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Rivalidades – Futebol Nacional (Os 12 Grandes – Pt. 1)

Primeiro texto da série ‘Rivalidades’. Como anunciado, começando no esporte bretão. O mais amado do país.

Clássicos nacionais sempre são especiais, não importa a fase do rival. É sempre um campeonato a parte, já diziam os mais antigos.

De início, seria rankeado o top 10 dos duelos envolvendo os 12 grandes clubes do Brasil. Mas não seria justo. Então, os 15 grandes duelos envolvendo os gigantes serão falados aqui, em três capítulos, para contar a origem do nome e os grandes momentos envolvendo os times dentro do campo.

Iniciando a parte 1:

Flamengo x Botafogo (Clássico da Rivalidade)

– Ano do primeiro clássico: 1913 (106 anos de história)
– Número de jogos: 368 (134 vitórias do Flamengo, 111 do Botafogo e 123 empates)
– Gols: 1079 (564 do Flamengo e 515 do Botafogo)
– Maior goleada do rubro-negro: 8×1 (Carioca 1926)
– Maior goleada do alvinegro: 9×2 (Carioca 1937)
– Maiores artilheiros do clássico: Heleno de Freitas (22 gols) e Zico (16 gols)
– Decisões: Carioca (5, 3×2 Flamengo) e Brasileiro (1, vencida pelo Flamengo)
– Curiosidade: já foi disputado em duas capitais do futebol (Buenos Aires e Milão)

A história de rivalidade começou fora do campo, no esporte primário dos times: o remo. Flamengo e Botafogo duelavam não só pela glória, mas também pela conquistas das mulheres, à época.

O Botafogo pode atravessar momentos turbulentos por anos, mas no seu período mais dominante, ostentava ser o maior do Rio de Janeiro e um dos poucos a jogar de igual para igual contra a máquina santista de Pelé. O Flamengo sofreu na mão do alvinegro, a ponto de provocações do goleiro Manga, afirmando que gastava o bicho antes do jogo, pois a vitória era certa. Fato comprovado nos anos 60. Em 1972, a Estrela Solitária venceu o rival por 6-0 e virou mais uma provocação.

Isso fez um certo galinho pegar cada vez mais raiva do Botafogo e fez o rival pagar com juros e correção monetária. Hoje, quem vê o clássico e a mudança no placar geral, não imaginava no tanto que o rubro-negro apanhou. Lembra dos 6-0? O Flamengo devolveu, depois de nove anos. O jogo da vingança rubro-negra. A reviravolta foi tamanha que o alvinegro ficou 21 anos sem ganhar um título. O jejum começou em 1968 e terminou com o gol de Maurício na decisão do Carioca contra o Mengo, em 1989.

O ápice do embate veio em 1992, quando decidiram o título do Campeonato Brasileiro. Comandado pelo maestro Júnior, que havia retornado da Itália, o Flamengo derrubou o rival na decisão (3×0 e 2×2 nos confrontos) e conseguiu seu maior título de expressão em finais contra o Fogão.

Anos mais tarde, o duelo voltava a tona nas decisões regionais. Em 2008, na final da Taça Guanabara, Diego Tardelli fazia o gol de desempate aos 47 do segundo tempo. Com a expulsão de dois jogadores do Botafogo, reclamações de técnicos e dirigentes e o choro na coletiva após a derrota, criou-se o apelido ‘chororô’ para os botafoguenses por conta desse episódio. Souza ‘Caveirão’ colocou mais pimenta no confronto ao fazer o gesto do chororô na comemoração de um gol no jogo seguinte e virou marca registrada, principalmente entre os flamenguistas. A animosidade dos botafoguenses com o atacante repercute até hoje, e o ex-centroavante não faz questão de esconder.

Com o tri-campeonato carioca do Flamengo entre 2007 e 2009, o Botafogo teve seu gostinho de vingança ao interromper a sequência vencendo o título Carioca de 2010 contra o Império do Amor, formado por Adriano e Vágner Love. Com o título do primeiro turno, bastava vencer o Flamengo no segundo turno (Taça Rio) para levantar o caneco. Naquela tarde de domingo no Maracanã, Loco Abreu e Jefferson gravaram seu nome na história do alvinegro carioca.

