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Tributo a Ayrton Senna: 24 anos depois…

Neste dia se completa 24 anos do acidente que levou um dos maiores ídolos nacionais (quem sabe o maior) naquele fim de semana sombrio em Ímola: Ayrton Senna do Brasil. Um herói que surgiu quando o país atravessava um momento conturbado e que conquistou não só brasileiros, como todos que acompanham a Fórmula 1 mundo afora. Uma lenda que deixou muitas marcas nas manhãs e madrugadas dos domingos, aonde parávamos para acompanhá-lo em sua Toleman, Lotus e McLaren, foram anos e anos esperando por mais uma vitória e o tema clássico da vitória (que foi tocado primeiramente em uma vitória de Nelson Piquet, mas que ficou eternizada com Senna).

Hoje, em sua homenagem, faremos um top-10 dos melhores momentos da carreira de Senna no automobilismo (não só na F1, diga-se) e sim, terão as clássicas corridas, mas também outros momentos que nos remeterá o orgulho de lembrar deste que é, para muitos, o maior piloto que já esteve em uma pista de corrida.

#10 – A aposta com Ron Dennis

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Começando por um momento deveras curioso. Na temporada de 1990, Senna brigava pelo seu segundo título na categoria. Quando chegou na etapa de Monza, Ron Dennis falou para ele que “aqui é a casa da Ferrari. Você não vai ganhar”. Senna disse que ganharia e apostou com o chefão da McLaren: “se eu ganhar, você me dá a McLaren de presente”. Ron Dennis aceitou. O resultado está aí: Senna não só ganhou como levou a McLaren para si. Quem for ao instituto Ayrton Senna encontrará o carro daquela temporada lá, para ser visto.

#9 – Dobradinha com Nelson Piquet

Um momento icônico para os torcedores brasileiros à época.

piquet

No GP do Brasil de 1986, Nelson Piquet venceu a corrida com a até então promessa Ayrton Senna em segundo. A imagem de ambos segurando a bandeira do Brasil no pódio de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, é um dos raros momentos de felicidade juntos. A rivalidade entre torcedores de Senna e Piquet (os tradicionais Sennistas e Piquezistas) é grande até hoje. Fato é que devemos agradecer por termos pilotos de grande calibre e que marcaram história, cada um no seu período.

#8 – A última pole, vitória e o fim de uma era

prost

Adelaide, 1993. A McLaren não havia conquistado uma pole position sequer e nos treinos classificatórios, o rádio trava e as ordens para Senna diminuir não chegaram a ele, que fez uma volta rápida quase sem combustível. Acredite: ele conseguiu a pole na Austrália. Já na corrida Alain Prost, eterno rival de Ayrton Senna na F1, já se sagrava tetracampeão antes do fim daquela temporada. Naquela corrida, Senna venceria com o piloto francês em segundo. No pódio, Senna chamou Prost e seu companheiro de Williams, Damon Hill, para o lugar mais alto. Ali selaram a paz de anos intensos de disputa dentro e fora das pistas e seria não só o último pódio com dois dos maiores pilotos juntos como seria a última vez que Senna subiria lá.

#7 – Arriscando a vida para salvar a de outro piloto

Treinos do GP da Bélgica de 1992.

salvamento

Éric Comas, piloto francês, sofreu uma batida e ficou inconsciente dentro do carro. Ayrton vendo o que havia acontecido, parou o seu carro e correu em direção ao cockpit de Comas para desligar a ignição de sua Ligier e evitar uma explosão que acabaria com a vida do piloto francês.

#6 – A primeira vitória

lotus

Depois de assombrar o mundo na Toleman (já chegaremos lá), Ayrton Senna assinava com a Lotus em 1985 para continuar sua trajetória na F1, agora em uma equipe que poderia dar melhores condições de brigar por vitórias. Em Estoril (GP de Portugal), já na segunda corrida do ano e debaixo de chuva (marca registrada de Senna) sua primeira vitória na F1. A primeira das 41 vitórias que teria em 11 temporadas que disputou.

