especial

Seattle SEAHAWKS: Muito mais que Russell Wilson

Por Arthur Ferreira:

ANÁLISE

pete-carroll-seattle-seahawks-contract-extensionDesde que Pete Carroll assumiu a frente da franquia em 2010, a equipe só teve dois anos com campanha negativa. No ano de 2010 (que por coincidência a equipe chegou aos playoffs) e em 2011. Modificou toda a cultura e a estrutura da equipe, voltou os olhos para o draft, parou de apostar em medalhões e extraiu o melhor dos seus UDFA (undrafted free agents – jogadores que não foram draftados).

Essa filosofia foi revolucionária ao longo desses 7 anos no comando da cidade esmeralda, porém, nos últimos 4 anos a franquia vem sofrendo com problemas em sua linha ofensiva, problemas esses que foram mascarados pela qualidade dos corredores, mas que ficou escancarado nos últimos quando o backfield foi ficando menos talentoso e Russell Wilson começou a fazer mais mágica do que o normal.

Na temporada passada (17-18) vimos diversos problemas, desde a implosão no vestiário que culminou nas saídas de estrelas como Michael Bennett e Richard Sherman até erros mais do que claros de Darrell Bevell, o coordenador ofensivo que nunca fez nada na franquia além de mostrar sua total incapacidade de lapidar talentos e executar chamadas simples [QUE PISTOLADA!!!]. O recorde de 9-7 e as consecutivas idas aos playoffs não foram o suficiente (até que enfim) para que essa situação persistisse. O time entrou em rebuild (reconstrução), situação que deveria ter ocorrido após a derrota para New England no fatídico Super Bowl 49. A varrida sofrida na temporada passada para o Rams evidenciou o que todos sabiam. O time não tinha mais condições de sustentar tanto caos ao mesmo tempo. Além das lesões de ícones como Kam Chancellor, Cliff Avril, Earl Thomas e até mesmo de Duane Brown, a equipe tentou de todas as formas lidar com as adversidades e chegou muito longe, pudemos inclusive observar novos talentos nascerem e brilharem como Brad McDougald e Shaq Griffin.

DRAFT

Rashad PennyRound  1,  No.  27  overall: Rashaad  Penny,  RB,  San  Diego  State

Seattle entrou no draft com uma filosofia: linha ofensiva. Mas com o decorrer do draft, talentos que eram cotados pela equipe para tais posições demonstraram que outra posição de ataque acabaria sendo adicionada: Running Back. Não seria surpresa, inclusive pela troca que a equipe executou para adquirir mais escolhas, mas a surpresa veio pelo nome do jogador: Rashaad Penny. Com o tão badalado Derrius Guice disponível (pelo estilo de jogo parecido com o de Marshawn Lynch era o nome ideal), Sony Michel e Nick Chubb, Carroll preferiu o talentoso corredor de San Diego State. Apesar de não ser tão badalado, Penny liderou a NCAA em jardas terrestres (2,248 jardas) e ainda fez 38 touchdowns em 3 temporadas. Leve em conta que ele não perdeu nenhum jogo pela universidade (foram 54 jogos nos últimos 4 anos) com o fato de Seattle ter uma linha ofensiva não tão segura e temos um combo que Carroll adora: um RB físico, mas habilidoso e muito, mas muito veloz. Seus ângulos de rota são notáveis e apesar de muita gente não considerar seu nome para OROY, ele pode emergir como um sério candidato, vale a pena ficar de olho.

Round 3, No. 79 overall: Rasheem Green, DE, USC

Com poucas escolhas no começo do draft, onde os melhores (em teoria) saem, o Front Office de Seattle precisava ser cirúrgico, pois é, conseguiram. Seattle perdeu nomes como Cliff Avril e Michael Bennett, além de Dion Jordan que não se provou o talento que sempre foi no college. O novato de USC é uma força da natureza, imediatamente pode oferecer impacto pelo seu tamanho e habilidade para se desvencilhar no primeiro contato. Em 3 temporadas ele contabilizou 16,5 sacks e 20 tackles para perda de jardas. O seu talento é tanto, que ele jogou como DT, DE e EDGE, é uma arma que já vimos em anos passados (Frank Clark) que pode suprir e municiar uma rotação que sempre foi forte na NFL.

griffinRound 5, No. 141 overall: Shaquem Griffin, LB, Central Florida

Chegamos à cereja do bolo. Griffin tem uma história de vida incrível, o fenômeno não possui uma das mãos devido à uma doença rara chamada de Síndrome da Banda Amniótica, doença que ocorre durante a gestação e atrapalha o desenvolvimento de partes do corpo do feto. Aos 4 anos de idade, Shaquem foi encontrado pela sua mãe com uma faca tentando cortas sua mão esquerda devido as fortes dores que ele sentia, assim, seus pais agendaram a amputação de sua mão. Mas isso nunca foi empecilho, desde sempre o garoto ouvia que não poderia ser jogador e aí entra seu irmão gêmeo, Shaquill Griffin, CB da equipe do Seahawks.

