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‘Rivalidades’ – Especial Yankees x Red Sox

Quarto texto da série ‘Rivalidades’ que não poderia ser diferente. É dia do maior clássico da MLB ganhar seu espaço.

Brigas, duelos épicos em playoffs, momentos inesquecíveis… Há quem diga ser a maior rivalidade, não só da MLB, como de todo o território americano. Um duelo com quase 120 anos de história, mas que só ganhou força através de um certo camisa #3 que implicou em uma das maiores secas do esporte.

Quando se fala de Boston e Nova York, a primeira relação que tem é no beisebol. Pois para quem acompanha as grandes ligas americanas, até para aqueles que não tem intimidade com a MLB, sabe do que se trata.

Como tudo começou

O primeiro confronto entre as equipes aconteceu no dia 2 de abril de 1901. O Baltimore Orioles venceu o Boston Americans por 10-6 no Oriole Park. Não, você não está lendo errado. As equipes, antes mesmo de mudarem de nome e/ou cidade, deram seus primeiros passos com outra ‘identidade’.

O Americans se tornaria Red Sox em 1908 (e o Orioles se mudava para NY em 1902). Em 1918, a equipe de Boston já era pentacampeã da MLB quando veio o que ficou conhecido como ‘A maldição do Bambino’.

O dono do Red Sox na época, Harry Frazze, vendeu seu principal jogador, Babe Ruth, por U$ 125 mil dólares, para o New York Yankees. Ruth era um pitcher especial, não só pelo talento no montinho, como também no bastão, por seus Home Runs. Com o passar dos anos, o ‘Bambino’ foi deixando os arremessos para jogar cada vez mais como outfielder, o que potencializou ainda mais seu beisebol.

A partir daí, a maldição foi instalada nos lados do Fenway Park e o Yankees, que não tinha conquistado a World Series, saiu da fila e levantou a primeira em 1923, com Ruth sendo eleito o MVP da temporada.

Em 1930, Ruth voltou ao montinho. O camisa #3 não arremessava uma partida desde 1921. O jogo aconteceu no dia 28 de setembro, justamente no palco onde mais atuou como pitcher: o Fenway. Resultado: jogo completo sem ceder corridas na magra vitória de NY por 1-0.

Se com Boston o Bambino foi tricampeão, em Nova York ele conquistou mais quatro WS. O heptacampeão iniciou a trajetória daquela que se tornaria a franquia mais vitoriosa dos EUA.

O jogo 163

Com a maldição em curso e o sucesso repentino de NY, Boston foi ficando para trás. As equipes protagonizaram um acirrado duelo para decidir o campeão da divisão Leste da Liga Americana em 1978.

Com 14 jogos de desvantagem na classificação em julho, Boston não conseguiu segurar uma diferença que parecia tranquila. Com 38-36 nesse período, viu o rival chegar no retrovisor e igualar a campanha com uma incrível arrancada de 53-21 no mesmo intervalo de tempo. No último dia da temporada regular, NY estava com uma vitória a frente e caiu para o Cleveland Indians (9-2). Boston fez sua parte (vitória diante do Toronto Blue Jays por 5-0) e forçou o jogo extra, que foi tratado como um ‘playoff‘ pela imprensa americana.

Na época, o Yankees tinha nomes lendários como Ron Guidry, Rich ‘Goose’ Gossage e Reggie ‘Mr. October’ Jackson. O Red Sox não ficava atrás: Carl Yastrzemski, Jim Rice e um jovem Dennis Eckersley.

A partida #163 aconteceu no Fenway Park graças a vitória no ‘cara ou coroa’. Boston abriu 1-0 com Yaz na segunda entrada (solo HR) e aumentou na sexta com um RBI single de Jim Rice.

Na sétima, o jogo virou. Buck Dent tirou um HR da cartola que colocou NY a frente (3-run HR, com dois eliminados) e Thurman Munson impulsionou outra corrida, ampliando para 4-2.

