especial

Washington REDSKINS: “In Alex we trust”

Por Paulo Scopacasa  especialmente para o blog Major Sports

Desde que Dan Snyder comprou a franquia em 1999, o Washington Redskins começa sua temporada envolto com as mesmas polêmicas: troca do nome, problemas no front office e indefinições sobre seu starting quarterback. Embora os dois primeiros não sejam incômodos para a maioria dos torcedores, são boa parte da explicação pelo qual o terceiro nunca tenha sido resolvido. Até agora, aparentemente.

As atenções da NFL estavam em Houston quando Bruce Allen fechou uma troca que chacoalhou a liga: mandou o CB Kendall Fuller (seu melhor jogador de defesa em 2017 não chamado Ryan Kerrigan) e um pick de 3ª rodada no draft de 2018 (que Kansas usou na troca com os Bengals para subir 8 posições no segundo round e draftar Breeland Speaks) em troca de Alex Smith, primeiro pick overall de 2005 – que, de quebra, ganhou uma extensão de contrato de 4 anos, US$ 94 milhões, garantindo um vínculo de 5 anos com Washington.

Na prática, a troca significou o fim da era Cousins em Washington, marcada por uma boa temporada em 2016 que terminou com uma derrota decepcionante em casa para os Packers no wild card da Conferência Nacional e muita controvérsia por causa da franchise tag e da resistência do front office dos Skins em garantir um contrato longo a um quarterback que ainda precisa mostrar que sabe vencer quando importa.

Ah, mas o Alex Smith nem é tão melhor assim que Captain Kirk…

Muito se fala do Alex Smith pensando no cara que entrou na liga num dos momentos mais disfuncionais da história dos 49ers, uma franquia que se vangloriava da estabilidade, mas teve 4 técnicos nos 8 anos que Smith esteve por lá. E a verdade é que, mesmo nos momentos mais bizarros dos Niners, Alex Smith foi capaz de bons jogos (como a temporada 7-9 em seu segundo ano na liga) e, principalmente, se tornou um jogador totalmente diferente depois que passou pelas mãos de Jim Harbaugh.

alex_smith_redskins_b_16x9Alex Smith chega em DC aos 34 anos com mais de 3000 jardas e menos de 2% de seus passes interceptados em cada uma das últimas 5 temporadas. São 50 vitórias, aproveitamento de 65,7% (26 derrotas) no período, com 102 touchdowns, 33 interceptações e 60,1% dos passes completados, que apesar de menor que os 65,5% que o Cousins tinha em Landover, são bastante significativos se compararmos os recebedores à disposição de um e de outro.

Esqueça os números. Cousins sempre foi visto pelo front-office dos Skins como o jogador perfeito para as situações de calmaria (dropback-first read-passe-recepção). Isso funciona muito bem quando a OL titular dos Skins (top 3 da liga e uma das grandes forças da equipe) estava no jogo ou contra defesas menos agressivas. Mas a dificuldade que Cousins demonstra para adaptar e ajustar às coberturas quando seu alvo primário está coberto sempre incomodou Jay Gruden (justo ele, quatro vezes campeão e um dos maiores QBs da história da Arena Football – onde tempo pra pensar é ainda menor que a NFL).

O que os Redskins viram no Smith e que os fizeram abrir mão de um quarterback 4 anos mais novo e de um defensor bastante promissor é um jogador capaz de transformar a franquia novamente em um time vencedor e liderar um elenco cheio de potencial. A sua capacidade de fazer qualquer tipo de arremesso, de ler as defesas e, principalmente, de vencer jogos apertados é rara na liga e vai ser fundamental na divisão mais forte da liga.

Além da QBância

Os Redskins em 2017 não servem como base de parâmetro para muita coisa. Absolutamente destroçados por lesões dos dois lados da bola, Washington terminou a temporada com VINTE E QUATRO jogadores na Injury Reserve, incluindo seu pick de primeira rodada no draft, Jon Allen, e sua principal arma ofensiva, Chris Thompson. A situação foi tão crítica que os Redskins chegaram a vestir apenas 5 jogadores de linha ofensiva em um jogo da temporada e usando o long snapper como center em situações de emergência. Mesmo se arrastando pela temporada, o time conseguiu terminar em terceiro na divisão, com 7-9 bem digno.

