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Rivalidades – Fora do Eixo (Pt. 1)

Segundo texto da série ‘Rivalidades’. Ainda no futebol, agora é o momento de rodar o Brasil.

Chegando para o segundo texto abordando os grandes clássicos no país do futebol. Ontem, o espaço foi destinado para os chamados ‘times grandes’ do Brasil.

No segundo capítulo, é hora de conhecer outros confrontos que são conhecidos nacionalmente e que tem rivalidade igual ou até maior em alguns estados do Brasil. Serão lembrados 10 clássicos, abordados em duas partes. A primeira saindo nessa terça, e a segunda daqui a duas semanas.

Sem mais delongas:

Bahia x Vitória (Ba-Vi)

– Ano do primeiro clássico: 1932 (77 anos de história)
– Número de jogos: 637 (300 vitórias do Bahia, 185 do Vitória e 152 empates)
– Gols: 1231 (652 do Bahia e 579 do Vitória)
– Maior goleada do tricolor de aço: 10×1 (Amistoso 1939)
– Maior goleada do rubro-negro baiano: 7×1 (Amistoso 1948)
– Maiores artilheiros do clássico: Juvenal (Vitória – 25 gols) e Carlito (Bahia – 21 gols)
– Decisões: Baiano (28, 14 vencidas por cada time) e Copa do Nordeste (3, 2×1 Vitória)
– Curiosidade: um dos poucos clássicos nacionais a terem sido disputados nas séries A, B e C do Campeonato Brasileiro

O clássico baiano. Famoso pelo nome fácil e também por duas torcidas apaixonadas pelos seus clubes. Apesar das oscilações na última década, é um dos confrontos que só ganham força nacionalmente. Os primeiros passos foram nos anos 30, mas apenas nos anos 50, com o crescimento do esporte em Salvador e dos times, que o clássico chamou a atenção.

Os duelos marcantes ganharam espaço a partir da década de 50, onde aconteceu a primeira final entre os times. Vitória do Leão da Barra, em pleno aniversário do rival, na Fonte Nova.

Nos anos 70, o duelo ganhou força. Com destaque para duas decisões: de 1972, onde o forte time do Vitória (considerado o maior da história do clube) venceu os dois jogos da decisão (2×1 e 3×1), impedindo a festa Tricolor. A partir daí, o Bahia dominou o campeonato estadual, vencendo nada menos do que sete edições seguidas. O hepta veio em cima do maior rival, em 1979.

Em 1988, a decisão não acabou no tempo normal. Vencendo por 3×0, o goleiro do Vitória agrediu o atacante Osmar, causando uma confusão enorme. O resultado: todo o time do Vitória foi expulso de campo. Com a anulação do jogo em vão, o Bahia se consagrava campeão baiano.

Em 1997, o confronto decidia o campeão da Copa do Nordeste. Seria a primeira das três decisões entre os rivais. Na primeira, deu Vitória (3×0 e 1×2). Na segunda, em 1999, também (2×0 e 0x1). Na terceira (e até o momento última), deu Bahia em 2001 (3×1 e 2×2).

Na virada do milênio, o domínio passou a ser do Vitória graças a soma de boa gestão e de sua consagrada divisão de base (uma das melhores do país). De nove títulos estaduais disputados, o time do Barradão ganhou 8. As goleadas marcantes e jogos inesquecíveis também marcam história: o 6×2 pelo Baiano de 2005 e do eterno (e maluco) 6×5, dois anos depois, são os mais lembrados. O segundo é mais especial, por ser o último Ba-Vi na antiga Fonte Nova.

Pelo lado do Bahia, o grande momento deste século contra o rival veio em 2012. Final do estadual contra o rival, e Pituaçu testemunhou uma grande decisão. Com o empate por 0x0, os donos da ‘casa’ precisavam de um novo empate para confirmar o título. Um jogo com duas viradas e com Diones como herói, empate por 3×3 e festa Tricolor.

Outro fato marcante aconteceu em 2013, na abertura da Arena Fonte Nova para a Copa do Mundo de 2014. O primeiro jogo foi o Ba-Vi, e um resultado inesquecível para os dois lados: goleada do Vitória, por 5×1. A decisão guardava outro jogo memorável para o futebol baiano: outra vitória maiúscula do Vitória, agora por 7×3.