Na oitava, o Mr. October isolou outra basebola e deixou o placar em 5-2. Boston ainda reagiu com outro RBI single de Yaz. Fred Lynn, contra Gossage, impulsionou Yaz para deixar o Red Sox perto do empate. 5-4.

Na parte baixa da nona entrada, com dois jogadores em base, Gossage segurou o adversário e NY venceu o jogo extra. Ao final da temporada, seria o 22º título de World Series a caminho do Bronx.

Caso queira assistir a esse jogo na íntegra, clique aqui.

O primeiro embate em pós-temporada

Com o rival em alta e metade dos times da AL, na ocasião, vencendo a MLB pelo menos uma vez (Blue Jays, Orioles, Tigers, Indians, Royals, Twins e Athletics), Boston tentava sair da fila que já durava 80 anos.

Nesse meio tempo, e com o lockout que encerrou a temporada de 1994 antes da hora, a MLB mudou o formato dos playoffs. Antes, apenas o campeão de cada divisão (Leste e Oeste) disputava para saber quem chegaria a WS. Com o aumento de divisões para 3 (Leste, Oeste e Central), a MLB criou o wild card, que seria a equipe de melhor campanha, excluindo os campeões de divisão, com a quarta vaga na pós-temporada (enfrentando o time de melhor campanha da sua liga, em questão).

Em 1999, aconteceu o primeiro duelo entre os tradicionais rivais. O Yankees era o atual campeão e tinha em seu elenco jogadores conhecidos do grande público como Derek Jeter, Jorge Posada, Alfonso Soriano, Darryl Strawberry, Joe Girardi, Roger Clemens, Andy Pettitte, David Cone e Mariano Rivera.

Boston, que avançava pela segunda vez seguida a pós-temporada, continuava sua sina. Ficou a um strike do título, mas caiu para o outro time de NY, o Mets, em 1986. De quebra, ficou sem ganhar uma partida de playoff por 12 anos. O motivo para tentar a reviravolta passava por Pedro Martinez e Nomar Garciaparra.

Na ALCS, não teve jeito para Boston. Nova York venceu a série em cinco partidas e se garantiu na WS vencendo o rival no Fenway por 6-1. Era mais uma decisão que viria a culminar na 25ª taça de WS do Yankees.

2003: Um herói improvável

Na virada da década, os times eram equivalentes. Em 2003, outra decisão de Liga Americana envolvendo os rivais. A base era boa parte de 1999. Para NY, os reforços eram Jason Giambi, Mike Mussina e Hideki Matsui. Em Boston, Johnny Damon, David Ortiz e Manny Ramirez.

Diferente de quatro anos antes, a série foi mais equilibrada. As equipes alternavam na liderança do confronto que resultou no primeiro jogo 7 da história do clássico. O roteiro dessa partida foi espetacular, mas antes um episódio marcou a série.

Jogo 3 no Fenway. Uma tragédia anunciada que começou na quarta entrada. Pedro Martinez quase acertou uma bola rápida na cabeça de Karim Garcia, onde o clima começou a ficar pesado. Na parte baixa, a retaliação de Clemens em Manny Ramirez que desencadeou uma briga generalizada. Sobrou até para o bench coach (auxiliar técnico) do Yankees, Don Zimmer (um senhor de 72 anos, na época), que teve sua cabeça arremessada contra o chão por Martinez. O pitcher se desculpou pelo incidente.

Com a briga no passado, chegou o tão aguardado jogo 7 no Yankee Stadium. Com Rogers Clemens no montinho, Boston abriu 3-0 na segunda entrada com um Home Run de Trot Nixon (2 corridas) e depois um erro de Enrique Wilson após rebatida de Johnny Damon.

Na quarta entrada, Kevin Millar rebateu outro HR contra Clemens e o Red Sox abria 4-0. A reação Yankee começou com HR solo de Giambi contra Pedro. Na sétima entrada, a cena se repetiu. E NY encostava, 4-2.

Na parte alta da oitava, Big Papi colocava outro ponto de exclamação. HR contra David Wells e 5-2 Boston. Com Pedro ainda no montinho, NY chegou ao empate graças a um rally com Bernie Williams (RBI single) e Posada (2-RBI double). Jogo empatado, 5-5.