Fechando, no último título a nível nacional do Mengão, os dois se cruzaram nas quartas-de-final da Copa do Brasil, em 2013. Com um show de Hernane Brocador, o Flamengo fez 4×0 no jogo da volta (empate por 1×1 na ida), com direito ao Maracanã lotado cantar ‘Parabéns para você’ para homenagear o aniversariante do dia: Léo Moura.

Santos x Palmeiras (Clássico da Saudade)

– Ano do primeiro clássico: 1915 (104 anos de história)
– Número de jogos: 327 (105 vitórias do Santos, 137 do Palmeiras e 85 empates)
– Gols: 1026 (471 do Santos e 557 do Palmeiras)
– Maior goleada do peixe: 7×0 (Amistoso 1915)
– Maior goleada do alviverde: 8×0 (Paulista 1932)
– Maiores artilheiros do clássico: Pelé (32 gols) e Heitor (13 gols)
– Decisões: Paulista (3, 2×1 para o Palmeiras) e Copa do Brasil (1, vencida pelo Palmeiras)
– Curiosidade: dentre todos os clássicos nacionais, é o duelo que teve mais gols marcados em uma única partida (7×6, em 1958)

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Um duelo das antigas que ficou marcado pelas clássicas Academia de Futebol e do Esquadrão da Vila, comandados por Ademir da Guia e Pelé, respectivamente. O nome é em homenagem nostálgica as equipes que são lembradas por gerações e fãs de futebol.

Após hiatos e uma grande adormecida, os times protagonizaram um jogo onde não valia nada no Campeonato Paulista de 1983. O personagem foi o árbitro José de Assis Aragão, que ‘participou’ do gol do Palmeiras no empate por 2×2.

jorginhoTrês anos depois, em um duelo válido pelo Brasileirão, o Palmeiras venceu o Santos por 1×0 e a torcida alviverde entoou pela primeira vez o grito ‘dá-lhe porco’. Antes, os palestrinos eram chamados de ‘porcos’ pelos rivais desde a Segunda Guerra Mundial, como forma de ofensa aos italianos por serem rivais dos aliados (na qual fazia parte o Brasil). A vergonha acabou ali e Jorginho, autor do gol de ‘juiz’, estampou a capa da Revista Placar com o novo mascote da equipe.

Nos anos 90, o Santos vivia uma grande seca de títulos. Chegou perto do Brasileiro em 1995, mas caiu naquele jogo polêmico contra o Botafogo. No ano seguinte, o Palmeiras iria até a Vila encarar o rival e enfiou nada menos do que 6×0! Era o ataque dos 100 gols fazendo outra vítima.

Em 2000, era a vez do Santos se sair bem. Na semifinal do Paulistão, a equipe praiana precisava virar um 2×0 para voltar a decisão do campeonato depois de 16 anos. A virada veio com Eduardo Marques, Anderson Luiz e Dodô, no finalzinho. Festa alvinegra no Morumbi.

Nove anos mais tarde, outra semifinal de regional. No Santos, era os primeiros passos de Neymar e cia. Sem se intimidar diante do favoritismo alviverde, vitória na Vila por 2×1. No Palestra, onde o Peixe tinha um enorme tabu, repetiu o placar para chegar a mais uma decisão. A partida em São Paulo ficou marcada pela briga entre Diego Souza e Domingos.

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No ano seguinte, outro clássico válido pelo Paulista de tirar o fôlego. O Palmeiras saiu vitorioso na Vila, no triunfo por 4×3 contra o rival praiano. Em um dos gols, uma comemoração ficou gravada pelo ‘Armeration’.