#5 – O palco de inúmeras batalhas

suzuka

Como dito, Senna fez fãs no mundo todo. No Japão, nem se fala. Suzuka foi a pista de várias guerras e confirmação de títulos de campeão do mundo. Em 1988, no seu primeiro ano na McLaren, Senna saiu na pole, mas caiu para o 14º lugar por problemas na largada. Escalando o pelotão e fazendo uma corrida espetacular de recuperação, Senna ultrapassou todo mundo (incluindo Alain Prost) e venceu, conquistando seu primeiro campeonato mundial.

sennaprostsuzuka

Em 1989, o cenário era favorável ao francês. Na época da rivalidade aflorada, Senna novamente iria ultrapassá-lo para assim garantir o bicampeonato. Prost bateu no piloto brasileiro e ambos estariam fora da prova (o que dava o tricampeonato ao francês). Senna voltou, mesmo passado pela área de escape, foi para os boxes, conseguiu se recuperar e ganhou a corrida. Mas a comissão de prova desclassificou Senna alegando que ele deveria voltar pela pista, e não na área de escape (que no caso era uma situação de emergência, o que é permitido). Com o resultado, o campeonato mundial foi para Prost.

sennaprostferrari

Em 1990, como diz o poeta: “o mundo dá voltas”. Novamente em Suzuka, mais uma vez os dois disputando o título (com Prost agora na Ferrari) e a vantagem era do brasileiro. Largando em primeiro e com o lado sujo da pista para si, Senna nem esperou pela primeira curva para decidir o campeonato. Ambos bateram e abandonaram a prova. Com isso, Senna se sagrava bi-campeão da F1. Uma curiosidade sobre essa prova: dobradinha brasileira com Piquet e Roberto “Pupo” Moreno.

Em 1991, Senna se sagrou tri de maneira bem tranquila. Mas na última corrida do ano, Senna deu a vitória para o seu companheiro, o austríaco mais brasileiro que existe: Gerhard Berger.

#4 – A volta perfeita

donington

GP da Europa de 1993. Donington Park era um circuito que não havia muitos pontos de ultrapassagens. E no dia da corrida, chuva. Na largada, Senna era o quarto colocado e caiu para quinto logo de cara, sendo ultrapassado por Karl Wendlinger. Após a primeira curva, Senna passou o austríaco, Michael Schumacher, Damon Hill e Alain Prost NA PRIMEIRA VOLTA! Para muitos, é a “volta dos deuses”. Senna venceu, e com um detalhe: apenas Hill, que terminou em segundo, não levou volta.

#3 – O Rei de Mônaco

monaco

Não tem como não falar de Senna sem citar o seu circuito, ou a sua segunda casa, como bem queiram definir. Em Mônaco, Senna fez grandes corridas como também teve momentos até digamos “sobrenaturais”. Em 1984, pela pequena Toleman e debaixo de um temporal, o brasileiro que estreava na F1 foi ultrapassando um a um, seja carros do mesmo patamar ou até os grandões, incluindo Keke Rosberg e Nick Lauda, dando a entender que ganharia a prova, mostrando um cartão de visitas que ninguém esperava e onde o menino ganharia as atenções de todo o planeta. A corrida terminou na volta 31 e nesse caso só contavam apenas metade dos pontos. Senna foi o segundo colocado. E esse resultado foi determinante pois Prost, que venceu a corrida, perdeu a temporada para Lauda por meio ponto.

Em 1988, na McLaren, Senna impressionava por marcar tempos cada vez melhores, dado um momento em que ele chegou a dizer que não guiava mais por sua “consciência”, e o piloto disse: “Foi naquele dia que percebi que já não estava mais dirigindo conscientemente. Para mim, era como se fosse outra dimensão. O circuito era um túnel para mim e eu só ia e ia em frente. E eu percebi que estava além da minha compreensão consciente”. O único problema foi que na corrida ele bateu sozinho na entrada do túnel e deixando escapar a vitória mais fácil de sua carreira.

frase

Depois disso, Senna foi enfileirando vitórias no principado. As duas últimas foram as mais emblemáticas, cada uma a sua maneira. Em 1992, as Williams dominavam a categoria com a famosa suspensão ativa e que o carro praticamente guiava sozinho. Mansell estava com a vitória mais que certa, mas teve que fazer uma parada a mais nos boxes e quando voltou estava atrás de Ayrton. E o que se viu foi uma das perseguições mais intensas da história, com Mansell colado e não conseguindo passar de nenhum jeito, dando a vitória a Senna. Uma das 6 vitórias que não foram da equipe de Frank Williams em 1992.

sennamansell

Em 1993, para muitos a melhor temporada como piloto de Senna, corrida em Mônaco e dessa vez com outro adversário a ser batido: o alemão Michael Schumacher. Schumi estava com a vitória na mão, mas acabou batendo na Lowes (aquela curva lenta antes do túnel) e a vitória caindo no colo do brasileiro. Seria a 6ª vitória em Mônaco e nenhum piloto conseguiu igualar seus números de vitórias no principado, dando o título para Senna, até hoje, de “Rei de Mônaco”.

