especial

Philadelphia Eagles – Um olho no passado e outro no futuro

Por Vini Gonçalves

A vida é feita de momentos inesquecíveis. Todo mundo guarda com carinho especial fatos que foram importantíssimos em sua vida nos mais variados eventos. E para o torcedor do Philadelphia Eagles, o dia 04 de fevereiro de 2018 terá sempre um lugarzinho reservado em sua memória, assim como toda a temporada de 2017 da NFL.

No inicio da temporada passada, a equipe não era apontada como uma das favoritas, mas com contratações que encaixaram perfeitamente no elenco, o time começou a temporada voando, acumulando várias vitórias e chamando a atenção dos analistas.

eagles

Uma Temporada inesquecível

Com uma campanha sólida, o Eagles passou a ser considerado um dos favoritos ao título e Carson Wentz era cogitado para ser MVP da temporada regular. Neste momento, vários jogadores chave da equipe se lesionaram, entre eles Jason Peters e o próprio Wentz, o que fez com que a empolgação da torcida se transformasse em tristeza ao considerar que as reais chances de título tivessem acabado.

Porém, o time se uniu sob a liderança do técnico Doug Pederson e começou a vencer todas essas dificuldades. Nos playoffs, já sob comando do quarterback Nick Foles, vitória apertada sobre o Falcons e uma exibição incrível contra o Vikings carimbando a passagem para o Super Bowl LII. A torcida estava eufórica novamente e os analistas tentavam entender como esse time conseguiu dar a volta por cima sem seus principais jogadores.

E aqui, neste instante, eu volto para o início do texto: os momentos inesquecíveis. Daqui muitos anos, todos nós torcedores ainda vamos lembrar de vários detalhes daquele dia. Seja do nervosismo pré-jogo ou do entusiasmo quando o time começou a pontuar. Seja da apreensão todas as vezes que o Patriots começava a encostar no placar e a angústia quando eles conseguiram virar o jogo no último quarto. Seja do queixo caído sem entender direito o que estava acontecendo quando aconteceu o Philly Special ou da explosão de alegria quando o Zach Ertz marcou o touchdown final do jogo. Seja quando as lágrimas caíram e você sabia que aquilo era verdadeiramente real no momento em que o Brandon Graham conseguiu um fumble incrível e quando o último lançamento de Tom Brady tocou o gramado. Euforia! Festa! Alegria! O grito de campeão entalado na garganta por tanto tempo finalmente encontrou o ar.

Todas essas emoções que o esporte proporciona é o que o torna algo tão fantástico em nossas vidas e ao mesmo tempo nos dá várias lições. Qual dos torcedores do Eagles não refletiram após os discursos de vestiário do Doug Pederson ou principalmente as falas do Jason Kelce durante a comemoração do título lá na Philadelphia? E no fundo, a mensagem foi clara, a equipe aproveitou muito o título e tudo que ele representa para a cidade e seus torcedores, mas eles não querem parar por aqui. O grande objetivo da equipe agora é repetir o feito de 2017. E neste sentido, a equipe teve diversas mudanças, as quais analisaremos agora para discutir se o time realmente briga pelo bicampeonato.

Comissão Técnica:

É comum a mudança no comando técnico das equipes com baixo desempenho ao fim da temporada. Buscando novos rumos, os alvos favoritos costumam ser coordenadores consagrados ou com sucesso recente em outras franquias. E a campanha vitória do Eagles em 2017 chamou a atenção de alguns times, fazendo com que dois treinadores mudassem de franquia com novos cargos: Frank Reich (Coordenador Ofensivo) e John DeFilippo (Quarterback Coach).

Os dois treinadores tiveram papel fundamental não apenas no desenvolvimento de Carson Wentz desde que foi draftado pelo Eagles, mas também no desempenho de Nick Foles durante os playoffs. Reich será treinador principal do Colts e DeFillipo será coordenador ofensivo do Vikings. Ambos assumirão responsabilidade de chamar jogadas, algo que na Philadelphia era responsabilidade do técnico Doug Pederson. Para seus lugares foram promovidos Mike Groh e Press Taylor, respectivamente.

O novo coordenador ofensivo Mike Groh chegou na franquia em 2017 como treinador de Wide Receivers. O seu impacto no setor foi notável, visto ter sido um dos maiores pontos fracos da equipe em 2016. Seu grande feito foi a melhora surpreendente do jogador Nelson Agholor (WR), que vinha decepcionando desde que foi draftado e passou a ser uma arma bastante efetiva no ataque. Groh possui experiência anterior nesta função entre 2006 e 2008 pela faculdade de Virginia.