Em 2015, a rivalidade ganhou força com dois personagens: Fernando Prass e Ricardo Oliveira. Em campo, foram duas decisões entre os times. A primeira aconteceu no Paulista. Com a vitória por 1×0 em casa e um pênalti desperdiçado, o Palmeiras jogava pelo empate para se sagrar campeão. O jogo terminou 2×1 para o Santos e vitória na decisão por pênaltis, com o erro na cobrança de Fernando Prass.

Em jogo pelo Brasileiro, um gol de Ricardo Oliveira (que sacramentou o 2×0) virou manchete pela comemoração ‘alfinetando’ o arqueiro palestrino. Era o combustível que o Palmeiras precisava.

Meses depois, a decisão valia a Copa do Brasil. Enquanto os comandados de Dorival Júnior queriam o segundo título no ano e da competição, o Palestra queria começar uma nova jornada gloriosa após anos passando por apertos e quase rebaixado pela terceira vez no Brasileiro no ano anterior. Na Vila, Gabigol fez 1×0 e Nilson, no último lance, perdeu um gol antológico.

Na volta, o Palmeiras fez do fator casa e vencia por 2×0. Até Ricardo Oliveira diminuir no finalzinho e forçar os pênaltis. Dessa vez, o herói foi o goleiro palmeirense, que não só defendeu como converteu a cobrança que sacramentou mais um torneio (e máscaras com a comemoração do centroavante santista deram o tom da festa no Allianz Park e viraram marca registrada). Dali em diante, o Palmeiras voltou a ser uma potência nacional.

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Atlético/MG x Flamengo

– Ano do primeiro clássico: 1929 (90 anos de história)
– Número de jogos: 115 (36 vitórias do Atlético, 47 do Flamengo e 32 empates)
– Gols: 362 (175 do Atlético e 187 do Flamengo)
– Maior goleada do galo: 6×1 (Brasileirão 2004)
– Maior goleada do rubro-negro: 5×1 (Amistoso 1979)
– Decisões: Brasileiro (1, vencida pelo Flamengo)
– Curiosidade: único duelo da lista envolvendo times de estados distintos por tudo que envolve

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Duelos inter-estaduais não costumam ganhar força em suma maioria, mas Galo e Urubu ultrapassaram os limites, além da divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. Infelizmente, o duelo não tem um nome oficial.

Tudo começou em 1980, onde o Flamengo de Zico decidia contra o Atlético de Reinaldo o Campeonato Brasileiro. Após o 1×0 no Mineirão, o Galo precisava de um empate para se sagrar bi-campeão. Mas a noite era de Nunes, marcando duas vezes na vitória por 3×2. Como os cariocas tinham vantagem por melhor campanha nas semifinais, o time se sagrou campeão brasileiro pela primeira vez.

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No ano seguinte, o jogo que mudou tudo. Serra Dourada, em Goiás. Atlético e Flamengo se enfrentavam valendo uma vaga para a fase final da Taça Libertadores da América. A partida durou 37 minutos, pois o árbitro José Roberto Wright expulsou cinco jogadores do time mineiro em arbitragem que diverge opiniões. Com isso, o rubro-negro avançaria para ganhar a América pela primeira vez.

Os times protagonizaram outro grande duelo em mata-mata, agora pelo tão comentado Brasileiro de 1987. Pela semifinal da Copa União, Zico e cia venceram os dois jogos (1×0 no Rio e 3×2 em Minas). Ela também é marcada pelo gol de Renato Gaúcho, calando o Mineirão. O Flamengo arrancaria para o que seria o seu tetra-campeonato nacional (mas a história polêmica desse torneio ainda dá o que falar).

A falta de sorte do Atlético diante do seu rival carioca em jogos eliminatórios era grande, mas a reviravolta foi apoteótica. Pela semifinal da Copa do Brasil de 2014, o Galo vinha embalado pelo ‘Eu acredito!’ e da sua melhor fase desde o final dos anos 90, ganhando uma Libertadores inédita e de forma única. Após eliminar outro grande carrasco (Corinthians), o adversário era o Flamengo. No Maracanã, vitória rubro-negra por 2×0. Em Minas, outra virada por 4×1. E com mais um resultado histórico, o Galo iria para a final (que será contada em outro post).