#2 – Lar, doce lar

interlagos

O tetracampeão mundial, Lewis Hamilton, é conhecido também por ser um dos maiores admiradores do lendário piloto brasileiro. Quando ganhou pela primeira vez no Brasil, em 2016, falou com carinho sobre “a casa de Ayrton Senna”. E não era para menos. Senna tinha obsessão de ganhar no circuito onde passou parte de sua infância e adolescência antes de ir para a Europa começar sua carreira internacional.

Desde 1988, começando no Rio e depois com a corrida sendo realizada em Interlagos a partir de 1990, sempre dava alguma coisa errada. Na primeira, câmbio quebrado. Na segunda, bateu na largada. Na terceira, bateu em Satoru Nakajima. O fim desse tabu seria em 1991. Liderando de ponta a ponta e com o abandono de Mansell, Senna estava com a vitória na mão, até a sua McLaren começar a perder suas marchas até ter apenas a 6ª funcionando. A diferença para Riccardo Patrese, que era de 42 segundos, diminuiu para 5 colocando um drama que não era esperado. No grito e no braço, Senna venceu tirando leite de pedra nas últimas voltas. O esforço foi tamanho que a hora que levantou o troféu de vencedor da prova, imortalizou uma das cenas mais marcantes de sua carreira.

troféu

Em 1993, o cenário era outro. As Williams (sempre elas) dominaram os treinos e a corrida só seria perdida por algum erro dos ingleses ou outro fator preponderante. E foi isso que aconteceu. Na metade da prova, chuva na reta principal, apenas. A Williams errou ao não chamar Prost e como todos sabem, o francês na chuva tremia na base. E dito e feito: acabou batendo em Cristian Fittipaldi na curva 1 e abandonou a prova. Senna, com um carro inferior, fez uma ultrapassagem espetacular em Damon Hill próximo a curva do laranjinha, para assumir a ponta e não perder mais a corrida. Seria sua segunda vitória em casa e com um momento emblemático: nos braços do povo após a bandeirada final.

torcida

A volta da vitória mais longa de toda a F1.

#1 – Onde tudo começou

formula3

Talvez poucos de vocês irão lembrar dessa parte na carreira de Ayrton Senna. Em 1984, a Mercedes organizou uma corrida para comemorar a reinauguração do circuito de Nurburgring, um dos mais famosos do planeta. Nesta corrida só foram chamadas grandes nomes até então da época, que ficou conhecida como a corrida dos campeões: Alain Prost, Niki Lauda, Keke Rosberg, Jack Brabham e James Hunt. A ausência de dois pilotos chamaram a atenção: Juan Manuel Fangio (que já estava velho) e Emerson Fittipaldi, que estava se preparando para outra prova em questão. Para o lugar de Fittipaldi, Senna foi chamado. E na corrida dos campeões, o brasileiro venceu. E ali, era o começo e o nascimento de uma lenda.

Eu não sou o melhor para falar do Senna, já que quando ele partiu não tinha nem 2 anos de idade. Sei do herói que se tornou e vendo as corridas no YouTube é difícil não se emocionar com tudo isso. O legado que fica é enorme e antes de encerrar o post, vou deixar mais alguns vídeos extras a respeito do chefe.

Matéria sobre pilotos e o repórter se rendendo a Senna como o GOAT das pistas

A emoção de Hamilton ao ver a primeira vitória de seu ídolo em Interlagos

E a emoção do inglês ao guiar a McLaren que nos deu tantas alegrias

E fechando a lista, quando Hamilton igualou o número de poles de Senna, a família deu um capacete original do seu maior ídolo

Schumacher, em 2000, após igualar o número de vitórias de Senna, não se contém e cai nas lágrimas

A carta de Mansell a família de Senna

Muito obrigado por tudo, herói!

Créditos: canal Nostalgia e instituto Ayrton Senna

*os links em vermelho são para vídeos no youtube

Este tributo ao Senna foi uma ideia em conjunto de todos os membros do MAJOR SPORTS e não pára por aqui, neste mês de Maio traremos mais matérias especiais sobre Ayrton e a fórmula 1 pós sua morte. Este especial foi escrito pelo sagaz Vitor @chaveatle Silva.

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