Jim Schwartz

Um aspecto positivo e muito comemorado pelos torcedores foi a manutenção do coordenador defensivo Jim Schwartz. Com muita experiência e o ótimo desempenho do setor em 2017, Schwartz era um dos nomes mais cotados para voltar a ser técnico principal, o que não ocorreu. Sob seu comando, o time teve a melhor defesa contra o jogo corrido da liga (79,2 jardas por jogo) com destaque para a constante pressão no quarterback adversário. Com sua manutenção, a expectativa é de que a defesa mantenha o alto nível na próxima temporada.

No começo de agosto, a franquia anunciou ainda a extensão dos contratos de Doug Pederson e Howie Roseman até 2022. Ambos tiveram grande destaca na campanha vitoriosa do ano passado e se continuarem realizando o trabalho com a mesma competência, espera-se que a dobradinha fique por muitos e muitos anos na Philadelphia.

Draft

Howie Roseman é conhecido por ser bastante ousado e agressivo durante sua carreira quando o assunto é trocas. No último ano não foi diferente, adquirindo jogadores como Jay Ajayi (RB) e Ronald Darby (CB) com escolhas do Draft 2018. O resultado em campo foi excelente, porém, ao dar escolhas futuras, diminui o tamanho da classe de jogadores selecionados pela franquia. Em 2018, o Eagles acabou selecionando apenas cinco jogadores, sendo o primeiro deles Dallas Goedert (TE) no 2nd round.

Dallas Goedert

Vindo de uma faculdade menos expressiva, South Dakota State, Goedert tem grande potencial ofensivo e pode formar uma dupla incrível com Zach Ertz na posição, podendo ser um verdadeiro pesadelo para as defesas dentro da Red Zone. Com ótima altura e atleticismo, seu destaque é na recepção de passes, precisando desenvolver melhorar suas técnicas de bloqueio. No primeiro jogo da pré temporada, o jogador se destacou marcando seu primeiro touchdown com a camisa do Eagles.

No quarto round, o Eagles selecionou dois jogadores defensivos: Avonte Maddox (CB) e Josh Sweat (DE). Vindo da faculdade de Pittsburgh, Maddox se destaca pela ótima velocidade e bons instintos. Apesar da respeitável produção em sua carreira universitária, sua baixa estatura dificulta o aproveitamento dele jogando na lateral do campo, especialmente enfrentando recebedores altos. Tem potencial para ser o slot cornerback do futuro.

Josh Sweat era considerado o melhor prospecto de sua classe quando se preparava para ir para a faculdade. Porém, uma grave lesão no joelho fez com que tivesse que passar por uma complexa cirurgia, sofrendo inclusive risco de amputação. Recuperado e com ofertas de várias faculdades, decidiu ingressar Florida State e recebeu comparações com Jadeveon Clowney. Nos três anos em que foi titular, passou por mais duas cirurgias, o que causa preocupação com sua saúde no longo prazo. Apesar dos problemas, conseguiu uma produção interessante com 14,5 sacks e 29 Tackles for Loss em 37 partidas. Se alcançar todo o seu potencial, pode ser considerado o “steal” (jogador escolhidos nos rounds intermediários e finais e que acaba se tornando dominante) deste draft.

Finalizando as escolhas, o Eagles selecionou dois jogadores para a linha ofensiva: Matt Pryor (OG) e Jordan Mailata (OT). Pryor jogou principalmente como Tackle em TCU, porém na NFL será Guard, e deverá ser o reserva do titular Brandon Brooks. É um jogador em desenvolvimento para o futuro com bom potencial. Jordan Mailata, por outro lado, é claramente um projeto. Ex-jogador de rugby vindo da Austrália, ele ainda está aprendendo a jogar futebol americano. Porém, seus atributos atléticos impressionam muito. Ele precisará de bastante tempo para desenvolver seu jogo, mas se conseguir aprender adequadamente o esporte pode se tornar um jogador dominante na posição. Por uma escolha de 7th round vale o risco.

Mudanças no elenco

NFL: Preseason-Tampa Bay Buccaneers at Philadelphia Eagles

Carson Wentz

O elenco do Philadelphia Eagles teve mudanças importantes para 2018. Dos jogadores que deixaram a equipe a perda mais significativa será de Patrick Robinson (CB) que recebeu uma proposta bastante lucrativa do Saints. Ele foi uma das gratas surpresas da temporada passada e sua ausência deverá ser suprida pelo jogador Sidney Jones (CB).

Jones foi draftado em 2017 no 2nd round, mas praticamente não atuou devido a uma grave lesão sofrida antes do Draft. Jones é um grande talento e era esperando ser um dos primeiros quinze jogadores selecionados naquele evento até a lesão ocorrer. A expectativa é que Darby, Mills e Jones sejam os escolhidos para as vagas da posição, faltando definição de qual deles ficará responsável pelo interior da secundária.