Com a igualdade persistindo, o campeão da AL seria conhecido nas entradas extras. E veio na 11ª com ele, que tinha entrado como pinch-runner nos momentos cruciais do confronto: Aaron Boone (que estava 2-16 na série). Solo HR que eliminou o rival e colocou NY em outra WS. A diferença é que na decisão deu Florida Marlins e a 27ª taça foi adiada.

O site SB Nation, em seu canal no YouTube, fez um vídeo contando mais sobre esse momento. Clique aqui e veja o trabalho deles, que ficou sensacional.

2004: a maldição acabou!

No ano seguinte, os times se enfrentaram novamente em uma ALCS. O Yankees não queria vacilar e após outro vice-campeonato, se reforçou com o 3B Alex Rodriguez. Boston teria em seu plantel o pitcher Curt Schilling, campeão e co-MVP da decisão de 2001, onde o Arizona Diamondbacks derrotou o NYY, impedindo um tetracampeonato seguido.

NY parecia não tomar conhecimento, abriu 3-0 na série e tudo levava a crer em outra ida a WS. Mas Pai Mei sempre alertou que ‘o jogo só acaba quando o juiz apita’. No caso da pós-temporada do beisebol, quando a série terminar com quatro vitórias.

Maldição? Freguesia? Trauma? Não seria dessa vez. O Red Sox foi tirando forças de onde não tinha (após perder o terceiro embate por 19-8) e venceu os jogos 4 e 5 nas entradas extras, forçando a mudança da série para o Yankee Stadium.

A vitória no jogo 6 que ficou marcada por Schilling dar o sangue, literalmente, por Boston. Um tendão torcido não o impediu de atuar por sete entradas e segurar o ataque Yankee em uma corrida, em uma das atuações mais impressionantes da pós-temporada do beisebol. Mesmo com sustos durante a partida (e a arbitragem mudando chamadas a favor dos visitantes e provocando a ira da torcida Yankee ao melhor estilo ‘Libertadores’), o placar final foi 4-2 e novamente um jogo 7 em NY.

O que se testemunhou na ‘casa que Babe Ruth construiu’ ficou marcado na história dos esportes americanos. Não foi apenas o placar de 10-3 (jogo completo aqui) e o amplo domínio de um time que não parou de acreditar. Não foi apenas uma noite mágica de Johnny Damon (2 Home Runs, 6 RBI) e de Ortiz (outro HR em jogo 7 e MVP da ALCS). Foi o fato do Boston Red Sox se tornar o primeiro (e até hoje único) time a reverter uma série melhor-de-7 depois de perder os três primeiros jogos nas ligas americanas.

Para o torcedor, não era só tirar o rival de cena. Era escrever a própria história e voltar a glória depois de 86 anos. E ela veio. Uma varrida diante do St. Louis Cardinals e a maldição do Bambino estava finalmente quebrada. Red Sox campeão da World Series.

Para os fãs do Red Sox, a ESPN fez um documentário especial na série ’30 for 30′ chamado ‘4 days in october’, onde mostra bastidores da virada épica. Clique aqui e veja o vídeo completo.

E o jogo virou

Após a conquista, Boston começou a trilhar seu caminho de sucesso e foi ‘tirando o atraso’. O hepta veio em 2007 e o octa em 2013, ano marcado pelo atentado na maratona local. Enquanto NY só venceu apenas uma, em 2009.

Outro capítulo da rivalidade veio em 2018. Agora, era Boston em um ano mágico com sua melhor campanha em uma temporada na história (108 vitórias) e uma equipe em que tudo dava certo, capitaneada por Mookie Betts, e com os reforços de peso em J.D. Martinez e Chris Sale, ace vindo do Chicago White Sox no ano anterior, para comandar a rotação. Além de nomes sólidos como Xander Bogaerts e Dustin Pedroia (grande nome na retomada de Boston).

