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O Manager no Beisebol – Muito mais que um técnico!

hinch(A.J. Hinch, manager campeão com o Houston Astros em 2017)

SALVE LETRADOS! Hoje o texto é voltado para dissecar a função de manager no nosso amado BASEBALL. Afinal de contas, qual o tamanho da importância do “técnico” neste esporte maravilhoso?

Na conjunção da palavra ele é o responsável por:

  • Tomar decisões estratégicas durante o jogo;
  • Substituições no decorrer da partida;
  • Formações defensivas;
  • Definir a escalação (lineup) ofensiva e defensiva;
  • Administrar o vestiário (clubhouse).

Sua influência com o time vai além de simplesmente definir quem vai jogar. Na MLB ele literalmente veste a camisa do time como um jogador normal. Junto com ele, há toda uma comissão responsável por comandar os outros aspectos do jogo. Além do manager, as funções mais conhecidas dentro de um corpo técnico são as que seguem abaixo e serão explicadas no final do texto:

  • Bench coach (auxiliar técnico)
  • First base coach (técnico da primeira base)
  • Third base coach (técnico da terceira base)
  • Pitching coach (técnico dos arremessadores)
  • Bullpen coach (técnico dos arremessadores relievers)
  • Hitting coach (técnico dos rebatedores)
Os analistas da mlb.com deixam suas expectativas sobres os técnicos novatos em 2018

 

Agora, vamos procurar especificar melhor as responsabilidades de um manager  dentro e fora de campo, na relação com os jogadores o jogo em si. Vem com a gente:

– Tomar decisões estratégicas durante o jogo

O treinador é responsável pelas tomadas de decisão referente à sua equipe no decorrer da partida. Listarei aqui abaixo alguns exemplos de decisões que devem ser tomadas rapidamente.

– Um jogador veloz chegou a 1º base. Deve-se dar o “sinal verde” para ele tentar o roubo?

Nesta situação o treinador leva em conta o andamento da partida, qual o placar e o inning, além de levar em conta qual pitcher está arremessando (se tem um movimento de arremesso mais lento ou não) e também o catcher que irá tentar eliminar o rebatedor (se é um catcher com um “canhão” no braço ou se tem um braço mais fraco).

– Rebatedor está em vantagem na contagem de strikes (3-0). Liberar ele para ir para o swing ou espera para tentar um walk?

Novamente uma situação que é influenciada pelo andamento da partida (placar/inning). Aqui é levado em conta também o rebatedor que está no bastão (tem números bons? Se for pro swing tem altas chances de chegar em base?) e também quem é o próximo a rebater (é um rebatedor do miolo da lineup? Vale a pena talvez gastar um out e não deixar ninguém em base para esse rebatedor?)

– Jogo apertado, arremessador titular (destro) com mais de 90 arremessos, 6 entrada, acabou de ceder um single, próximo rebatedor é canhoto. Confiar no braço do starter ou trazer um canhoto do bullpen para enfrenta-lo?

Situação muito comum na MLB moderna, com relievers cada vez mais específicos e especializados em determinadas situações. Vale a pena tentar conseguir mais um out do seu starter e preservar o bullpen ou é melhor trazer um reliever um pouco mais cedo do que o planejado porém com mais chances contra o rebatedor canhoto?

Os três casos que listei são exemplos simples e comuns que ocorrem diariamente em partidas da MLB. Importante ressaltar aqui que hoje em dia, a maioria dos técnicos não toma essas decisões baseado apenas no seu “feeling” e seu conhecimento prévio do jogo. Na era dos “sabermetrics” (estatísticas que avaliam o jogo) as decisões de um treinador na maioria das vezes são tomadas baseados em dados e mais dados: quais os números que o próximo rebatedor tem contra canhotos? Qual o % de eliminar corredor em bases desse catcher? Qual arremesso esse pitcher mais usa quando está em desvantagem de 3-0? As estatísticas no baseball são uma realidade a quase duas décadas e elas estão cada vez mais servindo de embasamento para as decisões de um manager, restando poucos exemplos de técnicos que esnobam das mesmas e tomam esse tipo de decisões por conta própria.

cena do filme “Moneyball” aonde há um embate entre o Gerente geral Billy Beane, que procurava implementar as “sabermetrics” pra definir o lineup e o técnico Art Howe, que seguia a escola tradicional. Indicamos que assistam esse clássico. 

Aqui, vale a pena fazer um parênteses e comentar sobre a diferença entre managers “old school” e managers “sabemetrics”:

Os managers old school conduzem o jogo baseado nos seus conhecimentos de anos de baseball, além de montar o seu time de acordo com o que manda o script. Já os managers “sabemetrics” tomam suas decisões baseados em números e dados. O conhecimento do jogo está ali, mas as decisões são tomadas com base na razão (estatísticas). Um bom exemplo dessa diferença de visão pode ser citado com o homem de leadoff, rebatedor que inicia a lineup do time. Para os “old school”, a lógica indica que o leadoff deve ser o jogador mais veloz do time, aquele que irá roubar mais bases, afinal velocidade é importante no topo da lineup. Podemos citar como um exemplo de manager “old school” Dusty Baker, manager do Washington Nationals em 2017 e vice campeão pelo San Francisco Giants em 2003. Já para os “sabemetrics” preferem utilizar um jogador com um alto % de chegada em base (OBP), pois um jogador que chega mais em base tem mais chances de anotar corridas. Com a popularização da utilização de dados nos últimos 20 anos, é cada vez maior o número de técnicos que tomam suas decisões suportadas por dados e números. Podemos citar como exemplo o atual técnico campeão da MLB, A.J. Hinch, manager do Houston Astros.

