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Golden Knights – O que uma franquia de hóquei pode ensinar para o mundo corporativo?

Uma franquia de hóquei no gelo, esporte com poucos fãs no Brasil, ensinar algo para o mundo corporativo? A minha resposta é: Conheça a história do VEGAS GOLDEN KNIGHTS e entenda o quanto ela pode te ajudar a montar uma equipe vencedora e também o quanto pode motivar sua equipe.

GOLDEN KNIGHTS: CONQUISTANDO O IMPOSSÍVEL

A NHL (National Hockey League) é uma das 4 grandes ligas dos esportes norte-americanos, juntamente com a MLB (Beisebol), NFL (Futebol Americano) e NBA (Basquete), porém, podemos dizer que a NHL é como se fosse o patinho feio do grupo, ou digamos, a que menos movimenta dinheiro, já que as demais são mais consagradas e tem maior apelo junto ao público, ainda assim, a NHL movimenta bilhões de dólares através de sua franquias (Sim, os times são franquias que podem mudar de cidade caso não estejam dando lucro), entenda melhor nessa matéria: As dificuldades de Arizona e Flórida na NHL que estão espalhadas pelos Estados Unidos e Canadá, este último a meca do esporte, país que revela grandes jogadores.

De olho no crescimento de seu mercado, a NHL abriu a possibilidade de expansão de mais 1 time na liga e em Junho de 2016 o comitê responsável aprovava de forma unânime a criação do time de LAS VEGAS em Nevada, assim, um processo de solicitação que se ensaiava desde 2014 tomou forma e o time poderia se preparar para disputar a liga a partir da temporada de 2017/2018. Desde então, em menos de 1 ano foram criados NOME, LOGO e toda identidade visual do time, como pode ser visto abaixo, assim como a autorização de realizar um “expansion draft” (escolhas de expansão) que explicaremos mais abaixo.

Pra você entender melhor o contexto daremos um SPOILER do fim dessa história e então iremos ás lições: EM SEU PRIMEIRO ANO DE LIGA, O GOLDEN KNIGHTS CHEGOU NA FINAL DA LIGA, a famosa STANLEY CUP e esta disputando a melhor de 7 jogos contra o Washington Capitals.

Aí fica a pergunta: Como uma equipe em seu PRIMEIRO ANO consegue chegar à final de uma das ligas mais competitivas do mundo?

E é aqui que o planejamento do “front office” (gerência) do Golden Knight salta aos olhos. Entenda:

LIÇÃO 1 – PLANEJAMENTO – Quanto melhor, mais sucesso!

A história do time começa anos antes, em 2014, quando um grupo de investidores de LAS VEGAS, liderados pelo milionário Bill Folley e a Malloof Family (donos do Sacramento Kings – NBA) vendo o potencial turístico e econômico da cidade, levou ao escritório da NHL a intenção de ter o direito de iniciar uma franquia na expansão da liga, a partir daí foi entregue um projeto aonde o grupo apresentava não só a arena que já existia na cidade como a “casa” aonde seriam feitos os jogos, como dava a segurança de que não seria um fracasso, o que para NHL seria péssimo, assim, com o decorrer do processo, no meio de 2016 Las Vegas foi escolhida como 31a franquia da NHL, superando a concorrência da cidade de QUEBEC. Folley pagou a módica taxa de US$ 500.000,00 para a liga e pôde dar inicio à busca daqueles que comandariam a franquia.

Neste caso, o grupo de investidores enxergou o enorme potencial da cidade de Las Vegas, a qual esta no meio do deserto de Nevada, que apesar de parecer a princípio um mercado irrisório devido a pequena população, é um dos maiores polos de entretenimento do mundo, sendo sede de diversos cassinos aonde são realizados os maiores (E mais caros) shows do planeta, e também um dos destinos mais procurados por turistas do mundo inteiro, essa configuração pouco usual, que poderia ser um empecilho acabou por se tornar uma grande oportunidade, pois a cidade não possuía até então nenhum time profissional nas grandes ligas e sendo o esporte um dos maiores “business” norte americano, a cartada foi certeira. Foi a junção perfeita de visão de negócio, investimento correto e planejamento para conseguir a aprovação do comitê e um dos grandes pontos foi o fato da cidade já possuir uma arena preparada e com capacidade de receber os jogos. Com dinheiro no caixa, um excelente projeto e a aprovação, vinha a fase 2, a busca pela liderança correta para tocar o projeto pra frente.

LIÇÃO 2 – LÍDERES – Liderança competente gera resultados

Começar um projeto do ponto ZERO sempre é muito complicado, exige uma demanda de tempo, além de muito estudo, planejamento e projeções que se não forem bem feitas poderão jogar todo o projeto por água abaixo antes mesmo do seu início, agora, imagine quando esse projeto envolve milhões de dólares. O norte americano é um povo que ama esportes e sabendo disso o plano inicial do VGK não contemplava uma conquista imediata de título, mas construir um time que pudesse em médio a longo prazo trazer uma base de fãs sólida e mais investidores, para isso, a presidência do clube fez 2 contratações chaves, a primeira foi a do General Manager (Gerente Geral) George McPhee e do técnico Gerard Gallant.