Em Nova York, a pressão por falta de conquistas (e o rival crescendo) fizeram com que o time se mexesse na inter-temporada com uma troca que resultou na chegada do MVP da NL de 2017, Giancarlo Stanton. A ideia era reforçar o ataque dos ‘Baby Bombers’ que contava com Aaron Judge, Gary Sanchez, Didi Gregorius e Miguel Andujar. Era a face da nova direção Yankee: apostar nos prospectos e gastar na Free Agency apenas quando necessário após fiascos como Jacoby Ellsbury (que conseguiu a animosidade dos dois lados. Um feito que ‘une’ os dois lados da moeda).

O que ambos os times tinha em comum era no dugout. Managers calouros no comando técnico. Enquanto NY apostava em Aaron Boone (sim, o do icônico HR), então analista da ESPN para substituir Joe Girardi, Boston foi de Alex Cora, bench coach do Houston Astros, campeão do ano anterior.

Antes da pós-temporada, um pouco de ânimos exaltados envolvendo dois personagens fora do radar. Após um slide em que acertou a perna de Brock Holt (guarde esse nome), o 1B de NY, Tyler Austin, ficou marcado pela equipe adversária em partida disputada no Fenway pela temporada regular. De início, apenas uma discussão. Quando foi para o bastão, Joe Kelly tomou as dores do seu companheiro e… cenas lamentáveis.

New York Yankees’ Tyler Austin, right, scuffles with Boston Red Sox relief pitcher Joe Kelly, after being hit by a pitch during the seventh inning of a baseball game at Fenway Park in Boston, Wednesday, April 11, 2018. (AP Photo/Charles Krupa)

Com os times classificados para o ‘october baseball‘, o duelo seria pela ALDS. Com a vantagem pela melhor campanha, Boston deixou escapar a vitória no jogo 2, em casa. A provocação veio quando Judge passou pelo vestiário do adversário ao som da música ‘New York, New York’, de Frank Sinatra. Usada bastante nas redes sociais dos pinstripes após as vitórias com o verso ‘start spreading the news’.

Quando a série mudou para o Bronx, ninguém esperava uma atuação, da forma que foi, do lado vermelho da força. Foi apenas a pior derrota do Yankees em playoff. 16-1! E com direito a um cycle de um jogador pouquíssimo badalado e que pode ser considerado como uma espécie de ‘vingança’: Brock Holt. De quebra, foi o primeiro da história da pós-temporada da MLB.

Oct 8, 2018; Bronx, NY, USA; Boston Red Sox second baseman Brock Holt (12) celebrates hitting a two-run home run in front of New York Yankees catcher Gary Sanchez (24) during the ninth inning in game three of the 2018 ALDS playoff baseball series at Yankee Stadium. Holt became the first player in postseason history to hit for the cycle. Mandatory Credit: Adam Hunger-USA TODAY Sports

No jogo 4, Craig Kimbrel quase colocou tudo a perder. No final, Boston elimina o rival novamente e avança para a ALCS, onde bateria o Houston Astros para chegar a mais uma WS e garantir o eneacampeonato ao bater o Los Angeles Dodgers.

Atravessando o atlântico

Em 2019, os times protagonizaram o primeiro duelo fora do território americano. A novidade veio por conta da MLB em fazer uma série de partidas em Londres para divulgar a liga no mercado exterior.

E na primeira série na terra da rainha, o duelo escolhido foi o eterno clássico. No London Stadium (casa do West Ham United), duas vitórias Yankee. Com destaque para a maluquice do primeiro confronto, que terminou 17-13.

Ao todo, são 2.260 jogos envolvendo as equipes e a vantagem é Yankee (1228-1032). Uma curiosidade: em jogos disputados como visitante, NY tem campanha de 50% (568-568). Em playoffs, apesar de ter vencido mais séries, a distância entre os times é pequena em número de vitórias (12-11).

E você, torcedor. Tem outras lembranças desse grande duelo? Deixe seu comentário contando sua história.

Amanhã, voltando ao futebol. Com mais cinco clássicos nacionais entre os grandes do Brasil. Até lá!

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