 

– Substituições no decorrer da partida

Outro papel de um manager é ser o responsável por substituições no decorrer da partida. Além do exemplo citado no item anterior (troca de arremessadores) podem ocorrer substituições ofensivas, como por exemplo: seu próximo rebatedor é um canhoto e o time rival traz um arremessador canhoto para enfrenta-lo (teoricamente vantagem para o arremessador). Para responder a essa alteração, você substitui o seu rebatedor canhoto por um destro, que tem números melhores contra canhotos. Neste caso o manager precisa tomar uma decisão: retirar o pitcher que acabou de colocar, sem nem utilizá-lo ou confiar nele e deixa-lo enfrentar o destro? São decisões importantes, que devem ser tomadas rapidamente, e que tornam a arte de ser manager em um jogo de xadrez, cada técnico movendo suas peças de acordo com os movimentos do rival.

Podem ocorrer também substituições defensivas, com o objetivo de melhorar a defesa do seu infiel/outfield, visando preservar a liderança em um jogo apertado. Isso pode acontecer quando, por exemplo, o time está vencendo e no 7º inning o manager substitui o LF (que é bom no ataque, porém nulo na defesa) por um outro OF reserva, que cobre uma área maior no outfield e vai diminuir as chances de rebatidas validas naquela direção virarem duplas ou triplas.

Nesse item gosto de citar como exemplo o time do Red Sox de 2004, que foi campeão da World Series naquele ano. Era o time onde o manager, Terry Francona (atual técnico do Cleveland Indians), ao se ver em uma situação de vantagem, a partir da 7º entrada, executava 3 alterações defensivas. Ele substituía o 2B (Mark Belhorn por Pokey Reese), o RF (Trot Nixon por Gabe Kepler) e o 1B (Kevin Millar por Doug Mientkiewicz). O time ficava com o lado direito inteiro recomposto e tornava a parte defensiva mais forte para os innings decisivos.

– Formações defensivas

Outra importante função do manager (e que também está diretamente ligada às estatísticas) são as formações defensivas utilizadas pela equipe do decorrer de uma partida. Isso é algo que as vezes acaba passando batido nas transmissões da TV, onde é dando uma maior ênfase apenas ao “shift”, que é quando a defesa acaba se postando em campo mais direcionado ao lado direito ou esquerdo, dependendo do rebatedor. Porém outras diversas formações são utilizadas.

shiftAlgumas situações de SHIFT

Em uma situação onde o manager possa esperar um bunt, ele pode instruir seus infielders a adotarem uma formação onde o 3B e o 1B acabando ficando mais próximos do HP, para capturar rapidamente a bola. A formação defensiva pode mudar também caso o manager esteja esperando uma queimada dupla, mudando o posicionamento do 2B e do SS para estarem mais preparados para essa jogada. Também é comum, em determinadas situações o jogo, o manager optar pela formação “infield in”, que ocorre geralmente quando existe um corredor na 3º base e zero ou um eliminados, neste caso os infielders como um todo se aproximam mais do home plate, para que numa possível groundball eles possam tentar a eliminação do corredor da 3º base diretamente no home plate.

Assim como no 1º item, as mudanças de formação também são decisões estratégicas, que cada vez mais são embasadas por números e dados.

 

– Definir a escalação (lineup) ofensiva e defensiva

yu-darvish-texas-rangers-game-used-lineup-card-from-win-vs-seattle-mariners-on-june-3-20166-t6401052-2000O manager é o responsável pela escalação da equipe. Definir quem serão os titulares do equipe e de que forma irá alinhá-los na lineup, além de definir as posições defensivas de cada um. Parece simples, mais é um trabalho que gera muitas dúvidas no dia a dia. Utilizar um jogador veloz de leadoff ou dar prioridade para um jogador com alto percentual de chegada em base? Em que posição colocar o melhor rebatedor e principal responsável por impulsionar corridas do time, três, quatro ou cinco? Quão bom este jogador é defensivamente a ponto de ele merecer estar na lineup, mesmo tendo números péssimos no ataque? Quais jogadores estão jogando mais jogos seguidamente, e que podem estar precisando de um dia de descanso para evitar lesões e fadiga? São diversões questionamentos que podem surgir na cabeça de um manager na hora de definir a escalação.

– Administrar o vestiário (clubhouse)

Essa talvez seja a função mais importante de um manager de baseball, porém é algo que acaba passando despercebido aos olhos de muitos (alô letrados!), pois até hoje não inventaram uma estatística capaz de mensurar a habilidade de um manager gerenciar a clubhouse.