Os irmãos sempre foram muito ligados, um sempre ajudava o outro inclusive na universidade onde os dois jogaram juntos. Mas não pense que por ter só uma mão, Shaquem é menos capaz. O LB de Central Florida flutua em campo, produzindo interceptações (!), tackles para perda de jardas e uma leitura de rotas invejável. Ele vem pra suprir uma

necessidade que Seattle tem desde a saída de Bruce Irvin, a posição de SAM Linebacker. Somado a Bobby Wagner e K.J. Wright, temos um trio de Linebackers invejável na liga.

As outras escolhas…

Round 4, No. 120 overall: Will Dissly, TE, Washington: um grande TE com habilidade para bloquear a corrida como poucos. Tendo em mente que Seattle vem em uma temporada de reconstrução, fixar uma deficiência como a proteção ao jogo terrestre, é um ótimo começo, podendo maximizar o jogo de Penny e os outros no backfield.

Round 5, No. 146 overall: Tre Flowers, CB, Oklahoma State: Flowers jogou como Safety na universidade, mas Carroll vê talento nele como Cornerback. Mesmo que a perda de Sherman seja imensa, Flowers ao lado de Byron Maxwell irão tentar lidar com esse lado defensivo do campo. Flowers é um rápido defensor e com uma ótima envergadura o que pode acrescentar muito na rotação, permitindo que ele possa entrar em situações de Flex na equipe.

Round 5, No. 149 overall: Michael Dickson, P, Texas: Dickson foi uma surpresa, pois era cotado para sair muito depois. Mas conhecendo o Front Office de Seattle, eles não deixam talentos passarem assim. Dickson foi o melhor punter do futebol universitário, algo que explica sua aquisição.

Round 5, No. 168 overall: Jamarco Jones, OT, Ohio State: Para o ódio de muitos, Seattle foi adicionar talento a linha ofensiva muito tarde. Jones um LT pequeno para a posição e muitos acreditam que ele é um talento para rotação, não para ser titular.

Round 6, No. 168 overall: Jake Martin, OLB, Temple: Novamente, Seattle perdeu muitos nomes defensivos. Apesar de não ser titular, Martin um jogador que pode auxiliar na rotação com sua velocidade e capacidade de perder muitos poucos tackles.

Round 7, No. 220 overall: Alex McGough, QB, Florida International: Uma surpresa, tendo em vista que Seattle ainda tinha Trevone Boykin como QB reserva. McGough é um QB móvel, que lidou em algumas situações com o Read Option, filosofia de Seattle. O QB correu para 533 jardas e fez 16 touchdowns em seu período em FIU.

FREE AGENCY

Seattle perdeu muitos nomes durante o período da Free Agency, além da aposentadoria de lendas como Chancellor e Avril. Levando em conta que foram ajustes que limparam a folha salarial, deixando ela mais cômoda para temporada do ano que vem, a equipe focou em jogadores não tão badalados, mas que complementam áreas onde a equipe está muito jovem e precisa de experiência.

brandon marshallOs melhores nomes que chegaram em Seattle foram o de Brandon Marshall, WR veterano que vem de várias lesões, mas que demonstrou nos treinos que está pronto para formar uma dupla interessantíssima com Doug Baldwin. Russell Wilson está com uma química incrível com ambos, o que já mostra que o ambiente está ótimo em Seattle.

Outro bom nome foi o de Ed Dickson, TE, produziu bons números por Carolina no ano passado substituindo ninguém menos que Greg Olsen. Somando isso a sua naturalidade em bloquear, Dickson pode ser um trunfo em Seattle, suprindo a saida de Jimmy Graham.