 

CHEGADAS E SAÍDAS

Paul RichardisonRichardson

2018 chegou e, além de um novo QB, Washington trouxe apenas o receiver Paul Richardison, ex-Seattle, e o linebacker Pernell McPhee, ex-Baltimore e Chicago. Em compensação, o número de saídas foi bem maior: 13. Além da aposentadoria de DeAngelo Hall, que não jogava desde 2016, os destaques são as saídas dos receivers Terrelle Pryor (NYJ) e Ryan Grant (IND), dois dos principais alvos do Cousins em 2017, além de Cousins e Fuller, já mencionados.

O foco do front office para recompor o elenco e continuar o processo de reconstrução da franquia foi o draft e, no que tem se tornado uma tendência positiva, a torcida e a imprensa de Washington saíram do recrutamento satisfeitas com o trabalho feito.

 

DRAFT

Antes do draft, Doug Williams (sim, aquele Doug Williams, primeiro QB negro a vencer um SB na história e MVP do SB XXII, agora SVP de Player Personnel dos Skins), havia dito que o objetivo era sempre o “melhor jogador disponível”. De cara, o melhor disponível era um jogador que Washington achava que sairia antes e que caía como uma luva no esquema defensivo do time:

daronpayne_dd2Da’Ron Payne, nose tackle de Alabama. O MVP de ambos Sugar Bowl e National Championship Game em 2018 havia encantado os Redskins no Combine e no workout de Alabama e recria a dupla com Allen (primeiro pick do ano passado).

No segundo dia, Washington continuou juntando a fome com a vontade de comer com Derrius Guice, RB de LSU, e Geron Christian, OT de Louisville, dois jogadores com excelentes carreiras no College – e talentos de primeira rodada em alguns boards, mas com algumas interrogações que fizeram que caíssem no draft (Guice teve problemas em visitas com outras franquias, demitiu seu agente e era visto por muitos como “high maintenance”, enquanto alguns times questionaram o atleticismo de Christian).

A partir daí, com suas três principais necessidades endereçadas, os Redskins foram para o terceiro dia completando seu draft com bons valores: NT Tim Settle e CB Greg Stroman (ambos de Virginia Tech), S Troy Apke (Penn State), ILB Shaun Dion Hamilton (Alabama) e o Mr Irrelevant, WR Trey Quinn (SMU), que tem tudo para ser extremamente relevante em Washington e ficar no roster.

Os Skins ainda aproveitaram a oportunidade de uma turma incomum de Supplemental Draft pra draftar o CB Adonis Alexander de Virginia Tech na sexta rodada. Gigante para posição (1,90m e 93 kgs) com um talento natural e bastante cru, Alexander preocupa justamente pelos motivos que o tornaram elegível ao Supplemental Draft (prisão por posse de maconha e problemas de elegibilidade acadêmica), mas a franquia espera que a companhia de outros ex-companheiros de VT e a boa influência de Josh Norman possam ajudá-lo a amadurecer. Até agora, o time parece ter gostado do que viu, tanto que dispensou Orlando Scandrick, contratado na offseason, depois do primeiro jogo da pré-temporada.

Adrian-Peterson-impressive-in-Washington-Redskins-debutAdrian Peterson

E foi justamente o primeiro jogo da pré-temporada que trouxe uma das maiores surpresas dessa pré-temporada da NFL. Com a contusão de Guice no primeiro jogo (ruptura do ligamento cruzado do joelho, fora da temporada), e lesões menores em outros running backs, Washington resolveu trazer Adrian Peterson e Jamaal Charles para tryouts e acabou assinando com o primeiro, mais familiarizado com os packages de corrida que o ataque de Jay Gruden usa. Depois de 11 tentativas e 56 jardas no primeiro jogo, a expectativa é ver o quanto mais de lenha AP tem para queimar. A chance de estar no roster é boa, mas vai precisar produzir para se manter. Scandrick que o diga.

Previsão

Estar na mesma divisão que o atual campeão (e antigo saco de pancada da divisão) não ajuda, mas os Redskins se reforçaram bem e devem brigar pela segunda posição da NFC East com Cowboys e Giants. É uma das tabelas mais difíceis da liga – aliás, de acordo com o modelo do Warren Sharp, das semanas 3 a 17, os Redskins tem A tabela mais difícil da NFL. Mas tem um homem novo no centro, e em Alex we trust.

Se Landover não virar um hospital de novo, acredito em 9-7, brigando pelo segundo wild card da Liga Nacional. A chave vai ser vencer em casa principalmente os jogos contra os rivais de divisão, coisa que Washington tem feito pouco nas últimas temporadas.

A série de Previews da NFL é um oferecimento do BLOG MAJOR SPORTS para todos os torcedores e amantes desse esporte maravilho! Siga nosso blog nas redes sociais:

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