baseball

Os ‘Badass’

Espaço dedicado a quem também alcançou a glória de uma forma não convencional e abusou do bom senso.

Você sabe o que significa a palavra ‘badass’? De acordo com o dicionário de Cambridge, se trata de uma pessoa ruim ou assustada (o que não é o caso aqui), ou remete a alguém ou algo que você admira ou acredita ser impressionante.

Este texto é em homenagem a um piloto e três equipes dos anos 80 que alcançaram o sucesso ao seu estilo e deixaram marcas nos seus torcedores e nos rivais.

Quem é admirador ou torcedor, a lembrança é sempre bem-vinda e o espaço no coração é eterno. Para quem possui alguma rusga, é hora de deixar de lado, apreciar e relembrar essa parte na história do esporte.

Nelson Piquet

Já bicampeão do mundo, Piquet estava na equipe Williams na briga pelo seu tricampeonato e ficou bem perto da conquista em 1986, não fosse uma prova para esquecer da equipe inglesa e um ‘azarão’ levar depois de mais uma de suas famosas aulas.

No ano seguinte, a Williams seguiria no mesmo plano ao favorecer o piloto ‘da casa’, Nigel Mansell. E uma das características do brasileiro sempre foi sua sinceridade. Antes da temporada começar, Piquet disse ‘que a equipe iria cometer os mesmos erros, já que ele era bicampeão do mundo e Mansell tinha cara de perdedor’.

E o começo parecia que tudo iria por água abaixo quando Nelson sofreu um grave acidente no GP de San Marino, ao bater na curva Tamburello. Para piorar, ainda teve sua visão afetada o que prejudicou seu desempenho. Com o decorrer do campeonato, Piquet se recuperou ao usar bastante de sua inteligência em acerto nos carros e acreditar no que era uma novidade à época: a suspensão ativa.

Após a vitória de Nelson no GP da Itália, a Williams decidiu por banir a suspensão ativa a fim de extrair o máximo dos dois pilotos. E após esse episódio, Piquet partiu para a guerra psicológica e passou a desestabilizar Mansell. Seja na pista, parando uma volta antes dele para atrapalhar sua estratégia (ele contou em uma entrevista que colocou um segundo ponto no outro ouvido para escutar tanto o seu rádio quanto o do inglês) ou com provocações (segundo ele mesmo, dizendo coisas para Mansell como ‘a sua mulher é feia’).

No Japão, Mansell não resistiu a pressão e sofreu um acidente nos treinos para a prova que o tirou da corrida, dando o título para o brasileiro (que chegou em uma modesta 15ª colocação). Na festa do título, ele não chamou ninguém da própria equipe para comemorar o tricampeonato. E nos jornais, disse que ‘a festa foi animada’ e ainda cutucou seu companheiro de equipe ao dizer: ‘Imagina se o Mansell teria condições de fazer uma festa tão boa assim, alegre, descontraída e com muitos amigos’.

Curiosidade: foi o título mais difícil de sua carreira, pois no geral, Mansell venceu o dobro de corridas que Piquet em 1987 (6-3).

Detroit Pistons

Uma era de recuperação da imagem da NBA com dois de seus jogadores mais icônicos, Magic Johnson e Larry Bird. De um lado, o ‘showtime’ de transição rápida e passes magistrais do armador do Los Angeles Lakers. No outro, um jogo coletivo de uma equipe coesa e seu ala, que era um jogador bastante completo e decisivo pelo Boston Celtics.

Foi um período em que os dois times dominavam suas conferências (com algumas ‘interrupções’ no caminho), mas ao final dos anos 80 surgiu um outro estilo de jogo completamente diferente, que causou bastante controvérsia, mas que saiu vencedor no final.

Isiah Thomas, Joe Dumars, Vinnie Johnson, Mark Aguirre, Dennis Rodman, Rick Mahorn, John Salley, John Edwards e Bill Laimbeer, todos comandados por Chuck Daly. O famoso elenco do Detroit Pistons no final dos anos 80 que alcançou esse status pela própria liga ao dar o apelido quando o VHS foi lançado e o nome dado a eles de ‘Bad Boys’ pegou.

Em 1988-89, Detroit teve o seu auge. O jogo da equipe se baseava em uma forte defesa e quando possível, fazer faltas duras, principalmente se o adversário buscava pontuar no garrafão. Trash talk e jogo físico eram por serventia da casa que não se incomodava nem se tivesse que apelar para o jogo sujo (Michael Jordan e o Chicago Bulls foram as principais vítimas por anos e anos).

Isso irritava os rivais, que perdiam a cabeça durante os jogos e as brigas eram corriqueiras. O nível foi tão baixo que Robert Parish, pivô de Boston, descontou toda a raiva e frustração em um dos lances mais feios já vistos em uma quadra de basquete.

