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Rivalidades – MLB (Pt. 1)

Terceiro capítulo da série ‘Rivalidades’. Agora, a parada é nas liga norte-americanas, começando pelo beisebol. Por que não tem tanto confronto histórico na MLB e alguns pontos a serem levantados a respeito. E claro, os duelos clássicos que perduram até hoje.

Diferente de NFL, NBA e NHL, a MLB é uma liga mais ‘amigável’, comparada às demais. É mais comum ver na liga momentos de confraternização, ao invés de rivalidades ferrenhas.

Um ponto a ser levantado são as poucas finais entre times semelhantes. New York Yankees e Los Angeles Dodgers pode ser uma exceção, mas a disparidade de NY no histórico de World Series é gritante (9×2). Outro ponto para os dias de hoje são os campeões diferentes: desde o tri-campeonato do New York Yankees (’98, ’99 e ’00), a MLB não vê um bi-campeonato (a maior sequência das grandes ligas).

Outro fator influente é os jogos inter-liga. Durante muitos anos, eles só aconteciam na decisão, onde as ligas ‘Nacional’ e ‘Americana’ só jogavam entre si. O campeão de cada uma delas faria a final. Isso perdurou até 1968, quando no ano seguinte foram criadas as ‘divisões’ em cada liga.

Inicialmente, ‘Leste’ e ‘Oeste’ passaram a dividir de forma regional as equipes, fazendo com que times da mesma divisão se enfrentem mais vezes durante uma temporada. O campeão de cada uma se enfrentaria em uma série de 7 jogos para definir quem representaria sua ‘liga’ na final.

Outras mexidas veio após o lockout de 1994. Primeiro, a inclusão de uma nova divisão em ambas as ‘ligas’ que provocou novo realinhamento: a ‘Central’. Três anos depois da paralisação que cancelou o restante daquela temporada, a ideia de implementar os duelos inter-liga durante a temporada regular (isso já havia sido levantado na década de 30) como uma das formas para atrair o público de volta. O primeiro jogo da história aconteceu entre Texas Rangers e San Francisco Giants.

Com o tempo, as condições de jogo foram estabelecidas (DH em jogos no mando da AL e o pitcher indo para o bastão no mando da NL) e os duelos, que no começo eram apenas com times de mesma divisão (Leste x Leste, Central x Central e Oeste x Oeste), foram destrinchados com o passar dos anos.

Hoje, os jogos inter-liga são separados da seguinte maneira:

  • A cada ano, uma divisão enfrenta outra em específico. Em 2019: AL East x NL West, AL Central x NL East, AL West x NL Central. Para 2020: AL East x NL Central, AL Central x NL West, AL West x NL East. E em 2021: AL East x NL East, AL Central x NL Central, AL West x NL West. Esse ciclo, até o lançamento deste texto, segue esse padrão adotado em 2013 (após novo acordo que levou o Houston Astros para a AL. Agora, tem pelo menos um duelo inter-liga por rodada);
  • O único duelo inter-liga que é fixo são os jogos entre ‘rivais’ de mesma cidade, estado ou proximidade. São eles: Yankees x Mets* (Subway Series), Orioles x Nationals (Beltway Series), Rays x Marlins (Citrus Series), Pirates x Tigers (oriundo da NHL), Cubs x White Sox* (Windy City Series), Reds x Indians (Ohio Cup), Cardinals x Royals (i-70 Series), Brewers x Twins (Border Series), Angels x Dodgers (Freeway Series), Arizona Diamondbacks x Houston Astros e Giants x Athletics* (Bay Bridge Series);
  • As franquias não citadas fazem o que é chamado de ‘split‘, onde cada equipe enfrenta um rival da NL a cada ano. São eles: Boston Red Sox, Toronto Blue Jays, Atlanta Braves, Philadelphia Phillies, Seattle Mariners, Texas Rangers, San Diego Padres e Colorado Rockies.