Vamos primeiro falar de McPhee e aqui abro parentese para uma curiosidade, McPhee foi GM do time que Vegas enfrenta na Stanley Cup, o Washington Capitals e foi um gerente de muito sucesso nesse time, aonde trouxe resultados expressivos a partir dos anos 2000, construindo times que venceram 7 títulos de divisão em anos distintos e um destes quebrou o recorde de pontos da franquia numa temporada, além disso, McPhee conseguiu melhorar as finanças do Capitals a partir de 2004 ao reconstruir o time trazendo jovens talentos e dispensando estrelas que tinham salários astronômicos, sendo que cinco dos 7 títulos de divisão foram conquistados após este “rebuild”, porém McPhee nunca conseguiu levar os Capitals à Stanley Cup.

Vendo esse histórico conseguimos entender que a experiência e know-how de McPhee era perfeito para as ambições de um time “em construção”, o qual deveria ser bem desenhado para trazer resultados em médio prazo, mas, algo deu muito mais certo do que o esperado e isso começou no draft (Escolha) de expansão, aonde os Golden Knights tinham o direito de escolher 1 jogador de cada franquia e aqui entra um ponto importante para reforçar a importância de um líder com conhecimento e experiência.:

LIÇÃO 3 – NEGOCIAÇÃO – Saiba aproveitar as oportunidades

Toda nova franquia que entra na NHL através de expansão tem o direito de escolher um jogador de cada franquia, porém, dentro de uma listagem pré estabelecida pelos times e podem ter certeza os times aproveitam para dispensar jogadores que consideram sem valor ou que possivelmente não irão ajudar o time nascente. Sabendo disso, McPhee e equipe fizeram um trabalho de negociação e gerenciamento de risco excelente, ao entender que poderiam ganhar no fato de que alguns times queriam empurrar jogadores, assim, negociando trocas e escolhas em drafts futuros, o GM de Vegas mandava seu recado, OK, eu pego seu “refugo”, mas você me compensa – e algumas equipes aceitaram, com isso o time de Vegas conseguiu jogadores que já tinham experiência e compensações que trouxe escolhas de primeira rodada nos drafts em 2017 e 2018 podem reforçar seu time para próximas temporadas

McPhee, juntamente com o técnico e os demais assistentes fizeram escolhas pontuais e muito bem direcionadas, trazendo talentos experientes e principalmente com enorme potencial mas que não estavam sendo bem utilizados ou se encontravam desmotivados. O resultado dessas negociações superou as expectativas, como podemos ver na excelente campanha da equipe, no texto de Rodrigo Silva Jr, públicado em 03/01/18 já indicávamos o crescimento impressionante nos números de alguns jogadores, confira: Vegas: De apenas mais uma franquia a candidata aos playoffs

George McPhee ensinou uma grande lição, que basicamente é: “Sabendo que não tem nada a perder, aposte alto!”Neste caso, Vegas aproveitou a disposição dos demais times para conseguir não só o que planejavam, mas uma garantia de que caso seu plano não desse certo, as escolhas futuras poderiam compensar.

IMG-20180526-WA0130A impressionante evolução dos número dos jogadores em Vegas.

Após a escolha dos jogadores, a responsabilidade estava com a segunda contratação chave da presidência do Golden Knights, o técnico Gerard Gallant, o qual teria que manejar essa equipe de “refugos” e Gallant foi muito feliz em seu trabalho.

Gallant poderia não ser a escolha óbvia, dado o fato de nunca ter ganho uma Stanley Cup, mas era um técnico em ascensão que estava conseguindo resultados expressivos e poderia trabalhar bem com jogadores já experientes, medianos e novatos, e para a alegria de toda a diretoria, Gallant foi além do esperado no curto prazo e muito porque soube como trabalhar bem sua equipe.

Com lideranças sólidas, bem respaldadas pelo apoio da diretoria, era hora fazer nascer um time.

LIÇÃO 3 – EQUIPE – Escolhas bem feitas trazem custo benefício imediato

Todos aqueles que já passaram pela função de gestor sabem o tamanho da importância de se ter um time afinado com as diretrizes da empresa, unido e focado no atingimento das metas, mas sabem também da dificuldade de se agregar talentos que atinjam a excelência conforme o desejo dos gestores, são centenas de entrevistas, muitas vezes solicitações de colaboradores de outras áreas que geralmente são negados (ninguém quer perder um talento), colaboradores desmotivados e etc… Um dos grandes desafios é conseguir montar uma equipe homogênea e vencedora… E o Golden Knights conseguiu:

Particularmente, acredito que o grande segredo do sucesso do time do Golden Knights está nas escolhas dos jogadores, a possibilidade que o draft de expansão traz, se bem usada é muito eficaz, trazendo pra realidade corporativa, pense que você foi escolhido como gerente de uma nova divisão na empresa que você atua e pode escolher um funcionário dentre os previamente liberados de cada setor, certamente você procuraria “draftar” aqueles poderiam executar bem as funções desejadas, certo? Ok, mas você se perguntaria, porque eles estão sendo liberados? E é aí que entra a expertise da gerencia: Entender como poderia transformar aquele “jogador” que não esta rendendo bem em outra equipe e trazê-lo para seu time e transformá-lo num colaborador de alto rendimento.

