackie, até que Pee Wee (capitão do time) atravessou o campo e colocou sem braço em volta do ombro de Jackie, silenciando a torcida.

pee wee(cena do filme “42: a história de uma lenda”)

O grande fato da história de Jackie Robinson, e que por vezes é esquecido: Jackie era um excelente jogador de baseball. Foi eleito Calouro do Ano em 1947, Jogador Mais Valioso em 1949, participou de 6 jogos das estrelas e sempre teve números excelentes. Este foi talvez o fato principal que possibilitou a continuidade dele na liga. Se ele tivesse tido um primeiro ano muito fraco, talvez não tivesse continuidade e acabasse fechando a porta da MLB para outros jogadores negros no decorrer dos anos, mantendo a barreira racial por mais algum tempo. O fato é que Jackie era o jogador certo, no momento certo, com o Gerente Geral certo (Branch Rickey). Sua capacidade de provar seu valor dentro do campo, independente da sua cor, evitar as provocações, além de sua incrível habilidade, mudaram a história do jogo para sempre. A barreira da cor havia sido definitivamente quebrada, com jogadores negros integrando os demais times da liga no ano seguinte. Jackie havia definitivamente mudado o jogo.

Seu legado para o baseball é inimaginável. Jackie foi introduzido ao Hall da Fama da liga em 1962. Em 1997, a MLB decidiu aposentar o número 42 de todos os times da liga, para que todos sempre se lembrem de quem Jackie Robinson foi e qual seu legado. E neste dia 15/04 TODOS os jogadores usam o número 42 em seu uniforme, numa grande homenagem.

42 day

E que nós possamos para sempre lembrar da sua história, da sua coragem e da sua vontade de vencer. (Nota do Editor: O último jogador a aposentar o número 42 foi outra lenda do baseball, Mariano Rivera, que por já possuir o número em 97, teve autorização pra usar até o fim da carreira.)

“Eu não estou preocupado com você gostar ou não de mim, tudo o que eu peço é que você me trate como um ser humano.” Jackie Robinson.

Como sugestão, deixo aqui a indicação do filme “42-a história de uma lenda” que conta a história de Jackie.

 

Esta matéria foi escrita por Guilherme Marodin, o @guimarodin no twitter, especialmente para o blog MAJOR SPORTS

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