Desses duelos fixos, apenas quatro decidiram o título da MLB (marcados com *). E quando as equipes se enfrentam, em suma maioria, não é um confronto que transcende além do campo de beisebol. É um caso raro por tão pouco tempo de partidas entre os times somado a ‘falta’ delas. Ainda tem aqueles que defendem o fim dos confrontos entre AL e NL, mas isso é um assunto para outro dia.

As rivalidades da MLB se dão pela repetição de confrontos (são 162 partidas por temporada) e de tanto enfrentar o adversário, acabam virando clássicos.

A partir daqui, os poucos duelos que a rivalidade cresce e que um não suporta nem escutar o nome do adversário sem dar algum revertério. A maior de todas ganhará um capítulo a parte que sairá amanhã.

Vamos a elas:

St. Louis Cardinals x Chicago Cubs (I-55 ou Route 66 rivalry)

Uma rivalidade que começou no século 19, quando os times tinham outros nomes (White Stockings e Browns, respectivamente). De lá para cá, não tem um ano que Cubs e Cardinals não demonstram ‘carinho’ um com o outro, seja na provocação ou em campo entre os jogadores.

A história do duelo começou de maneira incomum. Decisão da MLB de 1885 (World Series só entra a partir de 1903). Uma série que foi disputada em quatro cidades. Protesto contra o umpire que fez com que o manager do Browns à época, tirasse o time de campo ainda na sexta entrada e dando a vitória para o White Stockings por 5-4. No jogo 7, STL venceu por 13-4. Pelo lado do Browns, eles pediram que o jogo 2 (o da retirada da equipe) não entrasse para a contagem e se consagrar campeão. Oficialmente, a final terminou 3-3-1 e os times dividiram o prêmio de U$ 1.000 dólares.

O estopim do confronto começou ali. No ano seguinte, os times se encontravam em outra final. A situação era mais favorável para STL, que decidia em casa o jogo 6. Na décima entrada, um erro de chamada do catcher King Kelly ocasionou a jogada mais famosa do século 19: o slide de U$ 15.000 dólares. Curt Welch foi o autor, que enlouqueceu a torcida no Sportsman’s Park.

Com a ida do Browns para a NL em 1892 (e o time rebatizado para St. Louis Cardinals em 1900), foi a vez de ver o time de Chicago brilhar. A equipe de North Side chegou a três WS seguidas, sendo campeão em 1907 e 1908. Além de mais sete conquistas da NL até 1945.

O Cardinals demorou para conquistar a primeira WS, levando o primeiro troféu em 1926. Com a seca de Chicago graças a famigerada ‘maldição do bode’, STL arrancou e quadruplicou as conquistas de WS do rival (9×2) até a virada do século.

Outro ponto que mostra que esse duelo não é brincadeira aconteceu em 1928. O rebatedor Hack Wilson foi para a arquibancada brigar com torcedores do Cardinals presentes no Wrigley Field. Cerca de 5.000 pessoas foram para o campo para os policiais apaziguarem o local. O torcedor agredido ainda tentou processar o atleta, mas a justiça deu a causa em favor de Wilson.

O tempo passou e o duelo novamente ganhou notoriedade nos anos 80, na partida que ficou famosa pelo ‘jogo de Sandberg’. O segunda base, com o jogo 9-8 para STL, buscou o empate na nona entrada com um Home Run contra Bruce Sutter, um dos melhores closers da temporada.

Mesmo com STL ficando a frente na décima entrada (11-9), Sandberg voltou ao home plate e isolou outra bola, com um corredor em base, para empatar o jogo contra o mesmo Bruce Sutter. A vitória por walk-off veio na entrada seguinte. A NBC, que transmitiu a partida, tinha dado o prêmio de melhor do jogo para Willie McGee, que tinha rebatido para o cycle, antes de Sandberg brilhar.

Outro duelo que envolveu as equipes foi em 1998, mas ‘à distância’. Mark McGwire e Sammy Sosa protagonizaram a briga para definir quem seria o campeão de Home Runs da temporada. Vale lembrar que a liga liberou o uso de esteroides para aumentar a performance dos jogadores, como outra tentativa de recuperar o público após 1994.