BELO HORIZONTE/ MINAS GERAIS / BRASIL  (05.11.2014) Atlético x Flamengo - no estádio Mineirão - Copa do Brasil 2014 - foto: Bruno Cantini

São Paulo x Corinthians (Majestoso)

– Ano do primeiro clássico: 1930 (89 anos de história)
– Número de jogos: 343 (104 vitórias do São Paulo, 130 do Corinthians e 109 empates)
– Gols: 962 (467 do São Paulo e 495 do Corinthians)
– Maior goleada do tricolor: 6×1 (Paulista 1933)
– Maior goleada do alvinegro: 6×1 (Brasileirão 2015)
– Maiores artilheiros do clássico: Teleco (24 gols) e Serginho Chulapa (15 gols)
– Decisões: Paulista (11, 6×5 para o Corinthians), Brasileiro (1, vencida pelo Corinthians), Rio-São Paulo (1, vencida pelo Corinthians) e Recopa Sul-Americana (1, vencida pelo Corinthians)
– Curiosidade: dentre os clássicos estaduais, é o que detém o maior número de torcedores no geral

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O nome do clássico foi dado pelo jornalista Tommaso Mazzoni, do jornal A Gazeta Esportiva. Na época, mais de 70 mil pessoas foram ao estádio do Pacaembu para assistir a estreia do Diamante Negro, Leônidas da Silva (um dos maiores craques brasileiros), pelo São Paulo.

O duelo ganhou grande peso a partir dos anos 90. Antes disso, eram poucos os jogos memoráveis entre os times. O primeiro grande momento veio em 1982. O São Paulo buscava o tri-campeonato estadual e encarava o Corinthians da Democracia Corintiana, liderado pelo Doutor Sócrates. Com duas vitórias (1×0 e 3×1), com direito a atuação de gala de Biro-Biro e um dos raros gols com dedicatória de Casagrande, o Timão brecava a supremacia do rival e vencia o Tricolor pela segunda vez em finais.

Em 1990, o primeiro estopim e a maior decisão entre as equipes, até então. Vice-campeão em 1989, o São Paulo enfrentaria o Corinthians em mais uma decisão, agora do Brasileiro (primeiro clássico paulista a decidir o campeão nacional). Com duas vitórias por 1×0, o alvinegro ganhava seu primeiro grande título contra um time que seria referência no Brasil, anos mais tarde. Um detalhe curioso: o título foi conquistado no aniversário do São Paulo.

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No ano seguinte, nova final pelo Paulistão. O Tricolor, que não foi rebaixado em 1990 graças ao regulamento confuso da FPF, encarou o mesmo Corinthians. Ali, o meio-campista Raí fez algo raríssimo: três gols em um clássico, e na final. Tarde em que deu tudo certo para o São Paulo, que só precisou de um empate no segundo jogo para conquistar o título. Era o início da afirmação do ‘Terror do Morumbi’ e que encaminhava aos anos gloriosos do São Paulo.

A ascensão do time do Morumbi foi meteórica, com mais um Paulista, Brasileiro, duas Libertadores e dois Mundiais. Era o caçula paulistano ganhando mais força no cenário futebolístico. Entre goleadas no interior (5×0, com direito a gol de Edmundo), o clássico esfriou.

E Raí novamente desequilibrou outra decisão, agora em 1998. Depois de sete anos, outro majestoso decidia o título estadual. Vitória alvinegra por 2×1 na ida, e o São Paulo teve um reforço de luxo para o jogo da volta. Com uma brecha no regulamento que poderia inscrever outro jogador, o camisa ’23’ (que voltava da França após ótima passagem pelo Paris Saint-Germain) pôde atuar, no lugar de Dodô. E não deu outra: gol e assistência no triunfo por 3×1 e título assegurado. A fama de carrasco corintiano se manteve. Foi a última partida de Denílson Show pelo São Paulo.