CSA x CRB (Clássico das Multidões)

– Ano do primeiro clássico: 1916 (103 anos de história)
– Número de jogos: 500 (153 vitórias do CSA, 183 do CRB e 164 empates)
– Gols: 1231 (625 do CSA e 606 do CRB)
– Maior goleada do azulão do mutange: 4×0 (Alagoano 1952)
– Maior goleada do galo: 6×0 (Alagoano 1939)
– Maior artilheiro do clássico: Silva ‘Cão’ (62 gols)
– Decisões: Alagoano (31, 16×15 para o CRB)
– Curiosidade: além dos times representarem o estado pelas cores, o duelo também foi inspirado pelo famoso folguedo Pastoril, na tradicional disputa entre Azul e Encarnado

O verdadeiro clássico das multidões. O Centro Sportivo Alagoano e o Clube de Regatas Brasil disputam a hegemonia do estado. São nada menos do que 69 títulos estaduais em campo.

O duelo reserva momentos como o da goleada do CRB por 6×0, mais conhecida como o ‘Jogo da Sofia’. Conta a história que o centroavante Arlindo (autor de 2 gols) cuidava de uma cabra chamada Sofia, como também era assíduo do ‘Jogo do Bicho’, ao cantar para cada animal do jogo. Chegando na cabra, ele sempre relembrava da vitória do Galo alagoano.

Os 4×0, devolvidos mais de 10 anos depois, não é na mesma moeda, mas é especial da forma que aconteceu para a torcida do CSA. Foi um vareio de bola do azulão. Conta-se que foi um baile, sem nunca desrespeitar o rival na casa dele. Com direito a lances onde enfileiravam o time do CRB e, ao invés de marcar um gol de placa, passava para o companheiro. E outro retrato do jogo foi de Oscarzinho, que preferiu ‘sentar na bola’ na linha de gol do que marcar.

Nos anos 90, o encontro entre os times virou rotineiro. Vantagem para o CSA, que venceu 4 estaduais contra 3 do CRB. Entre as quatro conquistas, três foram de maneira seguida (1996, 97 e 98).

E também teve duelo… Para escapar do rebaixamento no Alagoano. Sim, o CSA precisava de uma vitória contra o seu rival para escapar do descenso. Mas foi em vão: 4×2 CRB. Primeira queda em 2003.

Mas também houveram capítulos de confusão generalizada. Em um clássico marcado por expulsões e invasão de campo, a polícia acabou intervindo com gás de pimenta na tentativa de conter os jogadores do CSA. Isso ocorreu em 2009 e ficou conhecido como ‘o clássico do spray’. Com seis jogadores sem condições de jogo, a partida foi suspensa e terminou nove dias depois. Vitória do Galo, 2×1.

No mesmo ano, o mesmo cenário de 2003. CSA precisando vencer para escapar do segundo rebaixamento no estadual e o CRB na briga pela semifinal. E o resultado foi o mesmo para o Azulão do Mutange: derrota por 2×1 e novo descenso. Mesmo com o resultado positivo, o CRB ficou pelo caminho, pois não dependia das próprias forças para se classificar.

E acreditem, dois anos depois aconteceu o mesmo roteiro contra a queda! Em 2011, o CSA precisava bater o CRB para não cair pela terceira vez no estadual e ainda quebrar um tabu de quatro anos sem vencer o rival. Dessa vez, o desfecho foi feliz para o lado azul de Maceió. Vitória por 1×0. Xô, zica!

Em 2013, a primeira decisão de Alagoano entre os rivais depois de 11 anos. Era o ano do centenário do CSA, que começou perdendo o primeiro jogo por 4×2. Uma vitória simples levaria o jogo para os pênaltis, mas o CRB não queria correr riscos. Com o gol no finalzinho, o 1×0 foi o suficiente para levar a decisão para a marca da cal. Mas a festa foi regatiana, comemorando o título nos 100 anos do adversário.

O capítulo triste da história do clássico aconteceu em 2017, que ficou conhecido como o ‘clássico do silêncio’. Com as confusões na decisão do ano anterior (que ficou conhecido como ‘jogo do cadê você?’), a partida foi realizada com portões fechados no Rei Pelé e terminou empatada em 1×1. Ainda no mesmo ano, houve o primeiro duelo com torcida única. Resultado não saiu do 0.

Em 2018, o duelo foi válido pela segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Recém-chegado da série C (como campeão), o CSA ouvia provocações, das quais diziam que o time não ficaria um ano na série B, visto que o CRB já está há algum tempo. E de fato a torcida do Galo acertou: o CSA conseguiu o acesso para a elite do futebol nacional. Em campo, os dois jogos acabaram 0x0.