Mas se engana quem pensa que era apenas pancadaria. Era um time que sabia jogar muito bem quando tinha controle da partida e bastante raça (o que Thomas fez nas finais de 1988 é digno de cinema).

Após perder em sete jogos para o Lakers no ano anterior e tirar a coroa do Leste do Celtics, Detroit conseguiu sua primeira conquista da NBA ao varrer Magic e cia e ainda manter um reinado na NBA com o bicampeonato em 1990.

Curiosidade: existem histórias de que Al Davis, saudoso dono da franquia Raiders, presenteou Chuck Daly com uniformes da equipe ao assumirem o papel de ‘vilões’ da liga

New York Mets

Um time que era classificado pelos próprios jogadores como ‘um bando de c***es’. Com essas palavras ditas pelo arremessador Bob Ojeda, começa o espaço dedicado ao New York Mets de 1986. Um time que não tinha pudor em assumir seus vícios com drogas e bebidas como relatam os jogadores.

A insanidade é notória: ao abrir a temporada vencendo na estreia, gravaram uma música chamada ‘Get’s Metsmerized’, onde os integrantes cantavam sobre suas habilidades, que eram melhores que outras equipes e outros dizeres mais.

Em campo, o Mets liderou em boa parte das estatísticas de ataque (as exceções são Home Runs e Roubos de Base) com nomes bastante famosos como Keith Hernandez, Gary Carter e Darryl Strawberry, além de um corpo de arremessadores bastante competente, mesmo sem nenhuma grande estrela no montinho.

A campanha nos playoffs ainda guardava algum drama, ao vencer o Houston Astros em seis partidas (sendo o jogo derradeiro fora de casa e vencido na 16ª entrada). Na festa, a equipe abusou das bebidas, jogadores usando cocaína no banheiro do hotel e prejuízo estimado em U$ 7.500 dólares em danos no avião.

Na decisão, o Boston Red Sox que buscava quebrar a maldição do Bambino e alcançar a glória máxima na MLB (detalhe: Tom Seaver, maior jogador da história do Mets, estava no elenco rival mas foi descartado para a decisão). E parecia que isso aconteceria no jogo 6, dentro do Shea Stadium. Boston estava a uma eliminação da conquista (5-3 a favor) quando a reação veio. Rebatida simples de Carter, outra rebatida simples de Kevin Mitchell e corrida impulsionada por Ray Knight para diminuir (5-4).

Com Mookie Wilson no bastão, um wild pitch custou a corrida de empate (5-5). Na rebatida mascada, Bill Buckner protagonizou uma das cenas mais icônicas da MLB e NY conseguiu uma vitória improvável. O Mets venceria o jogo 7 e se sagrava bicampeão.

Curiosidade: na música gravada, Carter e Hernandez não quiseram participar do conjunto musical

Chicago Bears

Chicago montava seu time para voltar aos tempos de glória que foram interrompidos com a era do Super Bowl na NFL. Um time que misturava uma defesa forte, conhecida como ‘46 defense’ implementada por Buddy Ryan (uma das melhores defesas já vistas na NFL) com o ataque liderado pelo veterano running back Walter Payton, um dos maiores da história da liga.

A dominância em 1985 era aliada a um jogo defensivo bastante físico, beneficiado ao estilo agressivo que era imposto à época, sufocando principalmente o quarterback adversário. Porém, algo ainda havia por vir e que marcou o Bears fora dos campos.

Monday Night da semana 13 com o duelo em Miami contra o Dolphins de Dan Marino. Naquela noite, Chicago conhecia sua primeira derrota na temporada (38-24). Lamentar? Ficou para depois. No dia seguinte, o time gravou a música autoral ‘The Super Bowl Shuffle’ (bastidores da gravação aqui). A confiança era tamanha que o time seria campeão que nem esperou o Super Bowl chegar para lançar o disco. ‘A música tem uma boa batida, você pode dançar com ela’, disse o wide receiver Willie Gault ao defender a música.

Mesmo com alguns jogadores recusando a gravação, alegando que poderia soar um tom arrogante, boa parte do elenco manteve o plano. Ron Rivera, hoje treinador do Washington Redskins e um dos linebackers do time naquela ocasião, não participou porque dormiu durante as gravações.

Chicago não só se manteve invicto depois disso como fez dos playoffs na NFC um passeio (não sofreu pontos em nenhum dos dois jogos) e do Super Bowl um monólogo, ao vencer o New England Patriots por 46-10, dando o primeiro troféu Vince Lombardi a equipe de Windy City.

Curiosidade: a música chegou ao top-100 da revista Billboard, ganhou disco de ouro pelas cópias vendidas e de quebra, concorreu ao Grammy na categoria ‘R&B’. Entretanto, não levou (vitória da música ‘Kiss’, do cantor Prince).

Lembram de outros casos assim no esporte? Deixe nos comentários e quem sabe não sai uma ‘parte 2’.

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