Ambos quebraram o recorde que pertencia a Steve Trachsel (62). O primeiro foi McGwire, que alcançou o feito contra o Cubs. Sosa, que o perseguia, mostrou boa conduta e parabenizou o rival em campo. O catcher terminou o ano com 70 HRs, mas foi Sosa e o Cubs que foram aos playoffs pela vaga de wild card depois de nove anos. De quebra, Sosa levou o MVP da temporada. Em caso de saber mais sobre o duelo, clique aqui e veja o documentário completo.

Outro jogador que viveu um sentimento diferente foi Joe Girardi. Em 2002, uma partida foi cancelada devido a morte do pitcher Darryl Kile, que fez carreira em STL. Girardi pediu para os torcedores do time que defendia, o Cubs, que orassem pelo Cardinals após a perda (Girardi já havia defendido o rival). Resultado: vaias da torcida de Chicago.

Em uma história mais recente, o ex-shortstop do Cubs, Ryan Theriot, em 2011, havia sido contratado pelo Cardinals. Em uma rádio de STL, disse que ele e sua família estavam agora do lado certo da rivalidade. Carlos Zambrano não gostou nada do que ouviu e falou que Theriot era inimigo. O infielder acabou sorrindo no fim, por participar da conquista da 11ª (e até o momento última) World Series do Cardinals.

Em playoffs, só aconteceu um confronto, em 2015. Chicago crescia ano após ano enquanto STL, com times competitivos, sempre aparecia nas cabeças da NL. Após eliminar o Pittsburgh Pirates no jogo de WC, o Cubs enfrenta seu maior rival em um duelo muito aguardado em pós-temporada. E foi ali que Kyle Schwarber se consagrou, sendo o nome decisivo na vitória de North Side na série, por 3-1. Chicago cairia para o New York Mets, mas no ano seguinte, a sua maldição acabava em Cleveland.

Na história, são 2.424 confrontos. Chicago leva vantagem com 1.243 vitórias contra 1.181 de St. Louis.

Los Angeles Dodgers x San Francisco Giants

É um clássico onde começou em um lado do país e se mudou para outro. Tanto Dodgers quanto Giants começaram sua história na região de NY (Brooklyn Dodgers e New York Giants, respectivamente) onde o Giants mandava suas partidas no icônico Polo Grounds.

O primeiro time a se mudar para a Califórnia foi o Dodgers, em 1957. O motivo à época eram ‘problemas financeiros’. Um ano depois, foi a vez do Giants mudar de ares. Mesmo em cidades diferentes, a rivalidade nunca diminuiu.

Entre as metrópoles, há uma rixa em vários aspectos. Seja econômico, cultural… Enfim. É o famoso ‘quero te superar’. Isso é comum em todo o mundo entre grandes pólos, ainda mais se são próximas.

Em campo, a rivalidade é bastante intensa a ponto de envolver até os maiores jogadores da história das equipes. Jackie Robinson, o eterno #42, foi trocado para o maior rival pelo pitcher Dick Littlefield. Um mês depois da negociação, Jackie mandou uma carta para o dono da equipe anunciando sua aposentadoria. O atleta afirmou em entrevistas que tomou a decisão devido a sua idade (37 anos à época) e dar mais tempo a família. Para a torcida, o segunda base simplesmente se recusou a defender o maior rival e não acredita nessa hipótese.

Anos mais tarde, foi a vez de Willie Mays entrar no radar do Dodgers. Depois de defender NY/SF durante uma vida (de 1958 até 1972), o outfielder se recusou a assinar com Los Angeles e a franquia decidiu negociá-lo para o New York Mets, novo time da cidade após a saída da dupla Dodgers/Giants. Aos 41 anos, jogou por uma temporada e meia antes de encerrar a carreira.

Seja compreensível em caso desta imagem demorar a carregar de tão pesada

O episódio mais marcante de toda a rivalidade foi a briga generalizada envolvendo Juan Marichal e John Roseboro. Em jogo crucial para definições de campeonato na NL em 1965. O Dodgers levava vantagem de um jogo e meio para o rival, que também estava atrás do Milwaukee Brewers na ocasião.