Remo x Paysandu (Re-Pa)

– Ano do primeiro clássico: 1914 (105 anos de história)
– Número de jogos: 751 (261 vitórias do Remo, 235 do Paysandu e 255 empates)
– Gols: 1903 (951 do Remo e 952 do Paysandu)
– Maior goleada do leão azul: 7×2 (Paraense 1939)
– Maior goleada do papão: 7×0 (Paraense 1945)
– Maiores artilheiros do clássico: Hélio (Paysandu – 47 gols) e Quiba (Remo – 24 gols)
– Decisões: Paraense (60, 32×28 para o Remo)
– Curiosidade: intitulado no Pará como ‘o clássico mais disputado do mundo’

O Re-Pa começou muito antes. A inimizade entre os times surgiu em 1915, diante de uma reposta para a realização do jogo em que a diretoria bi-color respondeu com injúrias e insultos a proposta leonina para a renda financeira da partida em prol de ajudar os clubes envolvidos. Foi o suficiente para o Remo cortar às relações amistosas com o adversário.

Dentre outras curiosidades, o Re-Pa já foi disputado no Suriname (!), na cidade de Paramaribo. A maior série invicta do Papão é de 13 jogos e durou 11 meses, em 1970. Igual o Ba-Vi, o confronto também foi disputado nas séries A, B e C do Brasileiro, onde o equilíbrio é marca registrada. Em 25 jogos, são oito vitórias do Leão Azul, sete do Bi-Color e 11 empates.

O clássico foi o jogo inaugural do estádio ‘Mangueirão’ (icônico no cenário futebolístico), em 1978, com vitória do Remo por 2×0. No ano seguinte, o irreverente Dadá Maravilha foi contratado pelo Paysandu e sua estreia foi no clássico paraense. O centroavante prometeu e cumpriu, ao marcar o gol ‘sossega leão’. Placar terminou empatado por 1×1.

O jogo de maior público da região norte do Brasil aconteceu em 1999. Os 65 mil presentes assistiram ao gol de Aílton, que deu o título estadual ao Remo. Foi a 38ª conquista leonina, que passou o papão para se tornar o maior campeão paraense (hoje, a vantagem é do Papão – 47×46).

Em um intervalo de seis meses, o Paysandu aplicou três goleadas no Re-Pa, em sequência. Em dezembro de 2000, foi 4×1. No ano seguinte foram dois placares por 4×0 no Baenão, casa do Remo.

2004 foi um ano especial para o Remo. O Leão Azul conseguiu um feito que não acontecia desde 1945: um título invicto com 100% de aproveitamento. O título foi selado em mais um Re-Pa. 2×0 para o Clube do Remo.

Um marco histórico em 2014 para o futebol paraense. Pela semifinal da Copa Verde, o Esporte Interativo fez a primeira transmissão nacional do Re-Pa na TV aberta. Vitória bi-color, 1×0.

No ano seguinte, nova semifinal da Copa Verde. O Paysandu era o favorito, graças a vitória no primeiro jogo (2×0) somado a crise financeira do rival. O Remo tirou forças e conseguiu devolver o placar. Nos pênaltis, deu Leão Azul (5×4) e uma vaga heroica para a decisão.

A última decisão de Re-Pa valendo taça aconteceu em 2017. Com o empate em 1×1 nos primeiros 90 minutos, quem vencesse levaria o título. E nesse jogo, o centroavante Bergson roubou a cena, fazendo os dois gols da vitória por 2×1.

ABC x América/RN (Clássico Rei)

– Ano do primeiro clássico: 1915 (104 anos de história)
– Número de jogos: 532 (188 vitórias do ABC, 178 do América e 166 empates)
– Gols: 1324 (677 do ABC e 647 do América)
– Maior goleada do alvinegro: 8×1 (Potiguar 1945)
– Maior goleada do alvirrubro: 5×1 (Copa RN 2007)
– Maiores artilheiros do clássico: Baíca (América – 14 gols) e Sérgio Alves (ABC – 12 gols)
– Decisões: Potiguar (59, 35×24 para o ABC)
– Curiosidade: não é disputado na elite do futebol há exatos 40 anos

O duelo potiguar é bastante tradicional. ABC e América dominam o futebol do estado. Tanto que o primeiro campeão potiguar, fora de Natal, veio apenas nos anos 2000.

A equipe alvinegra, que ostenta o título de maior campeão regional (55 títulos), chegou a vencer 10 campeonatos seguidos, sendo que em sete delas, o vice foi o América.