A temporada da MLB é extremamente longa. Os treinos começam em meados de fevereiro e a pós-temporada termina somente no final de outubro (alguns anos até mesmo início de novembro).  Com a quantidade grande de jogos na temporada regular (162), a convivência entre os atletas passa a ser praticamente diária. Ou seja, são quase nove meses de convívio diário entre 25 atletas, tendo que lidar com sucesso e frustração, subidas e descidas para as minors leagues, idas e voltas para a lista dos machucados, chegada de novos jogadores e saída de antigos. 25 atletas diferentes, 25 personalidades diferentes, 25 particularidades diferentes todo dia. Talvez uma das principais virtudes de um manager é saber lidar com este ambiente e saber administrar seus jogadores. Quando é a hora de pegar no pé ou quando é a hora de ser mais relaxado. Quais regras devem ser cumpridas a risca e quais podem ser burladas de vez em quando. Como lidar com os egos. Como manter todos unidos e focados em um único objetivo. Suportar pressão da imprensa e diretoria. Blindar os jogadores para possibilita-los de realizar seu trabalho. Elogiar quando for pra elogiar, cobrar quando for pra cobrar. Precisa ser respeitado e ouvido. Precisa conseguir entrar na mente dos jogadores e os fazerem acreditarem naquilo que ele acredita. O manager precisa ser, ao mesmo tempo, líder, chefe, pai e amigo.

Ou seja,  em todos os esportes, ser o técnico é uma função complexa e que demanda muito conhecimento, tato, habilidade interpessoal, equilíbrio, sabedoria e inteligência, e no caso do MANAGER na MLB não poderia ser diferente mas com alguns agravantes,  o primeiro deles são as diferenças que os atletas do beisebol nas grandes ligas  tem, como por exemplo, diferenças culturais, idioma, idade e os salários (e aqui o General Manager, o gerente do clube, também entra na relação), além do EGO, aonde muitas vezes técnico tem que manejar bem quando uma grande estrela tem seu brilho ofuscado por um novato ou frear o assédio da imprensa a um novato, em nome de se manter o grupo. Outro agravante é a complexidade do jogo, o número de situações que se pode ocorrer numa partida de beisebol, ainda mais quando se tem duas ligas com regras diferentes, ou seja, o manager além do conhecimento e nunca deixar de estudar o jogo, tem que ter uma inteligência emocional acima da média para lidar com todas as variantes e quem sabe, um dia ter a oportunidade de comemorar a vitória no jogo final da WORLD SERIES!

 

Mas ele não está sozinho, cabe ao manager escolher bem seus auxiliares e uma boa equipe certamente alivia muito o peso de suas costas, por isso, sem esquecer das funções que foram listadas anteriormente, o manager conta com os seguintes auxiliares:

 – BENCH COACH = Atua como auxiliar técnico, dando ideias e conselhos ao manager no dia a dia e também no decorrer do jogo. È considerado o 2º na hierarquia dos coachs, assumindo o papel de manager em uma partida em que o técnico seja expulso

– FIRST BASE COACH = Treinador que fica postado ao lado da 1º base quando o time está no bastão, é responsável por passar mensagens (sinais previamente combinados) do manager para os corredores e rebatedores, além de dar aquela clássica “cornetada” no umpire de 1º base quando ele faz uma chamada controversa

– THIRD BASE COACH = Basicamente as mesmas funções do first base coach, porém com uma responsabilidade a mais. Ele é o responsável por sinalizar a um corredor se ele deve ir para a 3º base ou home plate durante a sua corrida, visto que o corredor geralmente não esta visualizando a bola e não tem noção de onde ela está. Para tomar essas decisões, o coach deve considerar aonde a bola está, qual a potência do braço do defensor, qual a posição do corredor e sua velocidade, tudo isso em questão de segundos, o que torna sua função de extrema importância para o time.

– PITCHING COACH = Treinador dos arremessadores. Adverte o manager sobre a situação de jogo do pitcher (contagem de arremessos alta, últimos arremessos mal localizados ou com perda de força/efeito). No dia trabalha, mentora e trabalha a parte mecânica com os arremessadores, chegando inclusive a fazer “visitas” ao montinho durante o jogo, geralmente em um momento onde o pitcher não está bem e precisa de um tempo para tentar se recuperar na partida.

– BULLPEN COACH = Tem papel semelhante ao do pitching coach, porém durante as partidas ele fica no bullpen, trabalhando com os arremessadores reservas que estão se aquecendo para entrar na partida.

– HITTING COACH = Técnico responsável por trabalhar com os rebatedores e melhorar suas técnicas de rebatida, como melhorar o ângulo do swing e a forma de se postar no batter box. Atua diretamente durante os treinos de rebatidas e aquecimentos pré jogo, para identificar possíveis falhas mecânicas passivas de ajustes.

 

Esta matéria especial foi desenvolvida pelos mirabolantes Guilheme “@marodingui” e Vitor @Chaveatle, a pedidos de nossos leitores. Caso tenham mais alguma dica ou sugestão, fiquem a vontade para solicitar ao blog MAJOR SPORTS

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