Grandes mudanças também foram observadas na linha defensiva, ponto crucial da defesa de Jim Schwartz. Dois jogadores importantes deixaram a franquia: Vinny Curry (DE) e Beau Allen (DT). Eles não eram titulares, porém, como o coordenador defensivo costuma rotacionar muito seus jogadores nestas posições, tiveram participação decisiva em 2017. Ambos foram contratados pelo Tampa Bay Buccaneers. Dois veteranos conhecidos foram contratados para estas posições: Michael Bennett (DE) e Haloit Ngata (DT). Além deles, jogadores jovens poderão se beneficiar com um maior número de snaps, como é o caso do segundanista Derek Barnett (DE).

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O QB campeão do superbowl NICK FOLES

No ataque, a posição de quarterback será representada novamente por Carson Wentz e Nick Foles. Wentz ainda está se recuperando da lesão que o tirou do final da temporada. Dessa forma, Foles poderá comandar o ataque no início da temporada. Entretanto, o discurso na Philadelphia é claro em afirmar que o posto é de Wentz e assim que ele estiver 100% deverá reassumir a titularidade.

As armas ofensivas serão diferentes em 2018, com mudança no corpo de recebedores e no jogo corrido. Torrey Smith (WR) foi trocado e para seu lugar veio Mike Wallace (WR) que teve ótimas campanhas pelo Steelers no início da carreira e se destaca principalmente pela sua velocidade. O jogo aéreo perdeu também Brent Celek (TE) e Trey Burton (TE). A expectativa é que o calouro Dallas Goedert supra a produção destes jogadores, principalmente em jogadas na Red Zone.

No jogo corrido, um dos principais running backs, LeGarrette Blount, não renovou seu contrato e foi para o Lions. Jay Ajayi será o principal nome do setor, mas contará com a ajuda do veterano Darren Sproles, que adiou sua aposentadoria por mais um ano. O retorno de Sproles ajuda ainda no Special Teams por ser um ótimo retornador.

Ainda falando do Special Teams, o Eagles tem um novo punter após a saída do antigo titular Donnie Jones. Cameron Johnston deverá assumir a função já que é o único atualmente disputando a vaga no elenco. No primeiro jogo da temporada ele chamou a atenção por um chute de 81 jardas que infelizmente foi anulado por uma falta na jogada.

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Jay Ajayi

Conclusão

O Philadelphia Eagles conquistou o grande objetivo da franquia nas últimas décadas ao ganhar o Super Bowl LII. E a comissão técnica já declarou que o grande objetivo a partir de agora é repetir o feito. E isso realmente pode acontecer.

Analisando o elenco, o time deste ano pode ser considerado mais forte do que o ano passado, principalmente se todos os jogadores lesionados voltarem em alto nível. Por outro lado, o calendário tem jogos bem complicados, sendo os mais difíceis na minha opinião: Jaguars, Saints e Rams – fora de casa; Panthers e Vikings – na Philadelphia.

Dentro da divisão, os times também sofreram mudanças. O Giants será um time muito diferente de 2017, com o retorno de Odell Beckham Jr (WR) e a chegada do calouro Saquon Barkley (RB), o que pode tornar o ataque muito dinâmico e explosivo. O Redskins mudou seu quarterback, trazendo o experiente Alex Smith (QB), sendo necessário avaliar qual impacto o jogador vai causar no desempenho do time. O Cowboys continuará dependente de Ezekiel Ellitot (RB) em seu ataque, principalmente após as saídas de Jason Witten (TE) e Dez Bryant (WR) e tendo um corpo de recebedores um tanto quanto questionável.

Diante de todo o exposto, acredito ser o Eagles favorito para ganhar a divisão, com chances de brigar por uma folga na primeira rodada dos playoffs. Pós temporada é um campeonato à parte e tudo pode acontecer. Mas o Eagles tem tudo para jogar novamente em janeiro e com reais possibilidades de disputar um novo Super Bowl.

A franquia está numa ótima posição para o futuro, com uma grande quantidade de jovens e talentosos jogadores, contratos longos para suas estrelas, um técnico que mostrou ano passado saber como criar um ambiente favorável e vencer adversidades, um general manager agressivo e que sabe fazer ótimos negócios e um quarterback que já é considerado um dos melhores da liga e que tende a jogar em altíssimo nível pela próxima década. Somados todos esses fatores, fica difícil conter a empolgação do torcedor que espera poder sentir novamente tudo aquilo que vivenciou no dia 04 de fevereiro de 2018.

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