No jogo em que mais gols foram marcados, também deu ABC. Vitória por 6×4, pelo estadual de 1934. Pelo alvirrubro, vem a maior série invicta do confronto. Foram 24 jogos sem perder para o rival, entre 1980 e 1983.

O recorde de público em uma partida disputada no Rio Grande do Norte aconteceu em 1976. O clássico foi disputado no antigo ‘Machadão’. Mais de 50 mil pessoas viram o Mecão bater seu arquirrival por 2×1.

Outro motivo de orgulho americano é o fato do time potiguar alcançar a elite do futebol nacional em duas oportunidades, após o formato atual de acesso e descenso no futebol nacional. Em 1996, quando foi vice-campeão da segundona, e em 2007, com o quarto lugar na competição em pontos corridos.

Os clássicos na série B mais recentes foram disputados na Arena das Dunas, outro palco da Copa do Mundo 2014. Esse ano, o estádio recebeu o maior público do clássico rei, onde o América venceu com o gol de Alison, aos 49 do segundo tempo. Gol que, não só deu o título para o alvirrubro, como interrompeu o tri-campeonato do mais querido.

Em nível nacional, os times não atravessam grande momento. Em 2020, os rivais irão disputar a quarta divisão do Brasileiro, sendo a primeira vez do ABC, que foi rebaixado esse ano.

Avaí x Figueirense (Clássico de Florianópolis)

– Ano do primeiro clássico: 1924 (95 anos de história)
– Número de jogos: 425 (143 vitórias do Avaí, 148 do Figueirense e 134 empates)
– Gols: 1115 (583 do Avaí e 532 do Figueirense)
– Maior goleada do leão: 11×2 (Amistoso 1938)
– Maior goleada do figueira: 9×3 (1928)
– Maiores artilheiros do clássico: Saul (Avaí – 41 gols) e Calico (Figueirense – 21 gols)
– Decisões: Catarinense (4, duas vitórias para cada time)
– Curiosidade: nunca foi disputado fora de Santa Catarina

O duelo catarinense é marcado pelo domínio dos times da capital, mesmo que o encontro em finais seja escasso. Se trata de dois dos maiores times do estado.

Avaí e Figueirense começaram a vencer o estadual nos primórdios do campeonato e ficaram muito tempo sem ganhar. Na verdade, nenhum time de Florianópolis foi campeão depois de 1945. Só na década de 70 que a cidade voltaria a ganhar a glória máxima de Santa Catarina. Em especial 1975, quando os times decidiram o campeão (vitória do Avaí).

A vingança do Figueira demorou muito tempo e só foi acontecer em 1999, depois de 24 anos para ganhar a taça em cima do rival. Anos antes, o Leão era considerado o campeão do século. A partir daí, a situação inverteu e o alvinegro dominou o cenário local, e de quebra chegando a elite do brasileiro, em quadrangular que estava o próprio Avaí, em 2002.

A segunda estadia* do Figueira na série A durou de 2002 a 2008. Nesse período, o time alvinegro ficou perto de um título nacional, na Copa do Brasil de 2007, onde parou diante do Fluminense na decisão. O Avaí, por outro lado, tem um título da série C, conquistado em 1998 (único time da capital catarinense campeão nacional). O Leão subiu para a série A em 2009 e fez a melhor campanha de um time catarinense na história do Brasileiro (6º lugar). O primeiro jogo entre os times na primeira divisão só foi acontecer em 2011, ano em que o Avaí chegou mais longe na Copa do Brasil (semifinal).

Em 2018, aconteceram os últimos encontros (até hoje) do clássico de Florianópolis em âmbito nacional. Cada time venceu um jogo, na casa do rival, por 1-0. O Leão fecharia o ano com mais um acesso a série A.

Ainda falando em competições nacionais, os times se cruzaram na Copa do Brasil. Em 1999, a primeira vez, ficou conhecido como ‘o clássico do século’, onde deu Avaí. Em 2015, o Figueirense deu o troco. Ambas valeram pela primeira fase do torneio.

Já a última final entre os times aconteceu em 2012. O tira-teima, como foi tratado pela imprensa catarinense. O Avaí levou a melhor, conquistando o seu 16º título estadual. No geral, o Figueirense leva vantagem (18×17).

*primeira contando o formato de acesso e descenso, implementado durante a década de 80. Antes, o Figueira participou de algumas edições dos anos 70

E você, letrado. Tem algum momento especial em algum desses confrontos? Deixe seu comentário.

Amanhã, os esportes americanos estreiam na série ‘Rivalidades’. Começando pelo beisebol. Até lá!

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