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Em 1999, um duelo memorável que valeu uma vaga na final do Brasileiro daquele ano. O Corinthians de 99 é considerado um dos maiores esquadrões da história do time de Parque São Jorge. Dida, Vampeta, Freddy Rincon, Ricardinho, Luizão, Edílson, Marcelinho Carioca… Uma máquina. Mesmo com Raí do outro lado, o alvinegro levou a melhor em um 3×2 para lá de emocionante. No segundo tempo, o camisa 10 Tricolor teve duas chances para mudar o resultado (já tinha marcado um golaço no primeiro tempo). Dida se agigantou, defendendo os dois pênaltis e garantiu o resultado. Com nova vitória no jogo de volta (2×1), o Corinthians ia para mais uma final para se sagrar tri-campeão brasileiro.

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Entre outros mata-matas e dominância total corintiana (vencendo Rio-São Paulo e Paulistão, além de eliminar o rival em outra semifinal, agora na Copa do Brasil), os ‘tabus’ deram o tom do duelo, começando pelo Tricolor do Morumbi. Foram quatro anos de freguesia alvinegra diante do São Paulo. A fase foi tenebrosa, com direito ao time criado pela MSI, em 2005, levar 5×1 dentro do Pacaembu de um São Paulo que seria dono da América e do Mundo meses depois.

O fim da seca veio em 2007, com gol e comemoração emotiva do zagueiro Betão. O 1×0 valeu para resgatar a moral, mas não impediu o rebaixamento. O São Paulo terminava o ano pentacampeão brasileiro. Em clássicos, o Corinthians devolveu os anos de seca e ficou o mesmo período sem perder do São Paulo. De forma idêntica, em 2011, o Corinthians devolvia a goleada de seis anos atrás. Em tarde de Liédson, e frango de Rogério, massacre alvinegro em 45 minutos: 5×0.

A quebra do tabu veio de forma histórica. Em partida válida pela fase classificatória do Paulistão, havia um tempero curioso. Rogério Ceni, goleiro artilheiro e considerado o maior ídolo Tricolor, acabava de chegar a 99 gols na carreira. As 17:19 de Brasília, em uma falta na meia-esquerda, em sua primeira chance, Rogério marcou seu centésimo gol. Como o mesmo diz, para o são-paulino era como comemorar um título. Vitória tricolor, por 2×1.

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Em 2013, outra final, agora a nível sul-americano. O atual campeão da Libertadores enfrentaria o campeão da Sul-Americana pela Recopa. Com duas vitórias (2×1 e 2×0), deu Corinthians na única decisão internacional (até hoje) entre as equipes.

Os capítulos são tantos que veio outra goleada. Já campeão brasileiro, o jogo da festa em Itaquera acabou sendo contra o São Paulo. Com os reservas, o Timão aplicou sua maior goleada no clássico (6×1) e fechou com chave de ouro a temporada alvinegra de 2015. A última final aconteceu esse ano, com vitória corintiana (0x0 e 2×1) e o primeiro tri-campeonato estadual desde os anos 30.

Flamengo x Fluminense (Fla-Flu)

– Ano do primeiro clássico: 1912 (107 anos de história)
– Número de jogos: 423 (154 vitórias do Flamengo, 131 do Fluminense e 138 empates)
– Gols: 1168 (612 do Flamengo e 556 do Fluminense)
– Maior goleada da rubro-negro: 7×0 (Torneio Municipal 1945)
– Maior goleada do tricolor: 5×1 (Torneio Relâmpago 1943)
– Maiores artilheiros do clássico: Zico (19 gols) e Hércules (14 gols)
– Decisões: Carioca (12, 8×4 para o Fluminense)
– Curiosidade: recorde mundial de público para uma partida entre clubes (194.603 espectadores) e o confronto é considerado patrimônio imaterial do Rio de Janeiro (um dos poucos clássicos nacionais com tamanha honraria)

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O nome vem de um trocadilho consagrado pelo compositor Lamartine Barbo: “‘Consagrado no gramado/ Sempre amado/ Mais cotado nos Fla-Flus/ É o ‘ai, Jesus‘”. Clássico também mencionado e eternizado pelo escritor Nelson Rodrigues, que entendia como ninguém o duelo carioca. Entre suas citações, a mais famosa sobre o jogo é essa: “O Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí as multidões despertaram.