Dentre os jogadores que os Golden Knights puderam escolher tinham desde campeões por outros times, como Marc André Fleury, ex goleiro do Penguins, jogadores considerados por muito tempo medianos, como Jonathan Marchessault e novatos pouco expressivos como William Karlsson, o qual foi praticamente doado pra Vegas.

Os estudos realizados pela equipe técnica dos Golden Knights foram cirúrgicos, procurando entender o momento de cada jogador e como estes poderiam contribuir com a franquia, a qual também estava numa situação de ganho-ganho, por ser estreante, não tinha nada a perder em apostar em talentos, independente da idade e situação na carreira.

Com o time montado, mas sem nunca ter jogado junto, caberia agora ao técnico Gallant usar de suas habilidades, conhecimento técnico e motivacional e aí aconteceu a mágica.

LIÇÃO 4 – MOTIVAÇÃO – Quando a vontade de se superar transforma.

Aqui entramos no trabalho direto do gestor deste time. Nas grandes ligas norte-americanas, o “manager” é mais que um técnico, ele gerencia os técnicos de defesa, ataque, goleiros, toma as decisões maiores, está com o time nos jogos e acompanha o dia a dia dos treinamentos, além de participar das decisões de escolha de novos jogadores, como nos drafts, trocas e substituições, ou seja, no caso do Golden Knights, Gallant participou de todo o processo pré draft e ajudou nas tomadas de decisões sobre quais jogadores escolher, mesmo não tendo a palavra final.

Com o time “em mãos”, Gallant provou ser um excelente técnico e conseguiu manejar um grupo heterogênio não só taticamente, como psicologicamente, em uma entrevista após a conquista do título de conferência, Fleury, goleiro do time, disse que a maior motivação do time era provar para os outros times que eles não eram dispensáveis, ou seja, toda a equipe estava unida em provar que tinham valor sim e Gallant soube aproveitar e transformar essa vontade em resultados.

Confira a impressionante evolução do elenco de Vegas na temporada 2018:

*William Karlsson, o jogador que foi trocado e ainda valeu 2 escolhas futuras em drafts praticamente triplicou seus números em todos os quesitos, haja motivação!

E essa é uma lição valiosíssima, o gestor tem que saber tirar o melhor da sua equipe, entendendo o potencial individual de cada um e buscando transformar esses potenciais individuais em uma equipe eficaz, aonde cada potencial some ao resultado final.

Sabemos que alcançar metas é um desafio enorme para qualquer equipe, seja em vendas, produção, entrega e etc, e que pra se chegar ao resultado final, seja mensal, trimestral, semestral ou anual, tudo começa com a meta diária, na busca por alcançar as marcas uma atrás da outra, que irá resultar no target final, ou seja, em nada difere do torneio da NHL, aonde uma vitória após a outra constrói a conquista do título.

E como sabemos que não vivemos apenas de dias bons, o Golden Knights passou por problemas nesta temporada também, aonde chegou a ser necessário o uso do sexto goleiro devido lesões, vejam bem, o sexto reserva chegou a jogar e apesar da queda na qualidade do time, o GERENCIAMENTO DE CRISE foi muito bem feito e as derrotas foram minimizadas, não chegando a causar danos que prejudicassem a meta final da equipe.

Como gestor, Gerard Gallant foi perfeito em sua primeira temporada com os Golden Knights, confiou em sua equipe, extraiu o melhor de cada um, motivou o time a buscar os resultados propostos, gerenciou a crise sabendo lidar com a ansiedade da equipe e conseguiu entregar além do esperado para a empresa. Dentro da realidade do hóquei, certamente merece o título de técnico do ano, não acham?

Draft Lottery HockeyGeneral Manager George McPhee, Gerard Gallant e o Franchise owner Bill Foley – Os mentores do Vegas Golden Knights

Nesta segunda, 28/05 o surpreendente VEGAS GOLDEN KNIGHTS começou a fase final de sua odisséia em busca do título da Stanley Cup e talvez chegar nessa disputa seja seu maior mérito, a vitória do planejamento, competência, gestão, motivação e força de vontade, os jogadores do time de Las Vegas trazem uma enorme lição, de que para ser competitivo nem sempre se precisa de contratações caríssimas ou invenções mirabolantes, muitas vezes o principal é a motivação e a identificação de talentos, juntamento com uma boa gestão e um objetivo bem definido que trará a união do grupo.

Estamos na torcida para que o VGK conquiste a Stanley Cup e que em breve essa história seja adotada por Hollywood e chegue aos cinemas pois é fantástica e o mundo precisa conhecê-la, não somente os amantes de hóquei.

Grande abraço a todos.

Rangel Silva

IMG-20180524-WA0021A STANLEY CUP

Rangel Silva, o @rhangell no twitter, é o editor chefe do Major Sports, “âncora” do MajorCast e empreendedor. Nosso “boss” enxergou na história do VGK a oportunidade de comparar esporte à gestão.

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