Logo na primeira entrada, um bunt single de Maury Wills seguido de uma dupla de Ron Fairly, abriram o placar para o Dodgers. Marichal não gostou e começou a discutir com Wills. Na segunda entrada, o pitcher tentou acertar Wills propositalmente. A partir daí, virou uma guerra. Sandy Koufax, em forma de retaliação, tentou acertar a bola na cabeça de Willie Mays. Marichal, na entrada seguinte, mandou uma bola rápida no intuito de acertar Fairly. Com ambos os dugouts enfurecidos, o umpire declarou que não iria mais tolerar esse tipo de comportamento.

Na entrada seguinte, John Roseboro, o catcher, começou a provocar o pitcher de SF. No duelo entre Koufax e Marichal, outro arremesso que passou perto de acertar o ‘rebatedor’. Quando Marichal foi tirar satisfação com o backstop, começou a briga. Marichal acertou com o bastão na cabeça de Roseboro por duas vezes, que resultou em 14 pontos na região do ferimento. Quatorze também foi o tempo que durou a briga, em minutos. Marichal acabou excluído da partida e ganhou animosidade total do lado azul.

Marichal ainda acabou suspenso por oito jogos e levou uma multa ‘recorde’ de U$ 1.750 dólares. Para o time, custou caro. LA acabou vencendo a NL e de quebra seria campeão pela quarta vez da WS.

No primeiro reencontro entre Marichal e o Dodgers, Roseboro deu as boas-vindas com um Home Run de três corridas, em jogo válido pelo Spring Training. Os GMs das equipes até buscaram uma forma de apaziguar a situação entre os envolvidos com um aperto de mão dos envolvidos, mas o catcher recusou participar.

Somente anos depois, Roseboro explicou que fez aquilo para defender Wills. Ainda disse que não influenciou Koufax a acertar os rebatedores do Giants e que iria resolver a situação com as próprias mãos. E que as frases ditas para Marichal eram um ‘procedimento padrão’.

Dez anos após a briga, Marichal acerta sua ida para o Los Angeles Dodgers. A torcida não gostou nada da contratação, mas Roseboro pediu calma. Com o tempo, os personagens daquele incidente no saudoso Candlestick Park viraram amigos próximos. O catcher ainda pediu para a associação responsável pela eleição do Hall da Fama do beisebol não se deixar levar pela briga e não ignorar o pitcher, que entrou para os imortais do esporte em 1983. Marichal agradeceu ao amigo no seu discurso.

Quando Roseboro faleceu em 2002, Marichal disse que o perdão de John foi uma das melhores coisas que aconteceram em sua vida, e que desejaria ter jogado com o catcher na sua carreira.

Outro momento de paz no clássico vem das cabines de transmissão do Dodgers. O grande narrador de LA, Vin Scully, era torcedor do Giants em sua infância. Foram 67 anos de carreira, que terminou em 2016. Quis o destino que a última série na sua voz fosse LA x SF. Los Angeles já estava com o título da divisão e o Giants brigava pela segunda vaga no Wild Card. No fim, o time da Bay Area garantiu sua vaga. Já Scully, entrou no Hall da Fama do clube angelino. Independente da rivalidade, esse vídeo é para todos os fãs do beisebol.

Dodgers e Giants formam o terceiro duelo que mais aconteceu na história da liga, atrás de Cubs x Pirates e Cardinals x Pirates. São os times com mais idas a decisão da MLB pela Liga Nacional (23 cada um). SF leva vantagem nas conquistas (8-6) e no confronto geral (1255-1235). Mas desde a mudança para a Califórnia, LA tem mais títulos da NL (11-6) e WS (5-3). Desde o último título do Dodgers, em 1988, SF ganhou três entre 2010 e 2014. Os times jamais se enfrentaram em pós-temporada.

Tem algum momento especial envolvendo essa rivalidade? Gostaria que outra fosse discutida por aqui? Por favor, deixe seu comentário.

Amanhã, será dia de Yankees e Red Sox. Só isso. Até lá!

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