A fundação do Clube de Regatas Flamengo surgiu graças ao Fluminense, com os renegados a fazer parte do clube carioca que criaram a sua própria instituição. Com isso, existe até hoje aqueles que dizem que ‘o Flamengo é irmão do Fluminense’.

O clássico teve grandes momentos, além das curiosidades citadas anteriormente e de suas conquistas para a cultura em geral. É, inegavelmente, o clássico mais charmoso de todos.

Mesmo com o domínio do Flamengo em âmbito nacional, no início da década de 1980, o Fluminense tinha uma espécie de ‘Kriptonita’ guardada para cada Fla-Flu: o saudoso Assis. Tudo começou em 1983, com o recém-chegado atacante marcando o gol do título carioca de 1983, no último minuto, calando os gritos de ‘é campeão!’ do rival. Como a decisão era um triangular (envolvendo o Bangu), o Flamengo ainda ‘ajudou’ ao bater o time de Moça Bonita por 2×0, dando o título ao Flu (que havia empatado com o mesmo adversário).

Os momentos áureos pró-Mengão começaram com Zico. Em 1986, em jogo válido pelo Carioca, provocações vindas da arquibancada adversária, gritando ‘bichado’ diante de lesões que atormentavam o camisa #10. Junto com Sócrates, Zico fez aquela que seria, por ele mesmo, uma de suas melhores atuações: 3 gols e goleada por 4×1.

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Zico ainda teria outro grande momento, agora em sua última partida oficial pelo Flamengo. Partida válida pelo Brasileirão de 1989. Em Juiz de Fora, era mais uma partida de poucas ambições para os times, que ganhou esse tempero especial por ser a despedida do maior ídolo rubro-negro. O resultado: massacre flamenguista. 5×0.

O Flu teve seu gostinho de estragar uma festa programada para o rival. No centenário do Flamengo, a equipe trouxe ‘apenas’ o melhor do mundo na época: o baixinho Romário. Na decisão do carioca (que foi disputado por um quadrangular, à época), outro centroavante se consagrou a marcar, de barriga, o gol do título do Fluminense na vitória por 3-2 e também importante na história flamenguista: Renato Gaúcho.

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2012 marcou o ano do centenário do clássico. Um jogo da oitava rodada do Brasileirão daquele ano foi tratado de forma especial. Com festa no campo, hino dos clubes cantado por torcedores ilustres, narração de Galvão Bueno na Globo do Rio e etc. Nos 90 minutos, deu Fluminense: 1×0. Um golaço de voleio marcado pelo centroavante e ídolo nas Laranjeiras: Fred.

Em 2017, duelo válido pela Copa Sul-Americana. O clássico valia uma vaga na semifinal. Com dois jogos no Maracanã, o primeiro com mando do Flu, os ‘visitantes’ venceram por 1-0. A vantagem era rubro-negra, mas o time das Laranjeiras virou e ficou muito perto da vaga ao fazer 3-1. Era só o Flamengo empatar para se classificar. E ele veio, com gol de William Arão, aos 39 do segundo tempo. 3-3 e festa rubro-negra.

Especialmente no ano do centenário, o clássico ganhou matérias pelo mundo. Sendo destacado por jornais como o New York Times. Em 2013, o filme ‘Centenário do Fla-Flu: o documentário’, foi eleito por voto popular o melhor documentário do festival do Rio. A famosa revista France Football, em 2016, colocou o Fla-Flu entre os 15 jogos mais emocionantes, sendo o único confronto brasileiro na lista.

Amanhã, segundo texto da série. Agora abordando clássicos ‘fora do eixo’, espalhados pelo Brasil. Até a próxima.

P.S.: Histórico dos confrontos retirados até o dia de lançamento do post

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