Byron Maxwell, CB contestado em Seattle, mas que no seu último ano de contrato produziu números incríveis pela equipe, voltou a Seattle após uma passagem apagada no Miami Dolphins. O jogador já conhece o esquema de Carroll, com tudo o que aconteceu, acaba sendo um bônus tê-lo na equipe.

O kicker Sebastian Janikowski, merece destaque também. O veterano deixou Oakland após muitos anos. Para uma equipe que teve Blair Walsh como kicker, qualquer coisa é lucro.

Mo Alexander, S, um nome que vem com um grande asterisco. Qual Mo chega em Seattle, o pré lesão ou o do último ano no Rams. Alexander foi Strong Safety da equipe de Los Angeles durante a temporada de 2016, ele contribuiu com mais de 50 tackles, 2 passes interceptados e 4 passes desviados em 14 jogos. Ao lado de Tedric Thompson, são os responsáveis por tentar suprir a falta de Kam Chancellor.

Outros nomes não tão famosos chegaram em Seattle para somar com toda a qualidade que a equipe possui, mas não merecem muito destaque.

A DEFESA IRÁ SURPREENDER MUITA GENTE

Não dá pra dizer que essa defesa será excepcional como a tão aclamada época da Legion of Boom. Sem Chancellor e Sherman, com Earl Thomas e seu imbróglio contratual, se torna impossível. Além das perdas de Bennett, Avril e Sheldon Richardson, que atingiram diretamente a produção defensiva da equipe. Mas, contudo, há nomes que emergem como líderes e que entendem seu papel e importância na equipe como Bobby Wagner e K.J. Wright.

Earl thomasBobby Wagner

Bradley McDougald não é um Kam Chancellor, mas ele é com certeza acima da média. O futuro de Earl Thomas continua incerto, mas creio que ele jogue esse último ano pela franquia da cidade esmeralda e vai jogar com vontade, justamente para mostrar que ele vale todo esse dinheiro que está reivindicando. Shaquill Griffin tem potencial para ser um Shutdown Cornerback com Frank Clark parecendo cara vez melhor, ganhando o apelido de “sack machine”, Jarran Reed, Naz Jones já mostraram flashes de qualidade e agora tem a possibilidade de se afirmarem com a titularidade. Rasheem Green, Shaquem Griffin e Ter Flowers, estão tendo a chance de se estabelecer e merecer a oportunidade da rotação de Seattle. Inclusive Green tende a ser o titular na linha defensiva com Flark Cark, pois o novato de USC é uma força da natureza e vai mostrar que foi um steal da equipe dos Seahawks. Em suma, o time perdeu muito, muito mesmo, mas também tem muito o que se motivar e esperar dessa juventude que vem com tudo.

EXPECATIVA

No cenário atual da NFL com tantos times emergindo como potências (Jacksonville Jaguars e Los Angeles Rams são ótimos exemplos), muitos analistas indicam que a equipe dos Seahawks por estar lidando com o rebuild, seria incapaz de almejar algo grande na temporada, o que em teoria está correto, pois a equipe rejuvenesceu muito, uma grande quantidade de rookies e outros jogadores que terão a responsabilidade de cobrir lacunas de all-stars como Sherman e Bennett.

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Na prática, sabemos que Seattle é historicamente a equipe que mais surpreende na liga. Nos últimos 10 anos, foi a equipe da NFC que mais demonstrou capacidade de lidar com mudanças, quando ninguém mais esperava (como o jogo contra Green Bay na virada épica no NFC Championship). Mas, porque essa temporada a equipe pode surpreender mesmo com tudo isso? Carroll é conhecido pela sua fama de paizão, lidar com jovens é uma de suas maiores qualidades. Schottenheimer tem uma filosofia que se enquadra com a do técnico, e dessa sintonia podem surgir ótimos frutos, principalmente levando a verticalidade dos Running Backs novamente, algo que Bevell parecia usar por obrigação.

RUSSÃORussell Wilson

Não me surpreenderia se Seattle terminasse com 10 vitórias e 6 derrotas, afinal, Russell Wilson jogou como um verdadeiro MVP nas últimas duas temporadas e vem melhorando a cada ano e com mais alvos e uma sintonia incrível com seus recebedores, tende a ser o ponto mais forte da equipe. Seattle nunca gostou de ser o centro das atenções, sempre preferiram ser o “underdog” e pode ser a motivação que a equipe precisa para desenvolver talentos e manter a excepcional qualidade defensiva que se construiu ao longo dos últimos anos.

 

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